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    Milagre na Cela 7
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Milagre na Cela 7

    Emoção à flor da pele

    por Barbara Demerov

    É difícil afirmar que Milagre na Cela 7 não gera comoção. Talvez o mais correto a se dizer é que este drama apresenta tudo em graus extremamente elevados, incluindo a sentimentalidade. Afinal, ela vem de seu protagonista, sua filha e todos aqueles que o cercam na pacata cidade turca onde vive. A carga dramática também está na trilha-sonora sempre presente, no uso da câmera que utiliza muitos planos em câmera lenta e nas cores vivas ao ar livre ou em ambientes fechados. A emoção que o filme quer trazer está sempre ali, à espreita, esperando para alcançar o espectador. Porém, não é isso o que acaba acontecendo.

    A questão que impossibilita Milagre na Cela 7 de se tornar um filme verdadeiramente emocionante é essa: ele busca se encaixar neste perfil a todo o momento e insere todos os tipos de clichês (alguns já citados) para atingir a tentativa. Enquanto isso, o roteiro nunca se aprofunda na história de Memo (Aras Bulut Iynemli), um homem que sofre de problemas mentais e que apenas quer ficar ao lado da filha. Para a história se desenrolar, basta sabermos que, ao contrário do que alguns acham, ele é inocente e não teve absolutamente nenhuma culpa com relação à morte de uma garota da comunidade. Mas, a fim de construir o conflito, essa garota acaba por ser filha de um rigoroso general que apenas deseja vingança.

    Roteiro prioriza a emoção a qualquer custo


    Apoiando-se em situações e cenários convenientes demais para que sintamos dó de Memo o tempo todo, o longa de Mehmet Ada Öztekin peca por não saber como se afastar de um tom infeliz que vai perdendo sua força ao longo do tempo. Na prisão, é bonito ver como os companheiros de cela de Memo se compadecem com sua história e a pouca capacidade de se defender, mas todas as cenas tornam-se repetitivas a partir do ponto em que todos ali passam a querer ajudá-lo. Todos aqueles homens, assim como o protagonista, carecem de um desenvolvimento menos artificial e acabam por se abreviar em estereótipos comuns, por mais consistentes que sejam suas atuações - em especial a de Aras Bulut Iynemli na pele de Memo.

    A narrativa de Milagre na Cela 7 vagueia entre o conforto de se sustentar na figura de Memo, que cativa sem muitas dificuldades, e a bondade de absolutamente todos ao seu redor (exceto pelo general, o grande vilão). Essa escolha não é incômoda, mas simultaneamente prejudica uma imersão mais profunda na mente daquele homem. O amor que Memo sente pela filha Ova (Nisa Sofiya Aksongur) é belíssimo de se contemplar, mas pouco sabemos sobre como ele a criou ou como era a relação de ambos quando a menina era mais nova. O carinho que vemos em tela mais se parece com um sentimento de irmãos, não de pai e filha.



    Por isso, a perspectiva que temos durante o filme é aquela que prioriza a visão dos personagens para com Memo, e não a de Memo para com o mundo. Isso pode parecer pouco, mas é importante e faria extrema diferença caso víssemos o contrário - por exemplo, numa relação paternal melhor estruturada. Milagre na Cela 7 é, sim, um filme que toca em temas sensíveis e humanos: a intolerância com pessoas que são diferentes, a dificuldade em ouvir o outro e, também, a capacidade de evolução do ser humano para alcançar o auto-perdão. Porém, por se prender às saídas mais fáceis e soluções convenientes, o filme perde força enquanto cinema para entregar uma mensagem de superação no final já conhecida por todos.

    Comentários

    • rlsilva2011
      Que critica pessima! Mais cliche impossivel, as vezes tenho a sensação que os criticos falam esse tipo de aberração num filme (que tem 95% de aprovação do publico no google), só pra chamar a atenção. Que preguiça. Filme é bom de maisss!
    • Nando B.
      bebeu vodka pura?
    • Larissa Silva de Brito
      Acho que você não perde tempo assistindo filme só gosta mesmo de fazer comentários negativos sem ver uma produção. Se acha um membro da Academy Awards mas não é nem (e está longe de ser até) da ABRACCINE! Quem és tu na fila do CINEMARK?!
    • Larissa Silva de Brito
      Acho que a Mamis dele cortou o cartão e ele tá sem, Já Ofereci minha conta pra ele, assim ele pode assistir e fazer uma crítica boa ao Nível Al.Hitch. Ou então, ele pagar o MUBI, lá só tem filmes consagrados. Mas acho que ele não perde tempo assistindo filme só gosta mesmo de fazer comentários negativos sem ver uma produção. Se acha um membro da Academy Awards mas não é e está longe de ser até da ABRACCINE! Quem és tu na fila do CINEMARK?!
    • Larissa Silva de Brito
      Acredito que rolou um Ctrl+C Ctrl+V aqui...
    • Larissa Silva de Brito
      O filme perde força enquanto cinema para entregar uma mensagem de superação já conhecida por todos. Como assim, fi!?? Você assistiu mesmo o Filme?!! O filme tem uma duração de 2h:12min e em nenhum momento fica enjoativo, cansativo ou dá sono, É um filme que te prende à atenção, que sim, faz usos de clichês mas que em nenhum momento você se cansa por isso. E se o longa de Mehmet Ada Öztekin peca por não saber como se afastar de um tom infeliz que vai perdendo sua força ao longo do tempo. (Coisa que não acontece), você peca MUITO FEIO em fazer uma crítica sem ter assistido o filme completo, e sim só algumas partes por isso perdeu bons pontos de ligação de uma cena e outra, por assista novamente e se retrate, pois 2,5 nesse filme e 3,5 em A FREIRA, não tá feio, TÁ RIDÍCULO, sério!!! Pois esse filme ESTÁ NO MESMO NÍVEL DE À ESPERA DE UM MILAGRE.
    • Larissa Silva de Brito
      Eu entendi a Referência kkkkkkkkk
    • Larissa Silva de Brito
      Eu acho que quem fez essa crítica não assistiu o filme todo, porque se tivesse assim o feito teria percebido várias coisas que ele questiona na crítica, acho que ele foi pulando algumas partes do filme, pois ele está no mesmo patamar de A Espera De Um Milagre.
    • Clovis Duarte
      Temos que respeitar as críticas de quem não gostou desse excelente filme, todos tem seus defeitos e absurdos, mas, porque uma estoria tão linda tem críticas tão severas, talvez pelos corações de pedras de algumas pessoas. Achei excelente, atores fantásticos, até mesmo os amigos da cela 7, fiquei emocionado com as atuações.
    • Sueli Alves
      Amei o filme, do começo ao fim. Há alguns clichês, mas isso não estraga a beleza das personagens principais. Filme tocante e que vale a pena assistir, sim. Recomendo.
    • Rossi Patricia
      Bravo!
    • Rossi Patricia
      Ora Ora, o elitista mais uma vez. Certamente esse entendedor deve pegar os filmes direto com os diretores.
    • Rossi Patricia
      Exceto com os indicados ao Oscar.... Ora ora, temos um elitista aqui dizendo que a Netflix baratona torna viável o entretenimento para os mais pobres. Você assiste de onde? Do tapete vermelho? Pensando bem, tapete vermelho não deve ser sua cor preferida.
    • Rossi Patricia
      Uma Mente Brilhante, Reine Sobre Mim, Lembranças... quer um filme que fica mexendo com as questões psicológicas/ sociais, assiste um desses. Milagre na Cela 7 é um dramalhão sim, ótimo para dar aquela aquecida no coração, soltar umas lágrimas e ficar feliz no final. Não é porque se trata de um deficiente intelectual que precisa forçar a barra e mostrar as dificuldades dele o tempo todo. Eu trabalhei como supervisora de DOIS deficientes intelectuais e ambos tinham filhos. U, deles, inclusive, brigava na justiça pelo direito de poder ver a filha, coisa que era negada a ele pela familia da ex namorada que também é DI. Eles trabalham e pagam pensões para seus e os vêem conforme decisão judicial. Nem tudo precisa ter apelos de profunda reflexão, caro ADORO CINEMA. E não é porque se passa na Turquia que precisa ser um filme de torturas e tiroteios. O covarde foi morto e o cara que queria vingança foi enganado. Isso foi sensacional. O filme é ÓTIMO! e Quem não gostou porque não tem critica social/ politica/ blá bláblá, assiste outro!
    • Bemildo Ferreira
      Não é um general mas isso pouco importa na crítica. Ela só não é precisa. Mas ao falar O carinho que vemos em tela mais se parece com um sentimento de irmãos, não de pai e filha ela deixa a pequena imprecisão de lado. Em certo momento, a avó, ao conversar com a menina, diz a ela que o pai tem a idade dela. Sendo assim, você verá dois amiguinhos com alguns momentos de lucidez do personagem principal no autoentendimento de ser pai e também no entendimento de ser marido/ ser reprodutor. Aí é questão clínica pertinente à mente limítrofe que o filme não visa abordar . Mas você não percebeu isso e mandou uma crítica estranha, desculpe.
    • Thiago Campos
      O original sul-coreano é ridículo. Uma comédia pastelão com um final 100x pior que o Turco.
    • Thiago Campos
      o filme não se aprofunda nas histórias dos personagens, como chegou lá, como criou a filha, etc...é um filme, né greys anatomy com 60 temporadas não... típica critica do contra.Ah, se falarem o original sul-coreano é melhor, não acreditem, não caiam nessa. O original é MUITO pior. Bem ruim. Uma comédia pastelão. Uma sitcom tenebrosa com um final bem ruim.
    • thiago
      Super bacana, recomendo. A história é de fato emocionante, clichê em certos pontos, mas com um tom emocional que da prazer em assistir, de fato em muitos momentos o clichê é muito evidente, mas um clichê bem contado da vontade de assistir. O roteiro podia ser mais desenvolvido sobre o passado e o futuro dos personagens principais, da uma certa agonia de não saber informações sobre, mas eu acho que isso não impede de ser um bom filme, vale a pena assistir.
    • Trigo Nébias
      Gosto de filmes que contenham uma contação de história. Do tipo que você começa a ver e fica ali, etertido, gostando de estar ali depositando seu precioso tempo, para no fim dizer: - poxa! Valeu a pena.... Então posso dizer que este filme é bom. Quanto a parte técnica dita como falha, problemas de clichês citados pela crítica especializada, bom, não sou especialista então não assisti o filme procurando os furos, por isso talvez não os tenha percebido. Eu recomendo. Achei o filme um entretenimento grandioso.
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