Entretenimento nada verde
por Lucas SalgadoQuando o projeto de O Besouro Verde foi anunciado com Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças) na direção e Seth Rogen (Segurando as Pontas) como protagonista muito questionaram se estes nomes seriam de fato capazes de transportar o herói para a telonas. Confesso que compartilhava esta dúvida, uma vez que Gondry se destacou em Hollywood a partir de filmes autorais e que Rogen era basicamente um comediante para um tipo de filme.
Fico feliz em admitir que estava errado. O Besouro Verde é um filme extremamente divertido e que cumpre bem sua função de introduzir o personagem ao mundo da sétima arte.
Apesar da história do herói ter surgido primeiramente no rádio, através de série criada em 1936, a grande referência do longa é o seriado para a TV de 1966 estrelado por Bruce Lee (Detetive Marlowe em Ação). O ator, inclusive, recebe uma homenagem do novo filme ao aparecer em desenhos de Kato.
Filho do magnata da mídia mais importante de Los Angeles, Britt Reid (Rogen) vive uma vida de farras até que recebe a notícia da repentina morte de seu pai (Tom Wilkinson). Com a responsabilidade de comandar um vasto império, Reid inicia uma amizade com Kato (Jay Chou), um dos funcionários mais dedicados de seu pai.
Kato se revela um mestre das invenções e passa a criar uma série de utensílios mirabolantes para o novo patrão. Após acabarem no meio de uma briga de rua, os dois veem que existe o potencial para ajudarem a sociedade combatendo o crime.
O desenvolvimento do personagem é bem feito e promete agradar o público, principalmente pelo fato de investir pesado em seu lado cômico. O Besouro Verde, inclusive, está muito mais para uma comédia do que para uma ação de super-heróis. Diante disso, cabe ao espectador pegar o refrigerante e a pipoca e acompanhar este filme sem maiores preocupações.
Um dos destaques do mundo do humor em Hollywood, Seth Rogen não compromete no papel do personagem-título, mas também não vai além do que viver "Seth Rogen interpretando o Besouro Verde", ou seja, o ator mantém sempre a sua cara cômica padrão.
Sempre lembrado como o Coronel Hans Lauda de Bastardos Inglórios (filme que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante), Christoph Waltz é um dos destaques da produção. Seu vilão Chudnofsky diverte e diverte muito, principalmente em razão da insegurança demonstrada e a vontade de provar que ainda é o maioral.
Cameron Diaz, Edward Furlong e Edward James Olmos completam o elenco da produção, que conta ainda com uma pequena ponta de James Franco (127 Horas).
O longa metragem possui direção de fotografia e edição apenas convencionais, e tem como maior defeito o uso do 3D. O diretor foi forçado a adotar o formato após o sucesso de filmes como Avatar e Alice no País das Maravilhas. Não muito satisfeita com o andamento da produção, a Sony Pictures teria exigido a utilização do 3D para impedir um fracasso nas bilheterias. Mas mais do que o resultado na venda de ingressos, o que importa para os cinéfilos é o resultado na qualidade da imagem, que aqui acabou um pouco prejudicada.
Com uma ótima trilha sonora, que vai de Beethoven à Rolling Stones passando por Johnny Cash e The White Stripes, The Green Hornet (no original) é um filme despretensioso e por isso funciona. Mas não vá esperando muito além do que um bom entretenimento.