Uma mulher de 30 anos que vendia passagens aéreas tirou dois anos de folga e escreveu um dos romances mais importantes da história
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

E, na verdade, quase toda a sua carreira como escritora se resume a um único título. Tiveram que se passar 55 anos até que ela publicasse seu segundo livro. E mais dez anos para o terceiro.

Em 1949, uma jovem de 23 anos se mudou para Nova York, vinda de sua terra natal, Alabama, para ganhar a vida. Ela queria ser escritora, mas para se sustentar aceitou vários empregos. Primeiro, em uma livraria e, posteriormente, como agente de reservas de voos. Escrevia em seu tempo livre e chamou a atenção com seus contos. Michael Brown, uma figura reconhecida da Broadway, reconheceu seu talento e incentivou esta garota a perseguir seu sonho. Por isso, no Natal de 1956, ele a presenteou com uma nota: "Você tem um ano de folga do trabalho para escrever o que quiser. Feliz Natal". Junto a este papel, o salário dos 12 meses seguintes.

O Sol É Para Todos
O Sol É Para Todos
Data de lançamento 11 de fevereiro de 1963 | 2h 09min
Criador(es): Robert Mulligan
Com Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford
Usuários
4,4
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Essa garota com grande talento - e sorte - era Harper Lee, a autora de O Sol É Para Todos. "Eles me garantiram que não era nenhuma brincadeira. Disseram que tinham tido um bom ano. Tinham economizado algum dinheiro e pensaram que já era hora de fazer algo por mim", lembrou Lee na revista McCall's em dezembro de 1961, conforme noticiou The Guardian posteriormente, "Eles queriam demonstrar sua fé em mim da melhor maneira que sabiam. O fato de eu vender algo algum dia era irrelevante. Queriam me dar uma oportunidade plena e justa para aprender meu ofício, livre da correria de um trabalho normal".

Lee correspondeu às expectativas e usou suas próprias vivências no Alabama para escrever um olhar perspicaz sobre a desigualdade racial e o estupro. Após um tempo de escrita, conseguiu vender um manuscrito para a editora JB Lippincott Company. Eles demoraram dois anos para realizar algumas mudanças, mas deste processo saiu um dos romances mais importantes da história. Pelo menos, da história americana. Tornou-se um sucesso de vendas e obteve grande reconhecimento da crítica. Tanto é que em 1961 levou o Prêmio Pulitzer de Ficção.

Até hoje, continua sendo um dos livros mais vendidos - os clássicos nunca morrem - e foi apontado pela Library Journal como o Melhor romance do século XX.

Deu origem a um dos grandes filmes do século passado

Universal Pictures

Em 1962, apenas alguns anos após seu lançamento no mercado, tornou-se filme pelas mãos de Robert Mulligan, com Gregory Peck e Mary Badham como protagonistas. Assim como as páginas do livro, segue o advogado Atticus Finch durante a Grande Depressão, educando seus filhos contra o preconceito enquanto defende um homem negro falsamente acusado do estupro de uma mulher branca.

O Sol é Para Todos recebeu três prêmios Oscar - incluindo Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado - e o Instituto Americano de Cinema chegou a considerar seu protagonista o maior herói cinematográfico do século XX. Além disso, é considerado um dos grandes filmes da história do cinema. Diz-se que Walt Disney solicitou assistir ao filme em uma sessão privada em sua casa e, após terminar de vê-lo, declarou comovido: "É um filme incrível. Esse é o tipo de filme que eu adoraria fazer".

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