"É como voltar ao teatro amador, é como voltar ao recreio": Este é um dia no set de Avatar 3
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Fazer uma das novas entregas da saga de ficção científica mais lucrativa é brincar com a imaginação. "É de uma liberdade artística que eu nunca experimentei antes", diz Oona Chaplin, a vilã Varang na sequência.

Oona Chaplin gostava de chegar cedo às filmagens de Avatar: Fogo e Cinzas. Por um lado, para tomar um café tranquilamente. Por outro, para ir sentindo o ambiente. "Eu fazia a leitura de como está o dia. Como estamos? Estamos atrasados? Estamos adiantados? Como está James? Como está Zoe?", conta a atriz ao espanhol SensaCine. "Eu observava o trabalho que estava sendo feito no set", recorda. "É um espaço muito grande onde se sussurra. Há uma concentração tão rica e espessa. Há uma vibração muito forte ali".

Avatar: Fogo e Cinzas
Avatar: Fogo e Cinzas
Data de lançamento 18 de dezembro de 2025 | 3h 17min
Criador(es): James Cameron
Com Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver
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4,2
Adorocinema
4,0
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Avatar: Fogo e Cinzas é o terceiro filme da saga de ficção científica de James Cameron. O filme, que chegou aos cinemas brasileiros em 18 de dezembro, continua a história da família liderada por Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña). Chaplin, que estreia neste filme, tem a tarefa de complicar a vida dos protagonistas. Sua personagem é Varang, a líder do violento clã Na'vi Mangkwan. Este grupo, conectado ao fogo, abandonou Eywa por um trauma vivido em seu passado.

"Há cerca de 400 computadores e todos têm que funcionar e sempre tem um que se comporta mal. Então, aí, de repente é preciso parar e você tem que esperar um pouco", continua Chaplin relatando como é um dia normal nas filmagens de Avatar.

Estamos exercitando a imaginação e o poder da imaginação é muito superior a qualquer coisa que te ponham na frente
20th Century Studios

Os problemas do dia a dia e as rotinas não são mais do que peculiaridades. Para Chaplin, neta de Charles Chaplin e filha de Geraldine Chaplin, a graça de filmar um filme de pijama e com pontos de motion-picture pintados no rosto é outra mais profunda. "A essência e a alma de trabalhar em Avatar com James Cameron, com Zoe Saldaña, com Stephen Lang, com Sigourney Weaver... é de uma liberdade artística que eu nunca experimentei antes", reconhece. "É voltar ao teatro amador. É como voltar ao recreio".

Para a atriz, uma das melhores coisas da experiência de Avatar é ter trabalhado sob as ordens de Cameron. "Ele tem uma curiosidade insaciável", diz sobre o cineasta. "É muito generoso e muito enérgico e nos inspira a todos a renascer como artistas, a trazer o melhor de nós e a ter um compromisso com a imaginação e a verdade dentro do fantástico", acrescenta. "Nossa! Eu poderia continuar falando por 3 horas só sobre isso", acrescenta.

Ser ator em Avatar é, no final, entrar em um mundo onde a imaginação é chave. "Cameron criou os sets virtuais. Você pode olhar no monitor mais ou menos o seu entorno. Se você precisa de algum objeto, ele te dá. Se você precisa de escadas, temos uma estrutura que é como de Lego onde fazem diferentes níveis. A única coisa que você tem é o outro ator e James Cameron e os outros atores", destaca. "Estamos exercitando a imaginação e o poder da imaginação é muito superior a qualquer coisa que te ponham na frente".

Varang: Uma líder nascida da tragédia

20th Century Studios

Avatar: Fogo e Cinzas começa pouco depois dos acontecimentos ocorridos em O Caminho da Água (2022). A família protagonista continua chorando a morte de seu filho e irmão Neteyam (Jamie Flatters). Em meio ao luto, percebem que Spider (Jack Champion), o filho humano de Quaritch (Stephen Lang), deve voltar à base humana de Pandora. Sua máscara de oxigênio não funciona bem e ele pode morrer. Todos embarcam na viagem e é então que se cruzam com Varang e os seus.

"Eu nunca consegui vê-la como uma vilã", diz Chaplin sobre sua personagem. "Eu tinha que tratá-la com muita compaixão e compreendê-la, compreender como funciona, qual é o impulso, e o impulso vem do trauma".

Quando Varang era uma criança, um vulcão destruiu tudo. Vendo que Eywa, a divindade suprema de Pandora, não respondia, ela decidiu se aproximar do fogo e aprender como funcionava. Foi ela quem salvou sua tribo, mas o trauma ainda está presente em todos eles. "Ela sofreu um trauma inimaginável que é que perdeu... Bem, embora se possa imaginar porque há muitas pessoas no mundo que sofreram. Ela perdeu sua família, seu modo de vida, sua casa, sua comida, seu tudo, tudo o que ela conhecia e dava por certo, perdeu em um momento com um vulcão", reflete Chaplin. "Em vez de ir para onde está Eywa, porque Eywa é a deusa da vida e Eywa morreu naquele lugar, ela foi diretamente para o vulcão".

20th Century Studios
Eu tinha que tratá-la com muita compaixão e compreendê-la, compreender como funciona, qual é o impulso, e o impulso vem do trauma

A atitude de Varang diante da tragédia foi a primeira coisa que Cameron explicou a Chaplin. "Ele me disse: 'Quando algo tem poder, ela olha e vai diretamente como um touro em direção a uma bandeira'", lembra. "Ela se inspira muito no fogo, o domina, o estuda e não só isso, também convence o seu povo de que esta é sua grande força, que sua fraqueza, seu sofrimento, sua dor é o seu grande combustível. Ela é uma líder incrível".

Chaplin reconhece que Varang a fez ver as coisas de outra forma. "Eu a admiro muito e ela me ensinou muito porque quando algo me dá medo eu saio correndo e então tenho que me recompor a três quarteirões e dizer: 'Não, Oona, vire-se, olhe bem, aqui há algo para você, há um presentinho para você'", diz. "Sua determinação, sua integridade, sua convicção... Tudo. Ela me ensinou muito".

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