Duas carreiras incomparáveis e filmografias repletas de sucessos são as de Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os dois astros de Hollywood parecem ter o faro para os grandes blockbusters de ação da indústria, não perdendo tempo em conseguir um lugarzinho nessas produções e fazer delas um filme próprio de Stallone e de Schwarzenegger. Claro que, sendo as duas figuras mais promissoras do gênero, um pouco de rivalidade e troca de papéis não falta na sua relação profissional.
Esse conflito por papéis ocorreu, por exemplo, durante a processo de desenvolvimento de um clássico da carreira de Sylvester Stallone: O Juiz (Judge Dreed). Originalmente, um longa bem diferente e com Arnold no papel central estava sendo planejado, mas diferenças criativas e interferências políticas dentro do estúdio mudaram os rumos dessa história.
Esta é a história de como O Juiz saiu do papel sem Arnold Schwarzenegger
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O escritor Peter Briggs foi chamado para conceber o roteiro dessa primeira versão com Arnold atuando e Tony Scott na direção. Um ativo fã dos quadrinhos 2000 AD, material de onde o universo de Juiz Dreed originalmente foi concebido, Peter Briggs embarcou na proposta sem pensar duas vezes e já com uma ideia engatilhada para o filme:
"Desde o início, eu queria fazer o Juiz Morte. Porque, bem, ele é incrível. E os Juízes Sombrios são fantásticos [assim como o Morte, os Juízes Sombrios são versões interdimensionais e mortas-vivas dos Juízes da realidade de Dredd]. Eles são a antítese do que o sistema dos Juízes representa, sendo de um universo paralelo no qual toda a vida é proibida. A vida é o crime supremo, e a morte é a resposta. Desde o início, para mim, não havia outro enredo além desse", comentou o roteirista para a revista Bloody-Disgusting em 2020.
Conflitos criativos e políticos impediram que a ideia original de Briggs fosse tirada do papel
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Quando Briggs entrou no projeto, porém, outros roteiros já tinha sido comissionados e rejeitados. Além disso, o autor estava em competição com o roteirista de O Exterminador do Futuro 2, William Wisher Jr., sendo que o acordo estipulado seria que Arnold escolheria o seu favorito e, assim, o projeto seguiria. Para piorar, um dos produtores do longa Charlie Lippincott era contra a ideia de Briggs de dar vida a um dos vilões da história.
"Ele [Charlie Lippincott] respondeu: “Sim. Olha, não é nada pessoal, mas só quero dizer que farei tudo o que puder para garantir que esse seu roteiro não aconteça”. Essa foi uma citação direta de Charlie Lippincott. Citação direta", declarou Peter Briggs na entrevista com a Bloody-Disgusting.
Logo após Arnold e Tony Scott saírem do projeto por razões desconhecidas para Briggs, Sylvester Stallone e o dreitor Danny Cannon deram prosseguimento ao longa e o resto é história. Stallone estrelou como O Juiz na trama distópica em que o famoso policial é acusado de um crime que ele não cometeu por seu próprio meio-irmão, que possui um plano maligno na manga. No final das contas, cada qual viveria sua própria figura vigilante robótica: Stallone com seu Juiz Dreed e Schwarzenegger com o Exterminador do Futuro.