Como em "Histórias Mínimas" Carlos Sorín decidiu levar às telas um elenco de não-atores para contar uma história simples e bela num canto escondido da Argentina.Com belas imagens e um elenco, que mesmo amador (e talvez por isso) consegue transmitir verdade pelo olhar, o diretor consegue prender e emocionar o espectador do primeiro ao último minuto pelas sutilezas. Deixando sempre claro o confronto entre a realidade econômica argentina e a pureza de seu povo, Sorín conta a história de Juan "Coco" Villegas, um velho mecânico desempregado que mora de favor com a filha e que um dia recebe de presente por um serviço um cachorro, Bombom de La Chien, que mudará sua vida.Mas, ao invés de repetir aventuras de amizades caninas já batidas no cinema americano, Sorín mostra com sensibilidade mudanças verdaeiras, transmite esperança por gestos quase que imperceptíveis. Um ótimo filme, de um cineasta (e de um país) que tem consciência de que é possível criar (e contar) belas histórias em uma situação desfavorável sem se tornar piegas ou apelativo.Sorín e a Argentina dão de goleada no cinema brasileiro ao confirmar que é possível emocionar e expor as vísceras ao mesmo tempo, com simplicidade e beleza.