Lançado há 51 anos, este filme é uma obra-prima – mas geralmente você só o assiste uma vez
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Alguns filmes são tão impactantes que só podem ser vistos uma vez na vida.

Em 1973, William Friedkin mal sabia que estava prestes a traumatizar gerações inteiras de espectadores com O Exorcista. O filme de terror, ainda considerado um dos mais assustadores de todos os tempos, foi um sucesso fenomenal.

Um choque inesquecível

Quando você assiste a O Exorcista pela primeira vez, o choque é absolutamente devastador. Com seu realismo quase documental, o filme te agarra pela barriga e não te solta mais, causando uma angústia que dificilmente outro filme te fará sentir. Por isso, é uma obra-prima que muitos conseguem ver só uma vez na vida.

Sua atmosfera sombria e pesada deixa uma marca indelével na mente do espectador, e algumas cenas absolutamente aterrorizantes permanecem para sempre. Todos nos lembramos das sequências com Regan (Linda Blair) possuída, proferindo obscenidades com aquela voz do além-túmulo, que assustaria qualquer um. Uma única exibição daquele rosto inchado e cheio de cicatrizes é suficiente para nos traumatizar!

Warner Bros. Pictures

Uma voz aterrorizante

E embora o rosto de Regan seja obviamente uma fonte de angústia, não seria nada sem aquela voz cavernosa – que, claro, não é de Linda. Um dos muitos desafios da pós-produção foi encontrar a voz do demônio. A jovem atriz havia gravado suas falas, mas Friedkin queria capturar aquela famosa voz "áspera, poderosa, profunda, ensurdecedora", como descrita pelo romancista William Peter Blatty no romance original.

E uma voz, em particular, deixou uma impressão duradoura no diretor: a de Mercedes McCambridge. Inesquecível como Emma Small no faroeste Johnny Guitar, a atriz também ganhou um Oscar por A Grande Ilusão, e foi seu timbre único que deixou uma marca indelével em Friedkin.

Mergulhando de cabeça no projeto, McCambridge voltou a beber e fumar, na tentativa de alcançar a voz perfeita que William buscava. O diretor não queria que ela fosse tão longe, mas a atriz insistiu. "Não se preocupe. O que importa é que você consiga o resultado que busca", disse ao cineasta.

Warner Bros. Pictures

Após o sucesso do filme, a polêmica explodiu, com a indústria questionando o trabalho de Linda Blair. "A atuação de Linda foi questionada, e acho que foi isso que lhe custou o Oscar. A velha guarda de Hollywood tentava de todas as maneiras impedir que O Exorcista fosse excessivamente aclamado", observou Friedkin em seu livro, The Friedkin Connection: Memoirs of a Legendary Filmmaker.

"Não é rancor falando. Meu amigo Jack Haley Jr. estava produzindo o Oscar naquele ano. Ele me contou que havia um rumor entre membros influentes da comunidade de que, se O Exorcista ganhasse o prêmio de Melhor Filme, isso mudaria a indústria cinematográfica para pior e para sempre", revelou.

O Exorcista
O Exorcista
Data de lançamento 29 de julho de 1974 | 2h 01min
Criador(es): William Friedkin
Com Linda Blair, Ellen Burstyn, Max von Sydow
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4,5
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De qualquer forma, O Exorcista permanecerá para sempre um dos maiores clássicos da história do cinema – mas, como algumas obras muito radicais, ver só uma vez já é suficiente para nos lembrarmos pelo resto da vida.

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