Cyril Collard, ex-assistente de direção de Maurice Pialat no filme Aos Nossos Amores, entregou com Noites Felinas em 1992 um filme controverso e febril, adaptado de um relato autobiográfico, um grito de desespero e angústia de uma geração vitimada pela AIDS. O filme foi um grande sucesso de bilheteria, atraindo 3 milhões de espectadores.
O diretor faleceu em 5 de março de 1993, três dias antes da cerimônia do Prêmio César — a maiores premiação do cinema francês, conhecido também como o "Oscar da França" — onde seu trabalho foi premiado quatro vezes: Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme, Melhor Atriz Estreante para Romane Bohringer e Melhor Montagem.
"Você quer viver, só isso"
MUBI
"Ser HIV positivo não é uma exclusão [...] Você quer viver, só isso", disse Cyril Collard ao apresentador Thierry Ardisson em uma entrevista em seu programa (cult) Lunettes noires pour nuits blanches em outubro de 1989.
Menos de um ano após sua morte, uma acalorada controvérsia midiática manchou a memória de Cyril Collard, acusado de infectar conscientemente suas parceiras sexuais, como relatado neste artigo do Le Monde em abril de 1994, que destacou na época o seguinte fato: "Em relação à vida amorosa de Cyril Collard, basta observar que nenhuma de suas parceiras, até o momento, achou conveniente se pronunciar."
César póstumo vai a leilão
Após 33 anos, este César, ganho postumamente pelo diretor, foi leiloado recentemente (14 de fevereiro, sábado), em Vezin-le-Coquet, na região Oeste de Rennes (Bretanha, França), pela Ouest Enchères Publiques.
"O prêmio César que está sendo leiloado foi entregue a seu amigo, mentor e assessor de imprensa, Claude Davy, que faleceu em 2014", comentou Pierre-Guillaume Klein, o leiloeiro responsável pela venda, em declarações publicadas pelo Le Parisien.
O lance inicial foi fixado em 8 mil euros, mas o valor pode subir consideravelmente. Em 2022, o César de Melhor Diretor, concedido a Jacques Audiard por O Profeta, foi vendido por 25 mil euros.