A chave mestra é um filme de terror/suspense que contou com a direção de Ian Softley e roteiro de Ehren Krueger. Na trama, acompanhamos Caroline (Kate Hudson), que aceita trabalhar como enfermeira para um casal de idosos, no qual o marido Ben (John Hurt) está com uma doença terminal e sua esposa Violet (Gena Rowlands) decide contratar Caroline. Porém, Caroline começa a ter desconfiança das condições reais de Ben por meio a medida que começa a descobrir fatos passados da casa. Temos aqui um roteiro competente para o gênero ao amarrar bem as questões afetivas que faz Caroline ser tao dedicada aos seus pacientes idosos: a compensação por não ter estado próximo do seu pai en seu leito de morte. Isso justifica a sua insistência em ficar na casa e continuar cuidado de Ben, mesmo diante de todas as circunstâncias e é o que move o filme, pois a moça quer a todo custo tirar o velho doente de lá. Aqui tbm tem o mérito de Kate Hudson de nao se limitar a apenas ser um rosto bonito em um filme de terror, mas de encarnar de fato tal personagem e mesmo diante de tudo, ainda torcemos por ela. Fato que enobrece o suspense com tons investigativo do filme. A moça está o tempo todo sendo curiosa e querendo desvendar o que de fato está o ocorrendo na casa. Ótima explicação (embora que genérica) para os contornos mitológicos da trama: entra a questão social do começo do século XX, onde os negros, que trazia suas raízes sofriam intolerância religiosa, pela maioria ser cristão. Direção tbm acerta em distanciar a elementos bizarros e exagerados, evitando esteriótipos sobre o Vodu, colocando como engrenagem do filme. O lance de crer para acontecer é fundamental na trama e vemos a transformação de Caroline, que no começo estava mais próxima ao ateísmo, e passa a de fato crer na crença , ponto de procurar aprender coisas básicas. Legal que o roteiro vai deixando pontas soltas na relação entre Caroline e o casal de idosos e apenas no final da trama é que esses elementos se costuram ( podemos citar como exemplo a questão que Violet faz de contratar uma moça local , das desistências das outras candidatas e dela fazer questão que a cuidadora tenha o mínimo de fé religiosa). O final tem um desfecho diferente das tramas comum do gênero, nos fazendo lamentar pela curiosidade e fé de Caroline. Por outro lado, o roteiro peca em algumas bobagem e alimenta cliches para esse gênero, como as decisões burras de Caroline: como se consegue batizar a bebida de Violet e nao amarra-la para fugir com Ben, pois isso daria tempo para a mesma fugir com calma. No mais, o filme gosta de brincar com dicotomia ( eu/outro ; crer/nao crer) que funcionam bem. É um filme com cara dos sábados a noite.