Se você pausar O Senhor dos Anéis em 1 hora e 54 minutos, verá o detalhe mais sombrio do filme: Não existe no livro e nunca mais foi citado na história
Bruno Botelho dos Santos
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel esconde muitos detalhes, mas este você não encontrará nos livros e nunca mais é mencionado nos filmes.

O primeiro filme de O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, foi lançado há 25 anos. O curioso é que, duas décadas e meia depois, a trilogia ainda é considerada um parâmetro cinematográfico. O que é ainda mais curioso é que, mais do que os próprios filmes, são seus detalhes ocultos ou segredos que geram mais discussão.

Há um detalhe particularmente interessante que poucos de nós notamos: após forjar o Um Anel, Sauron é visto com uma adaga na mão esquerda, mas seu significado é aparentemente nulo. Um erro de continuidade? Mas provavelmente, uma cena que foi filmada e cortada, deixando um detalhe muito obscuro sobre o Lorde das Trevas.

Onde é possível ver a adaga de Sauron no filme?

Narrada quase como uma história de terror, a sequência de Peter Jackson, com a voz de Cate Blanchett, mostra Sauron forjando o Um Anel na Montanha da Perdição. Combinando efeitos digitais e cenas com atores reais, a sequência estabelece sua supremacia, mas esconde um detalhe: em 1 hora e 54 minutos de A Sociedade do Anel, enquanto ergue orgulhosamente a mão direita, sem que Celebrimbor perceba, o vilão segura uma adaga na esquerda. São apenas cinco segundos, concebidos para concentrar a atenção do espectador no Anel, tornando essa segunda arma quase imperceptível.

Warner Bros.

Por que Sauron carregava uma adaga?

Caso esteja pensando em recorrer aos livros em busca de uma explicação, não encontrará nada. A adaga de Sauron – se é que Tolkien a imaginou – não aparece nos romances. Se ela alguma vez foi importante, Tolkien nunca a mencionou; foi ideia de Peter Jackson. É um daqueles conceitos narrativos originais (como a aparição de Arwen na Batalha do Abismo de Helm em As Duas Torres) que teriam explorado ainda mais o poder do Lorde das Trevas, mas que, por uma ironia do destino, ficaram de fora da versão final.

Arte conceitual de A Sociedade do Anel Warner Bros.
Arte conceitual de A Sociedade do Anel

De acordo com o primeiro roteiro de Peter Jackson, escrito por Philippa Boyens e Fran Walsh, a sequência de cenas da introdução era idêntica até aquele ponto, onde o diretor se concentraria em Sauron no Monte da Perdição e na forja do Um Anel. O cineasta queria dedicar o tempo necessário para mostrar o plano mestre do vilão e, ao fazê-lo, deu significado à adaga: Sauron se apunhalaria na mão para misturar seu próprio sangue com o ouro durante o processo de criação do Um Anel. Isso nos levaria à sequência que vimos na versão final, com o vilão erguendo a mão direita em uma clara pose de vitória.

Arte conceitual de A Sociedade do Anel Warner Bros.
Arte conceitual de A Sociedade do Anel

Com isso, Jackson buscou intensificar a aura malévola de Sauron e servir a um propósito maior: reforçar a ideia de que "o anel é Sauron e Sauron é o anel". É um detalhe que não tinha a intenção de diminuir a importância da história de Isildur, mas sim de dar mais peso à futura posse do anel por Frodo. Então, por que essa cena foi removida, mesmo filmada?

Uma cena foi cortada por estar muito "perturbadora"

O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
Data de lançamento 1 de janeiro de 2002 | 2h 58min
Criador(es): Peter Jackson
Com Elijah Wood, Sean Astin, Ian McKellen
Usuários
4,6
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Embora a cena claramente tivesse uma enorme profundidade narrativa, a filmagem gerou preocupações durante a pós-produção por ser considerada um tanto "perturbadora", tanto visualmente quanto por fazer parte dos segundos iniciais da trilogia – algo que poderia afastar espectadores. Sendo uma das muitas ideias originais do trio Jackson-Walsh-Boyens, o debate sobre mantê-la ou não criou mais problemas do que soluções.

Jackson queria contar o máximo possível no menor tempo possível, e a introdução de A Sociedade do Anel já era densa o suficiente, de modo que remover essa sequência teria economizado tempo – que foi usado na versão estendida para mostrar a morte de Isildur. Mesmo assim, como Jackson não cortou a cena inteira , ele deixou um detalhe que poderia ser considerado um erro, mas da perspectiva de um cineasta como o neozelandês, a adaga não acrescenta nada, mas também não prejudica a cena.

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