Stanley Kubrick fez apenas 13 longas-metragens em seus 46 anos de carreira. Mas quase todos eles deixaram uma marca permanente na história do cinema. O cineasta, falecido em 1999, era notório por seu perfeccionismo, que frequentemente levava seus atores à beira da loucura – mas que também resultou em obras-primas como Barry Lyndon, O Iluminado e De Olhos Bem Fechados.
Embora suas próprias criações cinematográficas fossem permeadas por uma atmosfera tranquila e ele não deixasse nenhuma cena ao acaso, a seleção de filmes que o influenciaram e inspiraram parece muito menos rigorosa. Seus favoritos incluem inúmeras obras de cineastas de renome como Ingmar Bergman, Max Ophüls, Andrei Tarkovsky e Akira Kurosawa – mas também há surpresas.
Por exemplo, Kubrick afirmou ter assistido ao clássico da Disney, Mary Poppins um total de três vezes. O thriller de terror dos anos 80 Um Lobisomem Americano em Londres e a comédia esportiva Homens Brancos Não Sabem Enterrar também estavam em sua lista – e diz-se que ele admirava tanto o filme com Steve Martin, O Panaca que, a princípio, queria que o ator e comediante interpretasse o papel principal em De Olhos Bem Fechados.
"Nunca vi nada parecido": O lendário diretor Stanley Kubrick admirou este épico único de 15 horasO filme favorito de Stanley Kubrick
Mas qual filme superou todos os outros para o virtuoso do cinema? De acordo com a biografia de Stanley Kubrick escrita por John Baxter, o diretor descreveu um musical de 1979 como o "melhor filme que já vi": O Show Deve Continuar, de Bob Fosse, que o utilizou para processar suas próprias experiências no show business.
Essa escolha pode parecer surpreendente à primeira vista. Embora a música desempenhe um papel importante nos filmes de Kubrick, o nova-iorquino estava menos familiarizado com números exuberantes de música e dança. Além disso, All That Jazz, no original, vencedor de quatro Oscars, é um longa extenso, exuberante e, às vezes, caótico — e, portanto, totalmente oposto às criações do próprio Stanley Kubrick, com sua encenação pesada e composições geométricas.
Columbia Pictures
O Show Deve Continuar gira em torno do coreógrafo e diretor Joe Gideon (Roy Scheider), que atualmente prepara um novo espetáculo na Broadway. Também estão envolvidas sua ex-esposa Audrey Paris (Leland Palmer) e sua amante Angelique (Jessica Lange) – o que logo leva a um conflito.
Talvez seja o perfil psicológico central de um artista dilacerado pelo estresse profissional e pessoal e por inúmeros vícios que atraiu Kubrick em O Show Deve Continuar. Ou o fato do filme, que nunca alcançou o status de clássico de Cabaret, de Fosse, não ser de forma alguma um musical leve, mas, apesar de sua embalagem deslumbrante, uma obra sombria e profunda, cheia de farpas.
Infelizmente, talvez nunca saibamos com certeza, pois a informação é de segunda mão e não há nenhuma citação na biografia que explique a escolha de Kubrick com mais detalhes. De qualquer forma, é uma decisão interessante — não apenas por se tratar de um ótimo filme, mas também porque não se revela completamente à primeira vista.