Este filme é tão meticuloso que criou uma expressão ainda usada na indústria cinematográfica 37 anos depois
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

O filme de animação mais ambicioso da história também marcou a história do cinema para sempre.

Considera-se que Uma Cilada para Roger Rabbit é o maior crossover da história do cinema de animação, e com razão: o Pato Donald e o Patolino competiam tocando piano, Mickey e Pernalonga se encontravam em determinado momento, ao longo de todo o filme os personagens de diferentes franquias se encontravam de todas as maneiras possíveis... Isso sim, não é tão conhecido que, embora tenha conseguido os grandes nomes, Robert Zemeckis não pôde conseguir os direitos de Popeye, da Luluzinha, Gasparzinho, Super Mouse ou Tom e Jerry. Nem tudo poderia dar certo!

Touchstone Pictures / Walt Disney Pictures
Uma Cilada para Roger Rabbit
Uma Cilada para Roger Rabbit
Data de lançamento 22 de dezembro de 1988 | 1h 43min
Criador(es): Robert Zemeckis
Com Bob Hoskins, Charles Fleischer, Christopher Lloyd
Usuários
4,0
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Imagine a carga de trabalho que representou um filme como este: necessitou de 14 meses de pós-produção, porque não era tão fácil como animar os personagens e colocá-los no plano. A câmera em contínuo movimento de Zemeckis fazia com que fosse muito difícil introduzir os personagens e fazer com que parecessem realistas: para isso, os enviaram à ILM para conseguir um efeito 2,5D animando três camadas diferentes: sombras, luzes e tons mate.

Mas há uma cena em particular onde os animadores ficaram consternados: à mão, como todo o filme, tiveram que animar, plano a plano, uma cena na qual a lâmpada, que Bob Hoskins batia com a cabeça continuamente, não parava de se mover: era preciso ter muito cuidado com como estava representado o Roger Rabbit. Para conseguir isso, criaram diferentes camadas de iluminação, como conta Javi Godoy no TikTok: cor base, sombra, brilho e contorno. Um trabalho espetacular que ficou conhecido como "bumping the lamp".

Não é que "bumping the lamp" seja usado apenas para descrever cenas com iluminação complexa, mas sim que, hoje em dia, é sinônimo de ir além e buscar a contínua excelência no trabalho que você faz, com detalhes que não são necessários (por exemplo, fazer a orelha de Roger translúcida ao contato com a luz, como as dos coelhos reais), mas que adicionam detalhe e glória a uma obra.

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