"Não tenho dinheiro": Após fracasso na ficção científica, este grande diretor agora precisa cortar custos para seu novo filme
Evelyn Souza
Conquistada pela cultura pop, Evelyn adora assistir e discursar sobre filmes teens, de todas as gerações, e aqueles que quase ninguém ouviu falar. Além de ser dorameira e tentar usar seu coreano ínfimo em todas as oportunidades.

Depois que seu ambicioso projeto foi duramente punido pela crítica e pelo público, Francis Ford Coppola agora tem que cortar gastos para seu próximo projeto.

O termo “fracasso” é quase um eufemismo se alguém tentasse descrever Megalópolis de Francis Ford Coppola em uma palavra. Com um orçamento estimado em mais de120 milhões de dólares e bilheteria mundial de 14,3 milhões, Coppola garantiu o vaga entre os maiores fracassos de 2024.

Megalópolis
Megalópolis
Data de lançamento 31 de outubro de 2024 | 2h 18min
Criador(es): Francis Ford Coppola
Com Adam Driver, Giancarlo Esposito, Nathalie Emmanuel
Usuários
2,3
Adorocinema
4,0
Assista agora em Telecine

Ele também recebeu o Framboesa de Ouro (de Pior Diretor), o que o coloca em um círculo exclusivo de cineastas que ganharam tanto o Oscar quanto esse prêmio depreciativo na categoria de direção. Anteriormente, apenas Michael Cimino, Kevin Costner e Tom Hooper haviam alcançado o feito. Pelo menos Coppola levou tudo com humor e aceitou a estatueta pessoalmente.

Neste contexto, não é de surpreender que potenciais financiadores estejam relutantes em apoiar um novo projeto de Coppola. Talvez também porque, além do desastre financeiro, alegações de assédio sexual no set circularam durante a estreia mundial de Megalópolis em Cannes, como o Guardian noticiou na época. Declarações que o coprodutor Darren Demetre posteriormente refutou ao The Hollywood Reporter.

Coringa 2 "triunfa" em premiação controversa, enquanto Megalópolis, Borderlands e Madame Teia viram chacota

Da Megalópolis ao Minimalismo

Apesar de tudo isso, Francis Ford Coppola, que comemora seu 86º aniversário no mês que vem, já está bem adiantado no desenvolvimento de seu novo filme Glimpses of the Moon. No entanto, o lendário diretor, a quem o mundo do cinema deve clássicos como O Poderoso Chefão, A Conversação e Apocalipse Now, terá que diminuir o orçamento.

Embora ele tenha usado grande parte de sua fortuna privada para este Megalópolis (entre outras coisas, vendendo muitos hectares de seu vinhedo na Califórnia), seu novo longa tem que se contentar com um orçamento drasticamente reduzido. Depois que seu ambicioso épico de ficção científica fracassou financeiramente e ele investiu mais de 100 milhões de dólares, o cineasta agora admite abertamente: "Não tenho dinheiro".

American Zoetrope

Até que ponto tal afirmação pode ser acreditada ainda não se sabe, afinal, o valor pelo qual Coppola vendeu suas terras em 2021 é estimado em 500 milhões de dólares. Por outro lado, também é verdade que o diretor teve que pedir falência diversas vezes durante sua carreira. Por exemplo, após seu visionário musical O Fundo do Coração, que fracassou terrivelmente nas bilheterias na época.

O fato de Glimpses of the Moon, que Coppola descreveu no Washington Post em dezembro de 2024 como um “estranho musical dos anos 1930”, também ser um musical não é necessariamente um bom presságio para o sucesso. Afinal, não é segredo que os estúdios de distribuição de filmes musicais hoje em dia fazem de tudo para esconder o gênero de seus longas em suas campanhas de marketing (como aconteceu com Coringa: Delírio a Dois).

Em uma conversa recente com Rick Rubin em seu podcast Tetragrammaton, Coppola afirmou que Glimpses From The Moon, que ainda está em pré-produção, teve que ser produzido de forma muito barata: "Não tenho dinheiro porque coloquei tudo o que tinha - e até pedi dinheiro emprestado - em Megalópolis. É praticamente o fim. Talvez volte em 15 ou 20 anos, mas agora não tenho nada. Então, tenho que fazer esse filme de forma bem barata, e é exatamente isso que estou fazendo."

Na esteira das críticas a Megalopolis, Francis Ford Coppola critica o Rotten Tomatoes por tentar “controlar o cinema”: “Eles querem que os filmes sejam como a Coca Cola”

É disso que se trata Glimpses of the Moon

Até agora, pouco se sabe sobre o último trabalho de Francis Ford Coppola. O próprio cineasta descreve-o como o tipo de filme que resultaria se Noël Coward adaptasse o romance homônimo de Edith Wharton na Inglaterra. Por esse motivo, disse Coppola, ele atualmente mora na Inglaterra. Seu longa também encontrou inspiração na distinta comédia de Leo McCarey, Cupido é Moleque Teimoso.

Tanto no trabalho de Wharton quanto no de Coward, o foco está em um casal que se separa amigavelmente, mas descobre que deixar o relacionamento para trás é mais difícil do que o esperado (um clichê típico da excêntrica comédia). Coppola também revelou que seu roteiro é recheado de canções de Noël Coward e que ele queria substituir o "final fraco" do romance por uma nova sequência final.

American Zoetrope

Com todas essas incertezas, ainda não se sabe quando podemos esperar Glimpses of the Moon (embora ele já tenha filmado algumas cenas curtas).

Após a recepção desastrosa de Megalópolis, Coppola agora, mais do que nunca, deve seguir o lema “a necessidade é a mãe da invenção”. Um diretor que domina esse tipo de produção cinematográfica como ninguém é Steven Soderbergh, já que o americano é conhecido por criar um projeto de filme atrás do outro com recursos mínimos.

facebook Tweet
Links relacionados