Em entrevista recente à rádio NPR, Guillermo del Toro afirmou que não pretende usar inteligência artificial em seus filmes, especialmente ferramentas de IA generativa. O cineasta, que atualmente tem 61 anos, foi direto ao responder sobre o tema: segundo ele, não há qualquer interesse pessoal ou profissional em incorporar esse tipo de tecnologia ao seu processo criativo.
“AI, particularmente, AI generativa? Eu não estou interessado e nunca estarei interessado”, disse. Ele acrescentou que espera “continuar desinteressado até morrer” e resumiu sua posição em uma resposta curta que enviou por e-mail quando questionado sobre o assunto: “Eu prefiro morrer”.
Cineasta critica IA generativa e relaciona criação irresponsável ao enredo de Frankenstein
Del Toro explicou que sua preocupação não está necessariamente na tecnologia em si, mas no modo como pode ser usada de maneira irresponsável. Para ele, o maior risco não é a inteligência artificial, mas a “estupidez natural” — expressão que utilizou para apontar a falta de crítica e reflexão diante de inovações que avançam rapidamente. O diretor afirmou que esse tipo de comportamento é responsável por “grande parte das piores características do mundo”.
Durante a conversa, ele fez uma conexão direta entre o debate atual sobre IA e a narrativa central de Frankenstein. Segundo del Toro, há paralelos entre a postura de Victor Frankenstein e a de desenvolvedores e entusiastas que buscam criar novas formas de automação sem considerar os impactos sociais, éticos e culturais.
"Eu queria que a arrogância de Victor fosse parecida, de alguma forma, com a dos ‘caras da tecnologia’, explicou. Para ele, existe uma cegueira em criar algo sem refletir sobre as consequências.
A adaptação de Frankenstein dirigida por Guillermo del Toro é baseada no romance publicado por Mary Shelley em 1818. O elenco reúne Jacob Elordi, Oscar Isaac, Mia Goth, Christoph Waltz e Ralph Ineson. O filme estreia na Netflix em 7 de novembro.