Seis anos após o lançamento de Tubarão, um outro filme sobre a fera dos mares chegou aos cinemas. O cineasta italiano Enzo G. Castellari se inspirou tanto no original que a Universal Studios, produtora do longa de Steven Spielberg, processou a equipe do filme por plágio. E você verá que eles tinham toda a razão...
Plágio ou mera coincidência?
Intitulado O Último Tubarão, o filme começa com o misterioso desaparecimento de um praticante de windsurf em uma pequena cidade. Sua amiga, Jenny Benton, alerta seu pai, um escritor especializado em livros sobre tubarões. Com a ajuda de Ron Harmer, um amigo caçador de tubarões, eles recuperam um pedaço da prancha e suspeitam que se trata de um tubarão excepcionalmente grande.
Após um segundo desaparecimento, eles têm certeza. Contra toda a lógica, o prefeito, em plena campanha para se eleger governador do estado, mantém a tão planejada corrida de windsurf. O escritor e o caçador partem para rastrear o animal, assim como um grupo de jovens, também determinados a matar a fera.
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Isso não tem nada a ver com o filme de Spielberg, em que turistas são atacados por um grande tubarão branco na pequena cidade de Amity – e o prefeito quer abafar o incidente para não prejudicar o turismo –, não é? Além disso, um especialista em oceanografia, o xerife e um velho lobo do mar partem em busca do tubarão para matá-lo...
Até mesmo as cenas mais simples são reproduzidas fielmente, como a abertura com a pintura, que aqui se transforma em uma apresentação de slides.
As semelhanças são numerosas, mas os meios não são os mesmos. O tubarão mecânico usado por Castellari simplesmente abre e fecha a boca, o que é muito perceptível durante as sequências finais, quando a criatura emerge da água e parece ficar parada com a boca escancarada... sem fazer nada.
"A Universal não é dona dos oceanos"
Nos Estados Unidos, o filme foi lançado em 5 de março de 1982, arrecadando US$ 3 milhões antes de ser abruptamente retirado dos cinemas. Em 6 de abril, um tribunal federal da Califórnia ordenou a suspensão da exibição nos cinemas após uma acusação de plágio. A Universal, que já havia tentado proibir o filme antes de seu lançamento, entrou com um processo contra a Venture Pictures, distribuidora do filme. Enquanto aguardava a decisão, a exibição nos cinemas foi suspensa.
O desfecho do caso não é de conhecimento público, mas o filme jamais retornou aos cinemas americanos. Fazendo referência a Star Wars e Tubarão, o advogado de defesa do filme italiano afirmou: "A Fox não é dona do espaço, e a Universal não é dona dos oceanos."