Em 1985, a França descobre o talento de uma jovem atriz de 22 anos, cuja presença incandescente ilumina o filme de Claude Chabrol, Poulet au vinaigre. Esta artista que chama a atenção do público é Pauline Lafont, filha da atriz Bernadette Lafont e do escultor húngaro Diourka Medveczky.
Entre Brigitte Bardot e Marilyn Monroe
No papel de uma espirituosa carteira, Henriette, Pauline se destaca e passa a acumular papéis sob a direção de cineastas prestigiados como Andrzej Zulawski. Este último a convoca para seu drama L'Amour braque, onde ela contracena com Sophie Marceau, Tchéky Karyo e Francis Huster.
Antes disso, ela havia obtido o pequeno papel de Claudette Bourdelle na comédia cult Papy fait de la résistance em 1983, dirigida por Jean-Marie Poiré. Em seguida, ela filmou Un printemps sous la neige de Daniel Petrie, Le Pactole de Jean-Pierre Mocky e La Galette du roi, ao lado de Jean Rochefort e Roger Hanin.
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Em 1986, ela faz um encontro determinante com um certo Gérard Krawczyk, futuro diretor da saga Taxi. Para Je hais les acteurs, seu primeiro longa-metragem como diretor, o cineasta contrata Pauline Lafont no papel de Elvina. A jovem convive assim com monstros sagrados da comédia francesa como Michel Galabru, Dominique Lavanant e Jean Poiret.
O filme narra os esplendores e misérias da grande época de Hollywood nos anos 40. A história de um produtor tirânico, de um diretor paranoico, de uma pin-up casada 24 vezes, de um ator que se recusa a envelhecer...
Pauline Lafont exalava uma frescura e uma espontaneidade raras na tela. Sua atuação era instintiva, sensual sem ser artificial, o que a tornava muito cativante. Ela encarnava uma feminilidade livre e moderna para os anos 1980. Foi isso, em particular, que agradou ao cineasta Gérard Krawczyk, que lhe ofereceu o papel principal feminino de L'été en pente douce (1987), com Jean-Pierre Bacri.
A atriz interpretava Lilas, uma jovem livre e provocante. Sua performance marcou profundamente o público. A história nos apresenta Fane, interpretado por Jean-Pierre Bacri. Este último está farto de ouvir todas as noites seu vizinho de cima "espancar" sua companheira. Uma noite, ele sobe e desce com Lilas, por quem ele se apaixona.
Fane então descobre a morte de sua mãe, que tinha uma pequena casa espremida entre duas garagens. Fane, Lilas e Mo, o irmão de Fane debilitado por uma cirurgia cerebral, vão morar na casa. Eles tentarão ser felizes lá, apesar de uma vila hostil e de um verão muito quente.
"Era a nossa Marilyn Monroe francesa. Era a Girl Next Door, a garota da esquina. Ela tinha uma beleza muito terrena, voluptuosa. Na época, era um pouco a era das modelos muito magras que olhavam para você com frieza. Ela contrastava enormemente", lembra o cineasta, entrevistado por nós em 2023.
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Após dois últimos papéis na tela grande em Atenção à Direita e Deux minutes de soleil en plus (onde ela surpreende em um registro mais sombrio), Pauline Lafont é encontrada morta em 21 de novembro de 1988, em circunstâncias enigmáticas. Seu desaparecimento havia sido notificado em 11 de agosto.
Desaparecimento trágico e novela midiática
Naquele verão de 1988, o destino ainda parecia sorrir para Pauline Lafont. Ela passa o mês de agosto na casa da família em La Serre du Pomaret, uma antiga sericicultura aninhada nas alturas de Saint-André-de-Valborgne, nos confins selvagens de Gard e Lozère. Ao seu redor, os seus: sua mãe, a atriz Bernadette Lafont, e seu irmão David.
A atriz vive um parêntese de calma antes de novos projetos, e um festival na Suíça onde ela deve em breve receber um prêmio. Em 11 de agosto, Pauline decide sair sozinha para uma caminhada. Uma escapada como ela gostava, livre e instintiva. Ela deveria voltar na mesma noite. Estavam esperando por ela. No entanto, as horas passam, e a preocupação se instala.
No final da tarde, sua mãe dá o alerta. Começa então uma corrida contra o tempo. Durante dois dias, cerca de sessenta homens, policiais e bombeiros, apoiados por um helicóptero, vasculham este relevo escarpado, procuram nos desfiladeiros, examinam as trilhas. Em vão. As buscas se intensificam, o exército é solicitado, a polícia interroga dezenas de testemunhas.
A angústia cresce, dando lugar às hipóteses mais sombrias. Em 16 de agosto, seu irmão apresenta queixa contra desconhecidos por "prisão arbitrária e sequestro". A esperança vacila, mas permanece. Será preciso esperar mais de 3 meses para que a verdade surja, brutal. Em 21 de novembro de 1988, um pastor descobre um corpo no fundo de um desfiladeiro, perto do vilarejo de l'Adrech, na comuna de Gabriac.
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Um destino quebrado no fundo de um desfiladeiro
O corpo está quase reduzido a um esqueleto. A identificação é feita graças a um anel e à sua dentição: é de fato Pauline Lafont. A autópsia concluirá uma queda de cerca de dez metros e sua morte teria sido instantânea. Assim se apagava, aos 25 anos, uma estrela em ascensão do cinema francês. Um desaparecimento acidental, na solidão da paisagem de Cévennes, que selou para sempre a imagem de uma juventude livre e fulminada em pleno voo.
Entre o anúncio de seu desaparecimento e a descoberta de seu corpo, o caso havia desencadeado uma verdadeira febre midiática. Testemunhos afluíram de toda a França: alguns juravam tê-la cruzado aqui ou ali, alimentando a esperança tanto quanto a confusão.
Muito rapidamente, os rumores mais loucos se espalharam, incluindo o de um retiro espiritual em um convento, uma partida precipitada para a China, ou o recrutamento em uma seita. Falava-se até de suicídio com o pano de fundo de uma separação amorosa e de fragilidade pessoal.
Neste clima de incerteza, cada hipótese alimentava o entusiasmo midiático, transformando a espera angustiada em uma novela nacional. No final, Pauline Lafont marcou pela sua liberdade, seu charme natural, sua intensidade na tela e a tragédia de seu desaparecimento precoce. Ela representa ainda hoje uma figura cult do cinema francês dos anos 80.