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    Raya e o Último Dragão
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Raya e o Último Dragão

    Aprendendo a confiar

    por Barbara Demerov
    Raya e o Último Dragão, nova animação da Walt Disney Animation Studios, é uma obra realmente impressionante. O filme dirigido por Don Hall e Carlos López Estrada e co-dirigido por Paul Briggs e John Ripa não só entrega uma história completa dentro do gênero fantasia como também apresenta um universo nunca antes visto com bastante clareza. Além disso, a segurança dos realizadores em introduzir uma nova princesa da Disney em pleno 2021, que foge dos padrões de forma tão orgânica, é o principal elemento que faz a aventura ser ainda mais interessante de se acompanhar.

    Raya, a corajosa protagonista da história, sobrevive ao lado de seu companheiro Tuk Tuk em um reino encantado chamado Kumandra, que já foi um lugar mais feliz graças à coexistência de dragões e humanos. Após ver seu pai virar pedra ao lado de outros moradores em uma ação conjunta da população, Raya perdeu qualquer tipo de confiança nas pessoas, o que fez com que a jovem se tornasse extremamente desconfiada todo o tempo. E, apesar de o espectador não ter a chance de observar sua rotina nos 6 anos em que viveu sozinha, o roteiro e a direção dão muitos detalhes em poucos minutos para mostrar o porquê (e como) Raya chegou ao ponto atual. O simples fato de o filme ser uma animação já configura certa facilidade em explorar tanta coisa em pouco tempo, com o aproveitamento de ambientes simbólicos e um prólogo descomplicado.



    Ao mesmo tempo, as questões humanas que o roteiro traz são complexas. O tema central do filme - a confiança - está sempre presente em diálogos e breves passagens que apresentam novos personagens (estes muito simpáticos, o que torna a jornada mais fluida e divertida). A discussão, que começa com a falta de vontade de Raya em delegar algumas coisas aos outros, vai crescendo cada vez mais. E, é claro, o último dragão do título, Sisu, impulsiona o mix de fantasia com reflexões referentes às ações que tomamos pensando na comunidade, e não apenas no que diz respeito ao individualismo. Em tempos como estes que vivemos, o fato de uma animação nos moldes da Disney trazer discussões atuais dentro de uma roupagem agradável e multicolorida é sem dúvidas muito pertinente.

    Com uma protagonista forte e empática, Raya e o Último Dragão apresenta reflexões humanas em meio a um cenário multicolorido da Disney

    Equilibrando os momentos já esperados pelos fãs do estúdio - que contam com sequências emocionantes de voos de dragão, o uso de cores e a comédia - com a abordagem da lenda dos dragões e tudo o que eles representam (confiança, amor e prioridade do senso coletivo), Raya e o Último Dragão alcança um resultado admirável que balanceia entretenimento com questões humanitárias.



    As transformações de Sisu entre sua forma original e a humana é um bom exemplo de como a obra se adapta para facilitar certos desdobramentos e, ao mesmo tempo, faz com que essa saída ainda traga um conteúdo mais complexo. Em alguns momentos após conhecer sua nova amiga, Raya parece nem olhar com atenção para quem está ao seu lado, mas uma vez que a jovem se dá conta de que não está sozinha, seu olhar para com a missão de salvar Kumandra se transforma.

    Com isso, a animação dá um ou dois passos à frente de Frozen ou até mesmo Moana, pois, apesar de contar com dragões e ancestralidade de um povo, a seriedade da missão ultrapassa a magia. O enredo do filme tem como base algo mais terreno, com o contexto da mágica e algumas soluções "fáceis" mais como ferramentas do que como o destino final dos personagens.

    O belíssimo visual e a direção que remete a games de ação em algumas passagens (incluindo a semelhança de Raya com Lara Croft em suas missões perigosas) se combinam com uma narrativa que fala sobre como ações individuais têm a capacidade de impactar o coletivo, para o bem ou para o mal. Contando com uma protagonista humana e forte, o desfecho de Raya e o Último Dragão é inspirador na medida certa, sem ceder totalmente à linguagem infantil nem mergulhando apenas na reflexão que já é a pauta do nosso século.
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