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Ravi Oliveira
28 seguidores
533 críticas
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2,5
Enviada em 11 de janeiro de 2025
Sinopse: Um pai e sua filha de 13 anos levam uma vida paradisíaca no enorme Forest Park, uma vasta floresta nos arredores de Portland, Oregon, até que um pequeno erro atrapalha suas vidas para sempre.
Crítica: "Sem Rastros", dirigido por Debra Granik, apresenta uma narrativa envolvente sobre a relação entre um pai e sua filha, vivendo em harmonia com a natureza. No entanto, apesar da premissa promissora, o filme peca em alguns aspectos que podem frustrar o espectador mais exigente.
Um dos principais problemas é o ritmo lento da narrativa. Enquanto a intenção pode ter sido criar uma imersão no estilo de vida dos protagonistas, essa abordagem resulta em longos trechos sem diálogo que, por vezes, se tornam enfadonhos. A falta de um conflito mais dinâmico faz com que certas cenas se arrastem, minando o impacto emocional que a trama busca transmitir.
Além disso, a caracterização de alguns personagens secundários carece de profundidade. Embora o amor entre pai e filha seja bem retratado, outros indivíduos que cruzam o caminho da dupla são muitas vezes apresentados de forma superficial. Essa falta de desenvolvimento pode fazer com que o público não se preocupe tanto com os desafios que eles enfrentam quando se encontram com a sociedade.
A decisão de abordar o tema do isolamento e da sobrevivência no meio da natureza é louvável, mas a execução poderia ter sido mais ousada. O filme toca em questões relevantes, como a luta por liberdade e os dilemas da vida em sociedade, mas muitas vezes parece hesitar em explorar essas temáticas de maneira mais visceral. O resultado é uma experiência que, embora sensível, acaba por parecer um tanto convencional.
Por fim, a cinematografia é a grande estrela do filme, com belas paisagens que capturam a essência do Forest Park. No entanto, mesmo a estética impressionante não consegue salvar a obra de uma narrativa que, por mais que tente ser poética, perde força na repetição e na falta de um arco mais definido.
Em resumo, "Sem Rastros" é uma obra que, apesar de suas qualidades, falha em conquistar completamente o espectador. O potencial estava presente, mas o resultado final é uma experiência que, embora tocante, deixa a desejar em termos de ritmo e profundidade narrativa.
A diretora Debra Granik apresenta em praticamente todo o primeiro ato do filme uma abordagem pouco dinâmica, mas paciente da intimidade da dupla pai e filha que moram num parque público gigantesco diante da natureza selvagem e com pouco ou quase nenhum contato com o mundo externo. Tudo isso acaba sendo quebrado quando a policia acaba descobrindo a dupla e forçando uma adaptação a nossa sociedade. É interessante notar o quanto é cansativo e burocrático os processos legais e até mesmo comportamentais. Aqui o querer e o precisar acabam sendo contrapostos em um trajetória de identificação dos personagens. Afinal, é o nosso passado que molda que nos somos hoje. Em resumo, aquela nova vida não é a vida que o Will quer para si e para sua filha. O roteiro se torna pouco dinâmico e por vezes cansativo pela insistência em mostrar as fugas diante de um teto. Porém, uma escolha não pode ser arbitrária ás pessoas em nossa volta. Isso é colocado diante das palavras da filha "Eu sei que você ficaria se você pudesse" e "Aquilo que está errado com você, não acontece comigo". Em resumo, os traumas (poucos retratados no filme) que Will passou não são os mesmos de sua filha. A mesma ainda busca uma identificação própria e ainda terá sua jornada a ser construídas.
A história é boa. Existe doido pra tudo mesmo, então não posso dizer que não gostei do filme. Só acho que a menina demorou muito pra tomar uma sábia decisão, pois eu no lugar dela já tinha tomada essa decisão era a muito tempo já
Gostei muito. Abordagem sincera e sem pieguismo da inadaptação existencial de um sobrevivente de campo de guerra que arrastou a filha para uma vida distante do convívio social. A diretora conduziu com muita delicadeza a história de pai e filha. A música deixou a desejar, mas a fotografia captou belas imagens e construiu metáforas que ajudaram a fixar a ideia de que ali estava um homem a tecer seus caminhos. Se por um lado era livre para dispor da vida como desejasse, por outro era uma presa na teia emocional que a guerra trouxe a sua vida.
Um ótimo drama, intrínseco, que mostra as tensões psicológicas dos dois atores. Um, visivelmente afetado pelos transtornos pós guerra, não conseguindo se adaptar ao mundo "normal", preferindo o isolamento, e, do outro lado, uma jovem que fica dividida entre seu desenvolvimento como ser humano, e o contato com o mundo, e o amor pelo seu pai. Neste contraste, a maturidade se sobressai às escolhas, encerrando de uma forma muito bonita e sincera o caminho que cada um deve seguir.
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