A promessa de um final feliz sempre foi o pilar dos contos de fadas. A realidade do matrimônio, porém, pode esconder rituais bem mais sombrios e sangrentos. Quando uma jovem de origem humilde entra para uma dinastia milionária, o que deveria ser um brinde à nova vida vira uma caçada imprevisível onde o prêmio é a própria sobrevivência. A premissa ganha contornos de humor ácido, atraindo quem gosta de ver as coisas saírem do controle em tela. É uma ironia macabra sobre a instituição do casamento que dá muita vontade de espiar de perto.
É quase uma unanimidade que a protagonista carrega a obra nas costas, e isso não é exagero. Samara Weaving entrega uma performance espetacular e cheia de atitude, se firmando rapidinho como uma heroína muito dura na queda. Sabe aquela sensação de ver alguém se quebrando aos poucos e ressurgindo movida apenas pelo ódio e pelo instinto animal de sobrevivência? É exatamente isso que ela faz.
Ela transita sem qualquer esforço entre o pânico genuíno de uma vítima assustada e a fúria cega de quem simplesmente se recusa a morrer. O público compra a briga por causa das reações corporais autênticas que ela apresenta. Seus gritos são guturais. Seu cansaço é visível. A gente passa a noite inteira torcendo por Grace porque a dor e o choque dela parecem incrivelmente reais no meio de uma situação tão absurda.
Adam Brody chama muito a atenção como um ponto fora da curva ali no meio. Ele traz um peso dramático bem melancólico e interessante interpretando o irmão do noivo, funcionando como a única bússola moral rompida daquela casa. Andie MacDowell também tenta dar uma sobriedade meio sombria à matriarca do clã, equilibrando a elegância com uma frieza assustadora.
Só que o resto da família Le Domas escorrega pesado na caricatura. Aquele contraste bizarro entre a psicopatia deles e a total incompetência na hora de empunhar armas antigas rende boas risadas, claro. Ver ricaços cheirados de cocaína matando as próprias empregadas por acidente é hilário. O lado ruim é que essa palhaçada constante tira muito o foco da ameaça. Fica difícil sentir medo de verdade quando os vilões parecem apenas idiotas mimados com dinheiro, enfraquecendo a tensão que a história pedia.
A dupla de diretores sabe perfeitamente o tipo de circo caótico que armou. Eles não tentam reinventar a roda do suspense psicológico, preferindo a ação pura. A câmera é super ágil e acompanha o desespero de perto, quase colada na respiração ofegante da protagonista nos momentos de fuga.
Dá pra notar que eles se divertem jogando o espectador de um corredor pro outro. Mas faltou, talvez, um pouco mais de sutileza e ousadia na construção do medo. A direção prefere se apoiar na gritaria, na confusão generalizada e no banho de sangue, desperdiçando a chance de criar sequências mais silenciosas e que dessem calafrios de verdade na espinha de quem assiste.
A história simplesmente não tem paciência pra enrolação. O roteiro pisa no acelerador no final do primeiro ato e não tira mais o pé. Você é jogado no centro da caçada de forma muito rápida, o que garante um ritmo dinâmico que não te deixa desviar os olhos da tela. Essa estrutura frenética amarra bem a atenção do início ao fim.
E as transições são secas e impiedosas. Grace mal consegue respirar entre escapar de um tiro de espingarda e dar de cara com um buraco cheio de cadáveres. É uma montanha-russa projetada para não parar, e o roteiro acerta em cheio ao manter a urgência da madrugada viva até os últimos minutos, mesmo que isso signifique abrir mão do desenvolvimento profundo dos personagens secundários.
A gente vive uma era de filmes que adoram bater na elite e explorar o horror do capitalismo. Casamento Sangrento tenta surfar com força nessa onda, e o papo de crítica social até prende a atenção no começo. Fica óbvio logo de cara que o grande vilão ali não é a maldição ocultista ou o tal Sr. Le Bail, mas a ganância doentia de uma elite disposta a exterminar quem for preciso para manter seus privilégios intactos.
O problema é que o texto só arranha essa ideia. Faltou uma acidez muito mais inteligente para cutucar de verdade o modo de vida daquelas pessoas. O filme prefere gastar o tempo de tela exibindo miolos explodindo a explorar a fundo as motivações complexas daquela dinâmica familiar podre. A metáfora está lá, mas é tratada como um acessório raso.
Esse balanço maluco de gêneros acaba dividindo demais as opiniões e define se você vai amar ou odiar a experiência. O roteiro tenta pesar a balança colocando o instinto visceral de sobrevivência lado a lado com piadas absurdamente fora de hora. E o humor negro funciona lindamente em várias cenas, criando uma catarse cômica maravilhosa em meio ao caos.
Mas tem horas que a comédia esmaga e desidrata o terror. A obra raramente te deixa ficar com o estômago embrulhado de apreensão porque logo emenda uma situação ridícula, uma fala estúpida de um familiar ou um erro crasso no meio da matança. O suspense nunca consegue se estabelecer por completo porque o filme tem um medo quase palpável de se levar a sério por mais de cinco minutos seguidos.
Estar preso dentro de uma casa gigante e cheia de portas trancadas com um bando de milionários armados deveria ser uma experiência puramente apavorante. O cenário realmente gera uma sensação sufocante no início da caçada, te deixando em alerta máximo nos ambientes abertos e mal iluminados.
Só que o clima cede tanto espaço para o absurdo da premissa que a opressão vai evaporando. Em vez de roer as unhas de medo ou sentir a fobia de não ter para onde correr, a atmosfera te arrasta para um riso nervoso diante da estupidez da situação. A casa deixa de ser um matadouro aterrorizante e vira um grande e bizarro playground para um jogo mortal infantil.
A decisão de prender praticamente toda a ação naquele espaço fechado rende ótimos quadros. A fotografia explora super bem as passagens secretas, as paredes de madeira rústica e os cantos escuros da mansão luxuosa. O contraste visual entre os ambientes impecáveis e a sujeira que vai se acumulando é lindo de se observar.
Mas o grande charme visual, sem dúvida alguma, é o figurino. O jeito como o vestido de noiva se transforma tem uma carga simbólica fantástica. Aquele traje branco, antes imaculado e intocável, vai sendo picotado, manchado de terra, ensopado de sangue e rasgado nas pernas pra facilitar a locomoção. É a imagem perfeita e metódica da transição de uma mulher ingênua virando uma guerreira letal e impiedosa.
A equipe por trás da maquiagem e do design de produção acertou em cheio na mosca ao fugir do CGI preguiçoso que assombra tantos filmes hoje em dia. A escolha por efeitos práticos deixa tudo muito cru e visceral. Os cortes profundos na carne, as feridas das flechas, os tiros no rosto e as explosões corporais parecem nojentas e muito reais do outro lado da tela.
O uso exagerado de litros de sangue falso contrastando com o luxo absoluto e os tapetes caríssimos da casa dá um peso visual muito cômico para as mortes. E o design de arte brilha na escolha das armas da família. Cada personagem ganha uma ferramenta que vai de alabardas pesadas a bestas de caça, o que reforça brilhantemente o quão antiquada, ridícula e doentia é aquela tradição familiar.
A música original completa a ironia do longa de um jeito sutil e muito sarcástico. O compositor usa melodias clássicas, instrumentais muito bem polidos e serenos, para rir da cara da aristocracia que está perdendo a linha e se matando de forma suja e bestial pelos corredores. O som do luxo contra a imagem da barbárie.
Mas o design de som em si é o que mais brilha para construir a tensão técnica quando a direção falha. Os estalos do assoalho velho, o zumbido tenso das flechas cortando o vento perto do rosto da protagonista, o barulho abafado dos tiros e os ossos quebrando. Tudo isso preenche o silêncio denso da casa e te arrasta pra dentro daquela madrugada intensa e dolorosa.
No fim das contas, a experiência parece uma montanha-russa veloz, mas ligeiramente desgovernada. O filme perde alguns pontos valiosos por deixar a crítica de classes no raso e por permitir que o tom da comédia pastelão ofusque e atropele o suspense em momentos cruciais da trama.
E mesmo derrapando nesses detalhes importantes, o carisma absurdo de Samara Weaving e aquele clímax explosivo e estupidamente corajoso compensam cada minuto investido na viagem. É o tipo de filme que abraça o que é e entrega uma sessão pipoca extremamente catártica, feita para divertir sem pesar a consciência de ninguém. Prepara o sofá, chama os amigos e vai descobrir por conta própria se você teria estômago para sobreviver a um casamento nessa família.
Tinha tudo para ser um fulme maravilhoso, apesar disso, tentam mostrar uma realidade meio "boba" onde as em uma situação dessas a mulher realmente sobreviveria. Ridiculo, mas, tem uma base boa.
Classificam este filme como comédia / terror, eu já classifico como muito ruim. Um roteiro bobo e com personagens muito ruins. Sofrível assistir este filme, não consegui achar nada de positivo. Difícil acreditar que alguém coloque dinheiro para fazer um filme e o pior que ainda fizeram um segundo filme. Infelizmente não consigo escrever mais nada devido ao filme ser bem ruim.
Se for observado dentro da ótica da sua proposta, não é um filme ruim. A obra não se leva a sério e em momento algum quer que o espectador faça isso. Não é um filme recomendável, mas também não é descartável.
Pra quem gosta de muita violência e gore, com pitadas de suspense e comédia, esse é um filme assistível. Mas se você busca uma coisa mais séria e verossímil, melhor passar longe. Quase tudo nesse filme é galhofa.
Ele me lembra vagamente o "The Purge" que tem essa pegada de milionários criando meios de matar pessoas pobres, a fim de algum fim distorcido de certo, seja algo como torneio, diversão e redução dos pobres no mundo (The purge) ou para manter a linhagem da sua familia no domínio do país por meio de pacto com o diabo (casamento sangrento). Porém as semelhanças acabam por aqui, pois purge vai para algo sério dramático e suspense, aqui vai para o horror, humor que convence em alguns momentos as cenas são bem construidas tanto no suspense quanto no humor, como no final quando o sol nasce e nada acontece, os atores que compõe a familia nessa hora dão show, ficam com cara de pastel pensando " Ué, não aconteceu nada, era tudo mentira" aqui eu chorei de rir.
Não tem muito o que falar do filme, ele diverte, ele é violento, bons personagens, humor que funciona em alguns momentos, ele é aquele filme nota 6, simples porém não vai te deixar com aquela sensação de tempo perdido.
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