É isto que falta nos filmes de ação atuais: Stallone detona esta prática cada vez mais comum no cinema
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Astro de Hollywood acredita que gênero está morrendo por abandonar elemento essencial.

Cada gênero tem seus símbolos e recursos que o constituem. Enquanto a ficção científica necessita trabalhar o imaginário a partir de uma junção entre o que é fato e o potencial que representa, a ação requer um número menor de ferramentas para se sustentar. Nas décadas passadas, especialmente entre os anos 1980 e 1990, filmes que abraçavam a pancadaria e a agilidade de seus heróis tinham o suficiente para se encaixar nesse conceito - e é justamente isso que Sylvester Stallone acredita que está faltando no cinema contemporâneo.

O astro de Rambo se mantém na indústria cinematográfica de maneira invicta, embora enxergue que o que o levou ao estrelato não existe mais, nem mesmo com tentativas de trazer o espírito dos filmes antigos de volta à tona. Para ele, no entanto, não se trata apenas de uma nova era da sétima arte quanto à aura destes longas, mas o modo de produção que acabou com a essência das tramas de ação.

Arnold Schwarzenegger admite que Sylvester Stallone é o melhor ator: "É como acender um pavio"

"[Grandes filmes de ação são] como comprar um relógio vintage. Originalmente custava 35 dólares, e agora custa 35 mil. Por quê? Porque era feito à mão. Não era exagerado. Não era sobrenatural. Era algo que um ser humano único poderia alcançar", disse ele em entrevista ao The Hollywood Reporter em 2022.

Orion Pictures

O eterno Rocky Balboa acredita que o excesso de filmes de super-heróis ou roteiros que levam protagonistas à jornadas fisicamente fantasiosas acabaram com o gênero, assim como o excesso de computação gráfica:

"É por isso que acho que Rambo - Programado para Matar é um dos primeiros filmes de ação. Usei a atuação corporal para contar a história", continuou ele. "O personagem nunca fala, mas você sabe exatamente o que está acontecendo através dos outros personagens. Eles são quase como narradores em sua tragédia grega. O cara não para de se mexer, e é isso que eu chamo de ‘filme de ação’. Não há uma única tomada de CGI. O público diz: 'Isso é muito especial'".

“Tentamos comprar os direitos e queimá-los": Sylvester Stallone odiou este filme, mas hoje é considerado um dos seus melhores

A ponderação sobre o excesso de efeitos especiais realmente é pertinente, principalmente quando filmes tornam-se genéricos com sequências inteiras feitas em um computador, abandonando todo o potencial de efeitos práticos que abrilhantaram o cinema no passado. Isso também é reflexo da popularidade do cinema de super-heróis, conhecido por este tipo de recurso.

Ainda assim, existem ótimas e inovadoras entradas no gênero que não estão vinculadas a franquias estabelecidas, apresentam uma oxigenação do que entendemos como ação e não são protagonizadas por arquétipos de machões - pelo menos não como antigamente. Dentre eles, podemos citar projetos óbvios como John Wick, mas também Baby Driver, Trem-Bala, Guerra Sem Regras, Resgate, Bagagem de Risco, Fúria Primitiva, Beekeeper - Rede de Vingança, entre outros.

Talvez aquele tipo de filme que Stallone estava acostumado a fazer realmente não tenha mais espaço no cinema, visto o desmoronamento da popularidade de filmes como Os Mercenários e Código Alarum, mas o gênero não está respirando por aparelhos.

facebook Tweet
Links relacionados