"Pior momento da minha vida": Clint Eastwood demitiu diretor neste clássico de faroeste e roubou seu lugar – mas causou revolta em Hollywood
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Após episódio com a lenda dos faroestes, a indústria cinematográfica tomou uma atitude que faz parte do cinema até os dias atuais.

Clint Eastwood é uma das maiores lendas vivas do cinema. O realizador conta com créditos múltiplos em diversas produções, tanto como ator quanto como diretor, contribuindo até este estágio avançado da vida com a sétima arte. Embora seu trabalho esteja distribuído por vários serviços de streaming, a maior parte dos filmes está no catálogo da HBO Max - e há um motivo claro para isso.

Por cerca de 50 anos, o artista tem uma parceria sólida com a Warner Bros., estúdio no qual já atuou como produtor, diretor, ator, roteirista, entre outras funções da indústria cinematográfica. Essa condição, além da qualidade do trabalho, é claro, deu a Clint um poder único, a ponto de causar a demissão do diretor de um filme no qual era protagonista (e produtor).

A demissão de Philip Kaufman causada por Clint Eastwood

Warner Bros.

Originalmente, quem iria dirigir Josey Wales, o Fora da Lei, era Philip Kaufman. Cineasta iniciante na época, ele havia feito apenas três pequenos filmes até aquele momento. Posteriormente, conduziu produções como Invasores de Corpos, Os Eleitos e Sol Nascente, além de contribuir com o roteiro de diversos projetos - o seu grande destaque em Hollywood.

O longa de 1976 era uma oportunidade única para alavancar a carreira, mas os planos não saíram conforme o imaginado. Com pouca experiência, Kaufman teve dificuldade em dirigir um filme deste porte, o que deixou Eastwood, que produzia Josey Wales através da Malpaso Productions, furioso.

"Espere um segundo": Há 58 anos, Clint Eastwood recusou ser o herói do maior faroeste de todos os tempos

Na coletânea Clint Eastwood: Interviews, o realizador responsável por Jurado Nº2 relembra que achava o roteiro "maravilhoso", mas não estava gostando do trabalho do colega atrás das câmeras. Isso fez com que Eastwood assumisse a direção do projeto. "Eu odiei! Foi o pior momento da minha vida", disse Clint sobre a demissão de Kaufman.

Um revés inesperado vindo do sindicato

Warner Bros.

O ditado "se tem placa, tem história" às vezes pode se adequar para "se há lei, há história". Após a demissão do jovem diretor, o Sindicato dos Diretores da América criou a “The Eastwood Rule” (regra Eastwood, em tradução livre). Trata-se de uma cláusula chamada informalmente dessa maneira, já que o episódio inspirou a decisão do órgão. Simples e eficaz, ela determina que qualquer produtor associado está proibido de demitir um diretor e, posteriormente, se colocar nesta posição.

Ao fim, sob direção de Clint, Josey Wales, o Fora da Lei se tornou um clássico do cinema western. A trama se passa logo após o término da Guerra Civil americana, quando Josey Wales (Eastwood), um pacato fazendeiro, se transforma num cruel justiceiro dos Confederados. Seu desejo é um só: vingança pelo massacre de sua família por um grupo de criminosos aliados ao exército da União.

49 anos depois, esta frase de Clint Eastwood ainda define o que é ser um anti-herói no cinema

Josey Wales, o Fora da Lei pode ser visto no catálogo da HBO Max.

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