O faroeste está entre os gêneros mais antigos do cinema. Desde os primórdios do cinema mudo, caubóis e pistoleiros povoam telas, com auge entre as décadas de 1930 e 1970, período que consolidou nomes como John Wayne e Clint Eastwood. Embora tenha perdido espaço a partir dos anos 1980, o gênero nunca desapareceu e voltou a ganhar força no fim dos anos 1990 e início dos 2000. Hoje, encontra terreno fértil na TV, com produções como Yellowstone e seus derivados.
Nesse contexto, Gunless parecia iniciar seu enredo por um caminho familiar: um pistoleiro durão, conhecido como Montana Kid, chega a uma pequena cidade canadense, típico cenário que antecede o confronto com um bando de criminosos.
Ele próprio buscava esse tipo de duelo, mas se frustra ao descobrir que os moradores eram cordiais e seguiam a lei. Depois de comprar mantimentos, vê um ferreiro, Jack, trocar a ferradura de seu cavalo. Sean Lafferty, nome que só descobrimos mais tarde, interpreta o gesto como tentativa de roubo e o desafia para um duelo.
A situação se desmonta rapidamente: Jack, assim como quase todos na cidade, não tinha uma arma. Daí nasce a premissa do título. O pistoleiro decide permanecer ali para consertar o moinho local em troca do único revólver da região, que entregaria a Jack para legitimar o duelo.
Gunless é um bom filme, mas acabou perdido entre tantos outros
Segundo análises de muitos jornalistas e críticos de cinema (via SlashFilm), o maior obstáculo para o desempenho de Gunless foi a estratégia de divulgação. Lançado como uma comédia pura, enfrentou o desgaste do gênero nas bilheterias, em um mercado no qual até filmes bem-humorados se vendem principalmente como ação. A abordagem afastou parte do público e comprometeu a visibilidade da produção.
Agora disponível no Prime Video fora do Brasil, o longa-metragem vem sendo redescoberto por fãs do faroeste, que encontram nele uma reflexão divertida, e ainda atual, sobre os mitos que moldaram um dos gêneros mais duradouros do cinema.