Michael Fassbender acumulou papéis marcantes ao longo da carreira, de Bastardos Inglórios a X-Men, passando pelo androide David em Prometheus. Para a Academia, porém, seu auge veio com duas indicações ao Oscar: a primeira por 12 Anos de Escravidão (2013) e a segunda por Steve Jobs (2015). Curiosamente, o ator revelou que quase não fez o longa-metragem de Danny Boyle.
Em um painel no Festival de Toronto de 2016, Fassbender contou que, nos ensaios de Steve Jobs, tentou encontrar uma saída para abandonar o filme. “Nos ensaios, eu estava tentando achar uma maneira de sair do trabalho”, afirmou.
Ele disse ainda, em tom que soou irônico ao público, que chegou a comentar com seu motorista: “Se eu colocar meu braço na porta, você deve bater. Deve causar uma fratura, e isso deve me tirar desse emprego.”
Por que Michael Fassbender queria sair de Steve Jobs?
Para Michael Fassbender, o problema não era o projeto em si, mas o texto do roteirista Aaron Sorkin, conhecido pela cadência veloz e por diálogos carregados de informações. O ator descreveu o material como algo difícil de absorver. “O [roteiro] era uma montanha, e eu aprendo devagar, então quando chegou para mim, pensei: ‘Isso não é para mim. Deveria ser outra pessoa. É uma escalação errada’”, disse.
A densidade do material não é novidade para quem acompanha o trabalho de Sorkin, autor de A Rede Social. Ele costuma brincar que “gosta do som da inteligência”, e que sua habilidade é “imitar esse som, não necessariamente ser inteligente”.
Em Steve Jobs, o estilo aparece em disputas verbais aceleradas, como o embate entre o cofundador da Apple e o então CEO John Sculley, vivido por Jeff Daniels. Apesar das dificuldades, Fassbender superou o receio inicial e entregou uma performance que o levou novamente ao Oscar.