O trailer é muito melhor que o filme em si.
Se você está aqui atrás de uma recomendação antes de assistir ao filme, já adianto: não faça isso com a sua vida.
Se o seu intuito é um bom filme sobre caçada na Netflix, prefira Copycat ou Beijos que Matam.
Deixo aqui os porquês.
O filme já começa mal quando um casal de alpinistas enfrenta uma tempestade de neve durante uma escalada. Movida por seu egocentrismo infinito, a personagem interpretada pela Charlize Theron insiste que quer chegar ao topo, mas uma avalanche se inicia e ela acaba cometendo um erro fatal, que culmina na morte de seu namorado.
Se a intenção do diretor era fazer com que o fato provocasse a empatia do espectador, o tiro saiu pela culatra, já que o comportamento mesquinho da protagonista desperta um ranço. Além do mais, a construção da super-heroína cai por terra quando o que o espectador vê não é uma mulher forte. Ao contrário, ela é nada inteligente e é muito impulsiva.
A impressão que temos, então, é que o diretor se deu conta desses erros e resolveu que a personagem precisaria de uma redenção, porque ela não gera simpatia o suficiente para torcermos por ela contra um caçador e assassino em série ao mesmo tempo que ela precisa ser a "Mulher Maravilha" do filme. O jeito que o diretor arrumou de resolver esses problemas foi colocando-a em situações de fragilidade sistemática que qualquer mulher sofre todo santo dia.
A partir daí, vemos uma sucessão de decisões ruins da personagem, como entrar sozinha em uma floresta famosa por uma onda de desaparecimentos de pessoas sem pistas. Ainda, a única pessoa em quem ela demonstra alguma confiança será, logo, seu algoz.
Pessoalmente, eu torci até o final por uma reviravolta, algo que fizesse valer a pena 1h37m que desperdicei na minha vida. Mas nada. Entre muitos caminhos que o roteiro poderia seguir para deixar bom o filme, preferiram ir na linha que já estava traçada desde o primeiro minuto e que já anunciava um desastre.
Se você leu até aqui e ainda assim quer assistir ao filme, faça sabendo que as únicas coisas elogiáveis na obra são as atuações irretocáveis da Charlize Theron e do Taron Egerton e a fotografia, valorizada por um cenário encantador de vales, florestas e cachoeiras. Mas nem isso é o suficiente para eu chegar pelo menos na nota 1. Se tivesse como atribuir nota negativa, ainda seria muito.