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4,5
Enviada em 25 de março de 2020
Um dos maiores clássicos da história do cinema, os Brutos Também Amam é um excelente faroeste que consegue ser ao mesmo tempo tenso e cativante. É a história do misterioso pistoleiro Shane que chega a uma colônia de fazendeiros perdida no meio de um vale no estado do Alabama e lá é acolhido pelo fazendeiro Starret e sua família, costituída pela bela esposa Mirian e seu único filho, Little Joe. Assim como os demais fazendeiros da região, Starret enfrenta os abusos do conflituoso Ryker, outro fazendeiro que busca expulsar os demais colonos de suas terras e para isso conta com a ajuda de seus comparsas e um famoso pistoleiro vindo de fora. Shane, motivado pela amizade e o amor que sente pela família, decide tomar para si a terrível e inevitável luta que se anuncia. Mais do que um simples faroeste que diverte, o filme conta uma história que busca também ser uma lição de vida. Além da luta contra os vilões, o herói Shane precisa ainda resolver seus dilemas morais. Como deixar de ser um assassino num mundo onde a justiça só pode ser atingida através da força e onde sua própria vida muitas vezes depende da rapidez no gatilho? Se por um lado ele é honrado, honesto e de bom coração, por outro, ele é um pistoleiro que carrega o karma de ter que matar pela própria vida e por seus ideais. Ao contrário do que sugere o título traduzido, não se trata de uma história de amor entre um homem e uma mulher. O amor de Shane é por toda família, e talvez mais ainda pelo garoto. A família de Starret parece representar para Shane o ideal de vida em família, feliz e pacata que ele jamais alcançará, pois é um assassino cuja alma estará para sempre manchada por seus crimes e pecados. O caminho que ele escolheu é sem volta. E essa é a grande moral da história, como fica evidenciado ao final, no diálogo entre Shane e Little Joe :
"Joe, não existe uma vida para quem já matou. É um caminho sem volta."
George Stevens é um dos maiores cineastas da história do cinema. Dono de um estilo irretocável e reconhecível, o diretor invariavelmente utilizava-se de narrativas simples a fim de desenvolver temas universais e de caráter abrangente, auxiliado ainda por personagens complexos e fascinantes, sendo um desses personagens o inesquecível Shane, interpretado pelo ótimo Alan Ladd no filme homônimo dirigido por Stevens e que aqui no Brasil ganhou a horrorosa e simplista tradução Os Brutos Também Amam, optando, neste sentido, em focar na subliminar relação de Shane com Marian (Jean Arthur), quando na verdade o filme tinha muito mais do que isso para oferecer.
Abrindo seu filme num plano magnífico onde o protagonista surge de costas enquanto desce uma montanha (e que, obviamente mostra ao fundo uma belíssima paisagem) só para em seguida o vermos diminuto enquanto o mesmo atravessa um vale, o filme conta a história do desconhecido Shane que, ao ser recebido pelo rancheiro Joe Starrett (Van Heflin), aceita trabalhar para o rancheiro, ao mesmo tempo em que fica sabendo do iminente conflito entre Starrett e do fazendeiro Riker (Emile Meyer), que vem há tempos aterrorizando os colonos da região (incluindo Starrett) a fim de que estes saiam de suas terras para o fazendeiro ocupar. Assim, optando por adotar uma postura observadora diante deste conflito, Shane é também o típico “herói sem passado” que tantos faroestes abordaram, mas que nas mãos de George Stevens ganha uma profundidade psicológica fabulosa que vai revelando aos poucos o caráter de seu protagonista, na medida em que a narrativa avança... (LEIA O RESTANTE DO TEXTO NO LINK ABAIXO!)
Um western totalmente brilhante, Mostra a luta do bem contra o mal, onde um pistoleiro com um só nome "Shane" que luta bravamente para ajudar os oprimidos de um malfeitor, jamais esquecerei da fotografia e a parte final em que Shane some vagarosamente nas montanhas e o garoto que o considera um grande herói, gritando: shane volte, shane volte,shane volte.
Embora não goste deste gênero de filme, tenho que reconhecer a excelente qualidade do mesmo. Achei-o perfeito, certamente uma obra-prima. São magistrais as atuações de Alan Ladd (Shane), Van Heflin (Joe Starrett) e Brandon De Wilde (Joey Starrett), este último, com pouco mais de 10 anos de idade, indicado ao oscar de ator coadjuvante, mas que perdeu a estatueta para Frank Sinatra (A um passo da eternidade), numa disputa certamente de difícil escolha por parte dos votantes da acedemia. Só não entendi a indicação de Jack Palance ao oscar de coadjuvante, numa interpretação pequena, de poucos diálogos, quase monossilábicos.
Muito bom filme. "Os Brutos Também Amam" pode ser dividido em três atos bem distintos. O primeiro, com a chegada de Shane e sua apresentação aos moradores do local, é excelente. O carisma de Alan Ladd impressiona e sua relação com o pequeno Joey cria uma imediata simpatia com o público. No segundo ato Shane sai um pouco de cena para que Joe Garrett ganhe os holofotes principais da trama. O filme consegue se manter interessante, mas perde bastante em qualidade em relação à parte inicial. Já o terceiro ato é quando a trama do filme já está para ser resolvida e Shane retorna como principal personagem. Aqui, mais uma vez, o relacionamento dele com Joey emociona e o filme cresce bastante.
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