Há 65 anos, a cena de abertura deste faroeste já anunciava um clássico do gênero
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Este western é um clássico desde sua cena de abertura, a tal ponto que gerou três sequências e um remake.

Seja na ficção científica com Blade Runner, no filme de terror Pânico, no filme de espionagem 007: Cassino Royale ou no filme de guerra A Cruz de Ferro, cenas de abertura cult não faltam no mundo do cinema, e outro gênero não escapa à regra: o western!

Lançado em 1960, Sete Homens e Um Destino propunha uma introdução perfeita para seu tema, lembre-se (ou descubra-a):

Sete Homens e Um Destino
Sete Homens e Um Destino
Data de lançamento 1 de outubro de 2020 | 2h 08min
Criador(es): John Sturges
Com Yul Brynner, Eli Wallach, Horst Buchholz
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4,3
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Tempos difíceis no México

Camponeses mexicanos trabalham com espigas de milho. Eles interrompem seu trabalho quando uma tropa de cavaleiros se aproxima. São cerca de cinquenta. A música, até então uma tranquila balada de violão, torna-se uma sucessão de batidas de tambor e metais. Eles não anunciam uma boa notícia.

O líder destes mexicanos super armados para para cumprimentar um certo Sotero, que ele apresenta como seu amigo. O homem se deixa abraçar com os braços caídos, indicando que esta amizade não é recíproca. Os mexicanos se servem nas casas dos moradores e saqueiam sem disparar um tiro. Os aldeões tentam resistir, mas cedem diante da ameaça.

MGM

Sotero constata a pouca fé destes bandidos, que segundo seu líder, consideram-se piedosos e lamentam o fato de que a religião esteja se perdendo. O chefe não deixa passar esta ironia e distribui um par de tapas naquele que apresentava como seu amigo. Ele censura a aldeia por não ter tanto para dar aos seus homens. Decepcionado, ele se prepara para partir.

Um vilão carismático

Um camponês, Rafael, tenta se revoltar e ataca brandindo uma foice: ele é friamente abatido. Os bandidos partem, mas seu chefe já avisa: ele voltará. Mas quem poderia parar um bando de 50 bandidos armados até os dentes? Os aldeões não se imaginam conseguindo com suas foices, como provou o pobre Rafael. Eles estão desesperados.

O desafio do filme é brilhantemente apresentado e esta cena descreve a ameaça que paira sobre estes aldeões e sua impotência diante deste problema, com uma eficácia de roteiro e atuação que merece ser destacada. O líder dos vilões, interpretado com precisão por Eli Wallach, e do qual saberemos mais tarde que se chama Caldera, é um dos piores bandidos que o western já conheceu, mesmo tendo uma certa lábia que lembra o personagem interpretado por Anthony Quinn em Vaqueiro (1953).

Vendo esta cena de abertura, poderíamos suspeitar que Sete Homens e Um Destino nos apresentaria os mexicanos como vítimas salvas pelos sete americanos sem medo e sem censura, mas não é o caso. Os mercenários têm todos suas falhas, e finalmente, são os próprios aldeões que darão uma lição de vida aos seus "salvadores". Uma sequência completamente formidável, que tornou seu vilão icônico.

O filme terá três sequências: A Volta dos Sete Homens (1966), A Revolta dos Sete Homens (1969) e A Fúria dos 7 Homens (1972), uma série de duas temporadas com Eric Close (1998 - 2000) e um remake em 2016, estrelado por Chris Pratt e Denzel Washington.

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