O que torna um faroeste verdadeiramente bom? Para mim, não são apenas tiroteios ou cenas de cavalgadas emocionantes e dinâmicas, mas também uma boa história com personagens inesquecíveis – de preferência com pontos de enredo moralmente ambivalentes que não pintem tudo em preto e branco. O Homem dos Olhos Frios, de Anthony Mann, oferece tudo isso e é um verdadeiro clássico.
Um Henry Fonda digno do Oscar
A principal razão pela qual O Homem dos Olhos Frios corre cada vez mais o risco de ser esquecido é provavelmente o fato da obra de 1957, com sua narrativa nítida e precisa em 93 minutos, ser um filme em preto e branco. Espero que você não se deixe intimidar por isso, mas sim aprecie as fantásticas imagens monocromáticas, que proporcionam uma profundidade visual e estética raramente, ou nunca, alcançadas por imagens coloridas.
Os papéis principais são interpretados pelo então futuro astro de Psicose, Anthony Perkins, em uma de suas primeiras aparições nas telas, e pelo lendário Henry Fonda, que cativa com uma atuação fascinante, multifacetada e emocionante.
Paramount Pictures
Fonda definitivamente merecia um Oscar (que já era esperado há muito tempo naquele momento de sua carreira) por seu trabalho aqui. No entanto, o filme só levou uma indicação pelo excelente roteiro de Dudley Nichols. Só em 1981 Fonda recebeu a estatueta de ouro por sua última aparição no cinema, Num Lago Dourado – além de um Oscar honorário pelo conjunto da obra no ano anterior.
Mas não são apenas os atores – incluindo Betsy Palmer, que se tornaria uma scream queen na saga Sexta-feira 13, e o veterano do faroeste Lee Van Cleef – que nos fazem querer ver O Homem dos Olhos Frios. A história tem muitas nuances e aborda de forma inteligente questões como racismo, xenofobia, vingança cega, mentalidade de turba e conformismo, que ainda são mais do que relevantes na sociedade atual.
O Homem dos Olhos Frios: Esta é a história
Morgan Hickman (Fonda), um ex-policial que trabalha como caçador de recompensas, chega a uma cidadezinha no interior. Ele pretende entregar o corpo de um criminoso procurado que matou e receber sua recompensa, mas descobre que o xerife local foi morto recentemente. O novo responsável pelo cargo é seu filho, Ben Owens (Perkins), que Hickman considera bastante inexperiente e ingênuo.
Enquanto Hickman aguarda o pagamento, o médico da cidade é assassinado. Uma multidão se forma, planejando enforcar os supostos assassinos. Owens se recusa a permitir esse tipo de linchamento, mas parece impotente. Hickman decide apoiá-lo com conselhos e, se necessário, ações...