A década de 1970 foi marcada, como nenhuma outra, pela agitação e quebra de tabus: cineastas como Stanley Kubrick, Martin Scorsese e Pier Paolo Pasolini romperam com a Hollywood clássica, encontraram material original e socialmente crítico e reinventaram o cinema. Filmes como Salò ou Os 120 Dias de Sodoma, Taxi Driver e Laranja Mecânica não só chocaram e revoltaram o público, mas também moldaram esta era e continuam a repercutir até hoje.
Outro desses filmes é A Comilança, de Marco Ferreri, que durante sua estreia em Cannes, em 1973, causou escândalo. As pessoas abandonaram as sessões e os críticos ficaram divididos entre o horror e o entusiasmo.
Compulsão alimentar e sexo
Os amigos Marcello (Marcello Mastroianni), Michel (Michel Piccoli), Philippe (Philippe Noiret) e Ugo (Ugo Tognazzi) se trancam em uma vila parisiense durante o fim de semana com um objetivo: comer até morrer. Mas, entediados com a comida, eles convidam três garotas de programa e uma professora para o banquete.
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Logo o excesso crescente se torna demais, e, entre as mulheres, só Andréa resta para assistir enquanto os quatro homens gradualmente sucumbem à sua decadência excessiva.
O filme chocou o público com sua representação explícita de sexo e alimentação. Mesmo hoje, mais de 50 anos após seu lançamento, ainda temos uma sensação de vergonha ao assistir.
A gula como fuga da norma
Luxúria e prazer são usados aqui como um meio de cruzar fronteiras. Um hedonismo abrangente que rompe com todas as convenções. Mas A Comilança também aborda questões existencialistas: o que está realmente por trás de toda essa ação? O que leva os quatro homens na faixa dos 50 anos, que supostamente conquistaram tudo, a fazer isso? Eles estão entediados, suas vidas não são gratificantes e tudo o que conseguem fazer é consumir até se destruir.
Assim, o filme é um comentário sobre a sociedade e, certamente, sobre os homens de seu tempo que se gabavam de carros e mulheres. No final das contas, é imperdível para todos os fãs de cinema – especialmente aqueles que gostam de desafiar os limites.
A Comilança está na assinatura premium do Prime Video.