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    Bacurau
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    3,9
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    173 Críticas do usuário

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    Gerson R.
    Gerson R.

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    5,0
    Enviada em 3 de dezembro de 2019
    Dizer que Bacurau é “um filme necessário para o atual momento do Brasil” é algo simplório demais – tendo em vista que a filmografia espetacular de um de seus realizadores, Kleber Mendonça Filho, é composta por longas extremamente importantes em escancarar as mazelas que a desigualdade social deixa em nossa sociedade – seja em O Som ao Redor ou o primoroso Aquarius, seus filmes tem o hábito de deixar a mente do espectador se expandir ao máximo que pode, a fim de raciocinar o suficiente e avaliar o que é visto em tela – junto do novato (na direção) Juliano Dornelles, Mendonça consegue elevar suas qualidades e habilidades cinematográficas para fazer deste Bacurau um exercício formidável de gênero e ainda inserir uma critica social poderosíssima.

    Uma das coisas que mais impressionam aqui é que a pequenina cidade de Bacurau retratada no longa consegue representar todas (sem exceção) as classes menos favorecidas do nosso país – sejam os mais pobres, nordestinos, homossexuais e os negros – como se o fato dela ser esquecida pelo resto da população fosse um triste paralelo com as elites não se importando em ajudar ou se conscientizar sobre as condições de vida impostas aos mais humildes – mesmo que permeando magnificamente com elementos de outros gêneros, os diretores proporcionam uma verdadeira viagem alegórica sobre as formas que o brasileiro precisa se defender (literalmente até) da ameaça de seres esnobes, preconceituosos e (de fato) fascistas – mas, ainda assim, se esquivando completamente de qualquer senso moral barato.

    Logo de inicio, somos apresentados ao penoso caminho pelo sertão até chegarmos em Bacurau – se passando alguns à alguns anos no futuro, acompanhamos o caminhão pipa, único meio de ter água potável no lugar, levando, de carona, a Dra. Teresa (Colen), que está voltando para sua cidade natal para o enterro de sua avó, Dona Carmelita (Lia de Itamaracá), falecida aos 94 anos e muito querida por todos os habitantes – logo após o evento, coisas estranhas começam a acontecer na cidade: a visita de dois turistas em motocicletas (Teles e Saboia), o avistamento de um drone, tiros no caminhão pipa e algumas mortes misteriosas, fazem que Acácio (Aquino), Teresa, Domingas (Braga), Plinio (Rabelo) e outros habitantes suspeitem que o local possa estar sendo vitima de alguma invasão – o que os levam a pedir ajuda ao procurado pela justiça, Lunga (Pereira) – logo, ajudando todos a se prepararem contra uma terrível ameaça.
    Nos moldes mais certeiros de um faroeste moderno ou thriller de ação, Bacurau possui uma trama até simples – mas isso não é um problema – o que importa aqui é a abordagem exemplar de seus cineastas – sabendo colocar suas criticas sociais de forma sutil, mas, muitas vezes, em diálogos absurdamente verdadeiros, o suspense em torno da história é gritante, mostrando uma segurança exemplar na narrativa – não me atrevo a dizer que exista alguma tomada desnecessária ou errada nesse filme – cada momento tem uma função; cada enquadramento tem um sentido – característica forte de Mendonça – como seus pontuais flashs de memória, que sempre ressaltam a natureza por de trás de seus magníficos personagens – desta vez, ele opta por mostrar, por exemplo, um pouco do passado do compenetrado Acácio (o “Pacote”) de Thomas Aquino através de uma chamada de jornal, que mais parece uma reportagem do programa do Datena (e tenho quase certeza que essa foi a intenção) – reparem também nas tomadas áreas, como a que abre o longa, mostrando o Brasil (e Bacurau) como se estivessem sendo monitorados do espaço; além da visão dos drones.

    Tecnicamente impecável, o filme ainda ganha muitos pontos pela linda direção de fotografia de Pedro Sotero, que consegue deixar os vilarejos e paisagens do nordeste tão lindos quanto são na vida real – os enquadramentos para os momentos de ação são precisos e bem explicados visualmente, além dos impressionantes (e fortes) efeitos de maquiagem; sem falar que a edição de som e imagens não fica abaixo de nenhuma obra de ação norte-americana – um verdadeiro trabalho visionário, em todas as suas características técnicas.

    A construção de personalidade em todos os envolvidos é um primor do roteiro assinado pelos próprios diretores – temos a chance de vermos Sônia Braga exibir todo seu brilho com sua Domingas, uma mulher que possui uma presença tão forte que nem mesmo um assassino estrangeiro armado ou um politico querendo prejudicar outras mulheres é capaz de abala-la; ou a forte imagem de imponência de Silvero Pereira como Lunga – sem dúvida, um dos destaques, mesmo que em participação não tão longa, mas evidenciando com seu personagem um lado tão poderoso de ambiguidade, que o torna uma construção de personalidade tão marcante quanto o Coringa de Joaquim Phoenix – posso estar exagerando, mas que em questões sociais se assemelha, isso é fato – Lunga é considerado um bandido para a sociedade, mas diante da ameaça gerada pelo próprio estado ele acaba sendo a salvação – e isso, obviamente, não é “defender criminoso” – é apenas um reflexo do que muito ocorre no Brasil.

    Alias, se com nossos representantes nacionais essas reflexões se mostram profundas, Mendonça e Dornelles não tem medo algum de expor o lado opressor, preconceituoso e racista de uma parte da sociedade brasileira: vivendo os supostos turistas que se aventuram em motos próximos a Bacurau, Karine Teles (esta que representou algo parecido em Que Horas Ela Volta?) e Antônio Saboia são uma perfeita representação do achismo de nossa elite em se julgarem superiores – algo que resulta no diálogo mais polêmico da obra, talvez – quando estes dois personagens conversam com a misteriosa equipe liderada pelo Alemão Michael de Udo Kier (em ótima composição, assustadora e fria ao extremo) – “somos de uma região rica do Brasil, no sul” – e a resposta é desconcertante para eles: “vocês não são brancos” – quando nos apresenta a estrangeiros, Bacurau deixa claro como nossos governantes não estão dando a mínima para o bem estar do povo – se no longa isso é representado pela cidade que acaba sendo tirada do mapa e sendo vitima dos verdadeiros criminosos da história, na vida real isso pode ser traduzido como o descaso de privatizações e falta de assistência pública em saúde, segurança e educação – que, realmente, obrigam a população a “se virar” para sobreviver – nesse sentido, a figura (propositalmente) exagerada e comedida do prefeito Tony, vivido por Thardelly de Lima, é um retrato brilhante destas graves falhas do estado brasileiro.

    Com um elenco composto em sua grande maioria por atores pernambucanos, Bacurau possui uma naturalidade absurda em seus diálogos – com artistas que parecem estar interpretando eles mesmo – isso, por si só, já é um mérito enorme – mas elevar isso tudo dentro de um clima de ação e suspense, é algo que poucos conseguiriam – é algo que me deixou tão feliz quanto ver um senhor idoso destruindo o tom esnobe da personagem de Karine Teles somente com sua voz e um violão; ou ao ver que homens e mulheres do nosso tão rico nordeste são muito mais fortes que os pobres de alma, sejam os “gringos” ou nossos “falsos patriotas”.

    Essa luta, com certeza, faz com que nem Bacurau (tanto o filme quanto a cidade representada nele) e nem nossa população guerreira sejam esquecidos. Alias, a união de todas as classes desfavorecidas que citei é o que as fazem não desaparecer do mapa.

    Unidos, nós somos o mapa!
    Ricardo P.
    Ricardo P.

    Seguir usuário 12 seguidores Ler as 18 críticas

    1,5
    Enviada em 29 de setembro de 2019
    Tosco, feio, grotesco, com flashes de cenas de sexo descontextualizadas e sangue jorrando na tela como num "Massacre da serra elátrica" filmado com orçamento reduzido. Pra completar, o tema principal do filme, ao invés de surpreender pela originalidade, usa ideias já exploradas por hollywood, como em "Sobrevivendo ao jogo".
    Alguns atores brasileiros fizeram boa interpretação no filme, mas os que fazem papéis de estrangeiros são ridiculamente caricatos.
    O cinema brasileiro produz bons filmes, mas esse Bacurau com certeza não é um desses.
    Edivan C
    Edivan C

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    5,0
    Enviada em 30 de agosto de 2019
    Filme espetacular. O roteiro é muito instigante e repleto de surpresas. A tempos não via um filme nacional desta magnitude. Vale a ida ao cinema.
    Alan David
    Alan David

    Seguir usuário 14.033 seguidores Ler as 685 críticas

    4,0
    Enviada em 27 de agosto de 2019
    Bacurau é uma jornada sobre pessoas que se superam nas dificuldades em situações que podem a primeira vista parecerem inusitadas, mas que na verdade é tão atual e realista como qualquer coisa que vimos e estamos vivendo socialmente e politicamente, dentro de uma narrativa de suspense, violência e personagens que foram trabalhados como um todo, uma comunidade que resolveu dar um basta e revidar. Uma obra interessante que tem muito que se refletir ao final dela, às vezes também é necessário histórias assim, todos tem seu espaço e o que dizer, tudo é arte... Nós brasileiros precisamos de mais arte, entre outras coisas.

    Para ler a crítica completa, acesse o link a seguir: http://www.parsageeks.com.br/2019/08/critica-cinema-bacurau_27.html
    José D
    José D

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    5,0
    Enviada em 31 de agosto de 2019
    Trilha, fotografia e roteiro impecáveis. A trama se desenvolve de modo incomum e exigem um olhar apurado e socialmente desenvolvido para compreender sua denúncia e critíca artística.
    Taína-Cã
    Taína-Cã

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    4,5
    Enviada em 4 de setembro de 2019
    Inevitável associar as primeiras imagens de Bacurau a Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Com a inserção da cor, numa reverente fotografia do sertão nordestino, alternado o verde com o árido, se remete ao Dragão da Maldade, do mesmo Glauber, onde a cor é utilizada de forma transbordante e coerente.
    Em Bacurau temos um roteiro construído num suspense crescente e mesmo com algumas informações ao longo da obra, não é permitido imaginar o clímax que virá.
    Ótimo roteiro registrado por uma fotografia honesta, com boas interpretações, onde todas as escolhas nos parecem acertadas, incluindo as locações e a utilização da luz natural exuberante, como no Cinema Novo.
    Um mosaico, um caleidoscópio que vai se organizando aos olhos do público, integrando personagens aparentemente tão distintos.
    Diferente do repertório visual glauberiano, a contemporaneidade exige a materialização da violência explícita, para concluir sua proposição. Mas as cenas de ultraviolência não são gratuitas e surgem como uma catarse esperada, uma metáfora adequada aos tempos atuais, quando a tomada de consciência do povo, em relação ao poder que reprime, leva à união que liberta.
    Uma obra que veio para ficar e marcar o cinema contemporâneo, que deve ser tratada com o merecido respeito mesmo em comparações colonizadas com outras obras semelhantes que não tem apresentam vigor e criatividade, ainda que produzidas com plenos recursos, mas geram produções previsíveis para cumprir seu processo de aculturação.
    Luciano R
    Luciano R

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    4,0
    Enviada em 12 de setembro de 2019
    É pra matutar, prosear e arengar, tabaréu!
    .
    Assim como eu, muita gente não vai entender Bacurau na primeira passada. É um filme para se refletir, conversar, debater...
    O filme nos traz uma alegoria tão estapafúrdia, improvável, inverossímil que, em princípio, me pareceu “apenas um ótimo filme B”. Uma estória maluca e criativa que nada tem a ver com a realidade. Cheguei a relatar assim para amigos.
    Mas havia mais coisa... o filme não me saia da cabeça. A enxurrada de referências tinha que estar ali por algum motivo.
    O suspense de tirar o fôlego, a violência explícita, as reviravoltas estonteantes e uma estética muito própria até tentam nos enganar, mas é justamente dessa mesmice tradicional hollywoodiana que o filme consegue escapar.
    É um filme de digestão complexa, de se pensar e repensar várias vezes. E a medida em que se repassam as cenas, mais e mais camadas vão se descortinando um novo filme vai surgindo... Até que Pahhh!!! De repente, aquela alegoria estapafúrdia da primeira impressão dá lugar a uma das metáforas mais perfeitas dos últimos tempos. Simplesmente Genial!
    Os nichos da nossa realidade político-socioeconômica estão todos ali representados: opressores arrogantes e sem empatia, hipócritas se passando por líderes, vítimas pintadas como vilões, vítimas que oprimem outras vítimas porque pensam que são opressores (miseravelmente enganadas). Mais real e mais atual do que isso é impossível.
    Dou meu braço a torcer pela minha equivocada primeira impressão. Culpa exclusiva minha. Não é um filme para análises rasas.
    Quanto à comparação com Tarantino, não acho que seja para tanto (ainda), mas o mainstream que se cuide, o recado dado na tela também se repete fora dela: o brasileiro pode te surpreender!
    Rodrigo Gomes
    Rodrigo Gomes

    Seguir usuário 4.473 seguidores Ler as 651 críticas

    5,0
    Enviada em 2 de dezembro de 2019
    Que filme senhores! Bacurau surpreende e encanta com sua genuína brasilidade, que mostra de uma forma exótica um povo. Seria bizarro, se não fosse uma fábula com reflexões e analogias que nos leva no tempo do retrógrado ao moderno. O melhor de tudo, é ser um original e grande roteiro nacional, elevando nosso cinema a outro nível. Bacurau é um obra prima.
    anônimo
    Um visitante
    2,0
    Enviada em 8 de outubro de 2020
    Meu Deus, que filme chato. Desinteresante, ridiculamente pretensioso, artificial, roteiro bagunçado, direção fria e semi amadora, etc... Pelo menos tem um elenco decente e a fotografia parece minimamente profissional, mas de resto, apenas mais um desses exemplares nojentos desse cinema nacional entorpecido por ativistas políticos que apenas usam do audiovisual como meio de difusão de suas teses ideológicas. Mendonça Filho é um petista de primeira hora, acho até que Lula foi um "consultor" criativo do projeto, porque o filme é basicamente um sermão de extrema-esquerda de 2h. Saudades do tempo em que o cinema de arte do Brasil não era dominado por ativistas políticos pseudo intelectuais que só se interessam em fazer proselitismo ideológico. Mais talento genuíno, menos doutrinação, por favor!
    Marcelo Almeida
    Marcelo Almeida

    Seguir usuário Ler as 3 críticas

    1,0
    Enviada em 17 de dezembro de 2019
    Não gostei. A atuação dos atores é muito boa. Mas a história é mal contada. Reviravolta do nada, ou não explicada. O temido Lunga, de quem tanto se fala no começo do filme, não faz nada. Não merece ser comparado aos do Glauber Rocha.
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