Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno
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Adriano Silva
Adriano Silva

1.615 seguidores 485 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 12 de julho de 2026
 ⚠ TEM SPOILERS DO FILME E DO JOGO ⚠ 

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill) 2026

"Return to Silent Hill" é escrito e dirigido por Christophe Gans (diretor e roteirista do excelente "O Pacto dos Lobos", de 2001) com roteiro de Sandra Vo-Anh (roteirista de "A Bela e Fera, de 2014) e Will Schneider (roteirista de "O Corvo", de 2024). O longa-metragem é baseado e inspirado no jogo de videogame da Konami de 2001, "Silent Hill 2", e segue como o terceiro filme da franquia "Silent Hill" e ainda pode ser considerado como um reboot. O filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem atormentado e consumido pelo luto após a perda do seu grande amor, Mary (Hannah Emily Anderson). Ao receber uma carta misteriosa dela, ele retorna à enevoada cidade de Silent Hill. Lá, o que antes parecia ser uma cidade familiar, agora o obriga a encarar e enfrentar forças demoníacas, o que acaba por desvendar verdades aterrorizantes e uma verdadeira luta para manter a sua sanidade.

Antes de mais nada eu preciso contextualizar que eu sou uma pessoa completamente viciada em videogames desde os meus 10 anos de idade. Dito isto, "Silent Hill" é uma das minhas franquias de jogos da vida, o que obviamente fez eu conhecer e entender tudo do universo "Silent Hill" e consequentemente já ter jogado e terminado todos os títulos da franquia existentes até hoje. Eu joguei e terminei o "Silent Hill 2" no Playstation 2 algumas vezes, assim como terminei a versão do Xbox 360 de "Silent Hill HD Collection", que inclui uma versão do "Silent Hill 2", e no ano passado eu terminei o mais recente e excelente Remake oficial no Playstation 5.

Quando foi lançado "Terror em Silent Hill" lá em 2006, eu fiquei em êxtase para conferir o que até então era o primeiro filme da minha amada série de jogos (me lembro de ter assistido exatamente no dia da sua estreia, 18 de Agosto de 2006). Este primeiro filme é dirigido justamente pelo próprio Christophe Gans, e na época eu adorei o filme. "Terror em Silent Hill" é baseado no primeiro jogo, lançado em 1999, e na minha opinião é um bom filme que traz uma adaptação bastante fiel até. O maior problema do filme é a mistura de personagens e acontecimentos que o diretor decide fazer, o que acaba mudando algumas partes da história original do jogo. Mas por outro lado temos bastante fidelidade nos personagens, nos cenários, no clima e na trilha sonora original. Já em 2012 tivemos "Silent Hill: Revelação", dessa vez dirigido por . Bassett, que adapta de forma muito vaga algumas partes do enredo de "Silent Hill 3", lançado em 2003. Este filme já apresenta muitos problemas em relação ao roteiro adaptado, personagens, acontecimentos e principalmente mudanças significativas na história em relação ao jogo.

Após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna com "Return to Silent Hill" que traz uma adaptação justamente do segundo jogo da franquia que ainda não tinha sido adaptado. Como recentemente eu joguei o "Silent Hill HD Collection" e o Remake, então toda a história de "Silent Hill 2" está bastante fresca em minha memória, ou seja este era o momento exato para assistir "Return to Silent Hill".

Como um fã do segundo jogo eu gostei daquele cenário inicial, pois é exatamente o mesmo cenário do jogo, com o James andando no local, indo até o banheiro desativado e se olhando no espelho. Logo após o James desce a escadaria e chega até o cemitério, onde ele encontra a Angela (Hannah Emily Anderson). Logo após a conversa com a Angela ele segue andando e chega na cidade de Silent Hill, tudo bastante fiel ao jogo. Já por outro lado aquele flashback inicial do James chegando no local, conhecendo a Mary, e toda a sequência a partir dali não faz o menor sentindo. Ou seja, já no início do filme o diretor e roteiristas já mostraram o que pretendiam fazer com a história do jogo.

Os detalhes técnicos e artísticos do filme fazem toda a diferença e conta muito para a fidelidade da adaptação, como no caso dos cenários da cidade de Silent Hill, como as ruas, as lojas, o bar, o parque, o cemitério e o hospital, que estão perfeitos. Os cenários do filme mostra uma inspiração mais próxima do Remake oficial do que propriamente do jogo original. Outro ponto que conta muito para o desenvolvimento do filme é todo clima sombrio e macabro do jogo que está presente, assim como a famigerada névoa das ruas de Silent Hill e também às cinzas do incêndio. A fotografia é sensacional, pois ela dita o ritmo do filme com aqueles enquadramentos nos cenários com um tom mais morto, denso, borrado e acinzentado.

Christophe Gans transforma seu filme em um verdadeiro "Fan service", pois fora os cenários, o clima e a ambientação, temos a emblemática "Sirene", o James andando pelas ruas de Silent Hill com a barra de ferro e o icônico rádio que transmite interferências com a aproximação dos inimigos. Por outro lado em nenhum momento temos cenas com armas de fogo como no jogo. Por falar em inimigos, as famosas criaturas de Silent Hill estão presentes e são muito fiéis ao jogo, como no caso do "Sem braço" cuspindo ácido, o "Spider Mannequin", as "Enfermeiras", o Boss "Flesh lip" e o lendário "Pyramid Head". Em questão de personagens do jogo eles estão presentes, assim como o próprio James e a Mary, temos a Angela, a Maria, a Laura e o Eddie. Por outro lado temos alguns personagens insignificantes que não estão presentes no jogo.

Outro ponto bastante positivo no filme é a presença do lendário compositor Akira Yamaoka, que compôs a trilha sonora da grande maioria dos jogos da série "Silent Hill", incluindo a lendária música tema do jogo. Algumas músicas do jogo original foram usadas como música temporária durante a edição, inclusive o filme termina com uma icônica música do jogo.

No quesito técnico e artístico o diretor Christophe Gans consegue manter toda essência e toda a fidelidade do jogo "Silent Hill 2", já no quesito roteiro ele faz exatamente o que ele fez no filme de 2006, muda algumas partes da história original e coloca a sua visão em relação ao enredo do jogo. No filme o James consegue realizar ligações para sua psicanalista, sim ele tem uma psicanalista no filme, o que eu achei absurdo, mas ok, eu tinha certeza que o diretor iria querer colocar atitudes que humanizasse mais o James do filme em relação ao James do jogo. O jogo "Silent Hill 2" possui um terror psicológico sobrenatural que traz um foco no luto, no remorso e na culpa pessoal do James como uma manifestação psicológica dos traumas reprimidos dele em relação a sua atitude perante a sua amada Mary. Já no filme temos elementos que introduz uma espécie de seita como a responsável por todos os acontecimentos, e ainda colocando o pai da Mary como o grande mentor por trás desse culto satânico enquanto ainda estava vivo.

O remake de "Silent Hill 2" possui 8 finais, já no jogo clássico temos 6 finais. No final "In Water" mostra toda a dor e todo o sofrimento do James devido a doença terminal da Mary, o que mostra que a Mary não morreu no hospital pela sua doença mas sim pelas mãos do próprio James, que se viu incapaz de ver a sua amada sofrer e agindo por misericórdia, por frustração e exaustão ele a mata (como uma eutanásia) sufocando com um travesseiro. Movido pela dor da perda, pelo trauma e pelo luto, James decide tirar sua própria vida se afogando no lago Toluca ao lado do corpo da sua amada. Este é o peso emocional e espiritual do James no jogo, já no filme temos uma espécie de redenção, de humanização do James em relação a sua esposa, algo como se ele tivesse apenas deixado ela ir resolver seus problemas em Silent Hill. Esta é a forma que o filme apresenta a Mary, como uma espécie de vítima daquela seita, uma vez que no jogo temos a figura da Mary como frágil e vulnerável, que sofreu e morreu por causa da sua doença. No filme até temos a cena em que o James mata a Mary asfixiada e depois se joga com o carro com o corpo dela no lago Toluca, mas tudo é feito de forma leve, rasa, genérica, sem aquele peso e aquela dor, algo como apenas uma obrigação.

O jogo "Silent Hill 2" é emblemático justamente por apresentar uma gameplay acompanhada de um ritmo lento, mórbido, introspectivo, onde convivemos com a solidão, o mistério e principalmente o terror psicológico. Já no filme o que temos é uma narrativa autoexplicativa que de cara já entrega absolutamente tudo, sem deixar o espectador ser forçado a entender e juntar as peças desse quebra-cabeça justamente como acontece no jogo. O Maior erro dessa adaptação é justamente trazer um foco maior na humanização dos personagens, como se precisássemos se identificar com o casal para assim conseguir sentir a dor de ambos e se importar com eles. Eu preciso ressaltar aqui que estamos falando da adaptação de uma das maiores franquias do "Survival Horror" da história dos videogames e não de um filme romântico qualquer. E digo isso justamente pelo caminho que o roteiro seguiu ao decidir trazer o foco maior em um melodrama romântico sem o menor cabimento possível. Temos algumas cenas entre o James e a Mary que é um verdadeiro melodrama barato que supera qualquer novela mexicana - é um absurdo!

O que decidiram fazer com a Mary soa ainda mais absurdo quando ela passa a agir como vítima daquela seita, onde a própria afirma para o James que eles eram a sua família porque a acolheram após a morte de seu pai. E o pior ainda é a forma como o roteiro coloca os personagens coadjuvantes como uma espécie de extensão da Mary, como no caso da Laura e da Angela, algo completamente absurdo em relação ao jogo.
A jovem atriz Evie Templeton, que já havia dublado a personagem Laura no remake de 2024, agora interpreta a mesma personagem no filme. No jogo a Laura é uma criança rebelde órfã que sempre age fazendo suas artes com o James. Já no filme ela é tratada como uma espécie de criatura, ou entidade, que serve como uma manifestação de pesadelo controlada pela cidade de Silent Hill - bizarro!
A personagem Angela no jogo é uma jovem que foi para Silent Hill procurar sua mãe desaparecida, mas depois descobrimos que ela fugiu de casa por sofrer abusos sexuais e apresentar tendências suicidas. No filme ela nada mais é do que uma extensão dos sofrimentos da Mary, ou seja, ela perde a sua história pessoal do jogo para se tornar um representação dos abusos e sofrimentos da própria Mary.
O mesmo vale para a personagem Maria, que no jogo ela é uma manifestação sobrenatural criada por Silent Hill na mente do James, onde ele baseia os seus desejos mais carnais sobre Mary, ou seja a Maria é a figura da Mary viva mais sexy e atraente para o James. Já no filme a Mary e a Maria são essencialmente a mesma pessoa mas com a mudança que ela agora é ligada a tal seita. Pelo menos o figurino da Maria no filme é bem fiel ao figurino da Maria do Remake. E vale ressaltar que a atriz Hannah Emily Anderson interpreta a personagem Mary, a Maria e a Angela, o que eu achei uma decisão bem grotesca, a começar pela figura da própria Mary e Maria, que de cara já entrega tudo e meio que retira o peso daquela virada na trama pra quem já conhece história. Ou não também, a essa altura tanto faz!

Agora o que fizeram com o personagem Eddie Dombrowski (Pearse Egan) é o maior absurdo desse filme, algo completamente inaceitável e repudiante para nós fãs. No jogo Eddie é uma pessoa complexa, traumática, com sérios problemas psicológicos, que sofreu traumas e bullying pela sua aparência e seu peso, e com o passar do tempo ele vai perdendo a sua sanidade e se transforma em um assassino que mata todo mundo que rir dele. Tanto é que no jogo o Eddie serve como uma espécie de espelho obscuro do próprio James, ele tem um arco pessoal muito importante para o desenvolvimento da história, sendo um antagonista e se transformando em um dos Boss final do jogo. Já no filme o Eddie aparece unicamente como uma obrigação do roteiro para que os fãs do jogo vissem que ele estava presente na trama. Ou seja, o Eddie no filme tem um tempo de tela ridículo, está completamente perdido na trama, nem chega a confrontar o James como faz diversas vezes no jogo, apenas se mostra como um personagem assustado pelas criaturas e do nada é limado completamente da história e nunca mais aparece - absurdo! - Grotesco!

"Return to Silent Hill" tem sérios problemas com o CGI, isso é muito perceptível em várias cenas. Inclusive aquela barba que colocaram no Jeremy Irvine chega a dar vergonha alheia do quanto ficou ridículo. No entanto, aos trancos e barrancos, o Longa-metragem conseguiu superar o seu orçamento de US$ 23 milhões atingindo uma bilheteria mundial de US$ 47,9 milhões. O que não é assim considerado um grande resultado financeiro em relação a sua receita inicial nos dias de hoje.

No mais, após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna para a franquia "Silent Hill" trazendo um filme que para quem é fã do jogo poderá se agradar nos quesitos técnicos como cenários, personagens, criaturas lendárias, ambientação, clima, fotografia e trilha sonora, que de fato estão muito fiéis ao jogo, isso é inegável. Porém, no quesito enredo e fidelidade com a essência da história já eternizada no jogo, este filme chega a ser um insulto e um completo desrespeito para com o universo de "Silent Hill 2".

- 11/07/2026
Isla Cardoso
Isla Cardoso

1 crítica Seguir usuário

1,0
Enviada em 15 de maio de 2026
o primeiro não precisava esta vinculado com um filme tão ruim assim. não recomendo gastei meu tempo com isso
Carlos Negri
Carlos Negri

1 crítica Seguir usuário

1,0
Enviada em 12 de maio de 2026
O péssimo filme não faz nada bem, não é fiel a história do game, e não tem pé nem cabeça fora do contexto. Pura perda de tempo.
joilson silva
joilson silva

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 7 de maio de 2026
Não vale nem uma estrela,completamente fora do foco sobre o jogo,perda de tempo assistir esse filme,os antigos ainda são bem melhores que esse.
Kamya
Kamya

10 seguidores 125 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 7 de maio de 2026
O filme é bem fiel ao jogo, e isso me agradou muito.
O problema é que ele depende demais de computação gráfica parece 90% CG e só 10% filmagem real.
Isso desapontou muito e tirou bastante a atmosfera, já que não há muito terror de verdade, apenas algumas mortes.

Como drama/romance, funciona bem, mas para quem nunca jogou os games provavelmente vai ficar perdido e não vai curtir. (o que explica vários comentários negativos)
Já para os fãs dos jogos, é uma adaptação legal, ainda mais porque traz minha história favorita da franquia e consegue resolver várias pontas soltas.

Não tem ligação direta com os primeiros filmes, assim como acontece nos jogos.
Eu gostaria que tivessem mantido a pegada sombria do primeiro filme junto com a história desse, seria perfeito e assustador.

No fim, eu gostei.
Não é um filme para todos, pode ser um pouco cansativo e sem emoção, mas também não é ruim.
Para quem é fã, vale a pena assistir.... mas para quem não curte o gênero, melhor nem perder tempo.
Parlon Knust
Parlon Knust

5 críticas Seguir usuário

1,5
Enviada em 28 de abril de 2026
Enquanto o primeiro foi maravilhoso, o segundo é fraco demais. Decepção para os fans. Esperando uma reviravolta para o próximo filme
Felipe Mendes Medrado
Felipe Mendes Medrado

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 20 de abril de 2026
O Filme É muito bem Construído, a Arte e a Trilha Sonora São Impecáveis, e fiquei bastante Emocionado com o Rumo do Filme.
WagnerSantos
WagnerSantos

8 seguidores 119 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 19 de abril de 2026
Sofrível e esquecível. Com atuações medianas e efeitos de quinta, o filme não consegue manter aquilo que se propõe: uma fiel adaptação de um jogo para um filme de terror. Os personagens não são bem desenvolvidos e o CGI está evidente em diversas cenas. Alguns dos efeitos são tão primários que passam vergonha alheia. A única qualidade do filme é o seu visual sombrio e soturno, que é fiel ao jogo.
Caiq
Caiq

4 críticas Seguir usuário

1,0
Enviada em 21 de março de 2026
filme feio, não tem sentido pra quem não conhece a lore de silent hill, cgi tenebroso demais, o james parece que fica teleportando pela cidade, os caras só foram nos cenários mais memoráveis dos jogos, e foi tentando jogar, o james NÃO TEM MOTIVO pra sentir culpa, e isso foi o que mais me incomodou. Ele aparecendo de barba, não deu não kkkkkkkkkkkkkkk ri demais, filme terrível terrível terrível.
Myn
Myn

26 seguidores 274 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 26 de maio de 2026
Vi no cinema, e confesso que esperava bem mais. Não superou o primeiro filme e depois fiquei sabendo que a história se baseou em um dos jogos. A atuação dos atores também foi bem mediana e alguns momentos me deu um sono.
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