Milhões de palavras
por Roberto CunhaQual é o futuro da humanidade? Antes que você pense que está prestes a ler um texto "ecochato", é importante frisar que um dos diferenciais deste longa é a quase ausência de um discurso panfletário tão comum em produções do tipo. Embora o filme até tenha no seu início a tradicional figura do narrador, o que se vê logo em seguida é o roteiro abandonar os humanos para se dedicar aos animais e revelar, com nitidez e som impressionantes, sequencias incríveis devidamente ilustradas por uma trilha sonora em total harmonia.
Por mais que seja impossível não pensar nos inúmeros programas sobre o tema como o saudoso "Mundo Animal" dos anos 70 ou até mesmo os mais atuais exibidos e até produzidos por canais de televisão, uma diferença que precisa ser salientada, embora evidente, está no tamanho da tela e nas imagens que beiram o surreal. Em alguns momentos, por exemplo, o espectador poderá se sentir "irracional" ou até diante de uma animação. Neste segundo título do selo Disney Nature (o primeiro foi Terra), existem algumas cenas fortes, algo meio que inevitável. Algumas são protagonizadas pelos animais e outras com o auxílio nada luxuoso do bicho homem. E é muito interessante ver claramente nesses momentos, como o implacável ataque das aves, dos simpáticos golfinhos ou da temível orca, que a fúria da natureza é infinitamente mais forte, porém, menos bestial do que a dos humanos.
Sendo assim, prepare-se, de verdade, para ver cenas de grande impacto, independente de suas convicções ecológicas porque Oceanos é, antes de tudo, um espetáculo visual e sonoro que o poderá levar numa viagem por mares nunca dantes mergulhados. Perto de ser perfeito sob vários aspectos, seu pior defeito foi ser mais longo do que deveria. Com isso, perdeu ritmo e o roteiro se deixou invadir novamente pelo homem e as indefectíveis indagações ecologicamente corretas. De qualquer forma, o resultado final não ficou comprometido e não fosse esse detalhe, teria conseguido provar de uma vez por todas que uma imagem – realmente - vale mais do que mil palavras. E várias delas, valem por milhões.