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Cid V
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667 críticas
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4,0
Enviada em 9 de agosto de 2020
Talvez o mais honesto filme de ficção sobre crianças de rua, e um dos mais bem sucedidos, assim como assustadoramente profético do futuro urbano do Brasil, Pixote, a Lei do Mais Fraco quase que certamente não poderia ser feito hoje, por conta de repetidamente situar uma criança de 11 anos de idade em situações de violência gráfica, sexuais e cenas de consumo de drogas...
Tradução de texto de Peter H. Rist sobre o filme: https://magiadoreal.blogspot.com/2020/08/dicionario-historico-do-cinema-sul.html
Em se tratando de grandes realizadores da sétima arte, podemos dizer que o Brasil possui ótimos nomes e, sem medo de errar, pelo menos uma dezena deles não faria feio em qualquer outra parte do mundo em que ousassem desbravar. Um caso em especial chama a atenção, pois apesar de ser argentino de nascimento, escolheu o Brasil como sua pátria, e vem desde o seu primeiro trabalho enriquecendo ainda mais o acervo cinematográfico de nosso país. Falo de Hector Babenco, que produziu desde trabalhos grandiosos como “Carandiru” e “Brincando nos Campos Do Senhor” a outros de cunho mais intimistas como “Coração Iluminado” e “O Beijo da Mulher Aranha”. Entre os trabalhos de Babenco, um que possui enorme destaque, inclusive internacional é “Pixote – A Lei Do Mais Fraco”, que aborda uma realidade tida como crônica em nosso país até os dias de hoje. O filme é cheio de cenas antológicas e não poupa o espectador de momentos fortes - e muitos desses momentos, são vividos de forma peculiar por Fernando Ramos da Silva, que dá vida ao personagem do título. Curiosidade que vale frisar é que Babenco se utilizou de vários atores não profissionais (Fernando é um deles), misturados a outros já com muito prestígio e reconhecimento na TV, cinema e teatro (Jardel Filho, Marilia Pera e Toni Tornado). O diretor já evidência de início o que nos espera, em uma espécie de “prefácio realista e contestador”, onde faz um rápido discurso utilizando de pano de fundo a própria realidade (nua e crua!), onde vivem os personagens retratados no filme. Naquela época ainda vivíamos em regime autoritário em que as expressões artísticas eram pautadas por uma censura escancarada. Mas Podemos afirmar com toda certeza que hoje a maioria das cenas apresentadas no filme, seriam sumariamente “limadas” em nome de uma moral sustentada por uma hipocrisia sem precedentes (mesmo não havendo uma censura declarada). E são exatamente essas cenas, contidas em abundância na película, que enriquecem a fita e dão o tom poético necessário para se atingir o “status” de obra de arte. A “liberdade” nesse processo é tida como o grande condutor, pois uma das mais emblemáticas cenas, onde Sueli (Marília Pera), amamenta Pixote e depois o rejeita, é uma das mais fortes e belas expressões artísticas já vista no cinema. Na realidade o que o diretor fez, foi pegar a difícil realidade vivida por aqueles garotos, e dar cores cinematográficas, não com o intuito de deixá-la mais aceitável, mas para evidenciar ainda mais a sensação de impotência/ indiferença por parte de nossa sociedade.
Um filme com cenas fortes, porém mostra a dura realidade do Brasil. Apesar de pequenas falhas na atuação pela falta de experiência do atores! Ótimo Filme!!!
Um trabalho minuciosamente bem feito, atemporal e trágico. A realidade nua e crua presente no filme representa bastante diversas falhas humanas existentes no país da "Ordem e Progresso". Brilhante!
Impecável! Simplesmente um dos melhores filmes do cinema nacional. O filme desenvolve ao longo do seu decorrer um tom extremamente realista e brutal. Confesso que é preciso ser forte para ver esses filme. Com uma linguagem bruta, seca, cética, irônica, incomodante, Babenco constrói um verdadeiro panorama da realidade brasileira e trata de um tema muito antigo e atual ao mesmo tempo: a criminalização na infância e adolescência. Um filme perfeito, os atores são ótimos (fica a destaque a atuação da Marília Pêra), os diálogos são bem colocados, a crítica social é descascada de forma magistral, a linguagem do filme é perfeita, enfim... vejam esse tesouro nacional.
O filme te prende do início ao fim devido a realidade exposta sobre a criminalidade infantil. Deixa a questão da maioridade penal, visto que, os menores entram no mundo do crime por fatos decorrentes da vida, porém abusam do direito dado aos menores, pois logo ao atingirem a maioridade sua ficha criminal será limpa. Destaca-se pela exploração do menor no mundo do crime, a realidade nua e crua sobre os problemas enfrentados dentro o fora da penitenciária infantil. Não deixando de comentar sobre o elenco marcante que se destaca pelas atrizes: Marília Pera e Elke Maravilha.
Cada vez me convenço mais de que muitas pessoas não são ruins porque querem, mas sim porque "é uma questão de classe". Como dizia Chico Science: "bandidismo por pura maldade ou bandidismo por uma questão de classe?" Quantas crianças não tem nenhuma estrutura psicológica, familiar e física à sua volta? Acho que tudo é consequência da falta do mínimo de estrutura na vida dos marginalizados. Acho...
Então... realmente, o filme trata de uma realidade que após 30 anos ainda pertence ao Brasil, mas... será que não foi realista demais? Violência, morte, estupro, pedofilia, prostituição... É muita informação negativa, é pesado demais... Atores que hoje são consagrados na teledramaturgia brasileira como Marília Pera, Elke Maravilha,Rubens de Falco...que fazem ou fizeram parte da vida de todos nós, em papéis tão baixos.... Não sou crítica, longe disso, apenas estou manifestando a minha singela opinião, por incrível que pareça, assisti o filme na Globo, no Corujão de 10/07/2014, nunca imaginei assistir um filme assim, fiquei realmente chocada e sem mais palavras.
Mesmo tantos anos após ter sido produzido, o filme infelizmente ainda retrata uma realidade social presente no Brasil. Marília Pêra tem uma atuação inesquecível. O jovem Fernando Ramos da Silva convence no papel. Direção segura de Hector Babenco e ótimo elenco de apoio: Jardel Filho, Rubens de Falco, Beatriz Segall, Ariclê Perez.
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