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    Borg vs McEnroe
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Borg vs McEnroe

    Filme-fetiche

    por Renato Hermsdorff
    Já nos primeiros minutos, Borg vs McEnroe mostra a que veio: recriar a final do Torneio de Wimbledon em 1980, evento que opôs os tenistas Björn Borg e John McEnroe em quadra. Até lá, o que o diretor dinamarquês Janus Metz (responsável pelo documentário Armadillo, de 2010, e pelo episódio "Maybe Tomorrow" da segunda temporada de True Detective) traz é um longo prólogo preparatório para o embate.

    Vivido pelo sueco Sverrir Gudnason (o melhor do filme), Borg é sobre quem recai toda a responsabilidade de vencer a partida. Tido como técnico, calculista até, apesar de ter conquistado o torneio quatro vezes consecutivas, um feito inédito, ele acredita que, se perder a quinta final, será lembrado como o loser que não conseguiu o pentacampeonato (e, cruelmente, ele tem lá razão).

    McEnroe (Shia LaBeouf) é diferente. Temperamental (como seu intérprete nos bastidores, o que não deixa de ser uma ironia esperta), o esportista passa boa parte do tempo sendo questionado sobre seu comportamento, em detrimento da carreira (a arte imita a vida?) E o triunfo seria uma forma de mostrar às pessoas que ele é muito mais do que um rostinho explosivo.


    Até a partida, de fato, a primeira metade do filme é focada na construção psicológica dessas pessoas, que ficaram marcadas, para o grande público, por suas índoles conflitantes. O "serviço" que o roteiro assinado por Ronnie Sandahl presta é mostrar (ou fantasiar com verossimilhança) que nem sempre eles foram assim. E, lentamente, a narrativa dá conta de apresentar como cada um evolui de um oposto ao outro nessa curva de personalidade. É quase uma… vá lá… quebra de paradigma.

    O “lentamente”, no entanto, pode ser traduzido também como “redundantemente”. As situações que os (o)põem no contexto são apresentadas de forma bem repetitiva. O que, convenhamos, em se tratando de duas personalidades cujas histórias se restringem a um nicho (os fãs de tênis, notadamente), bem que a produção poderia se esforçar um bocadinho mais.

    A segunda metade (ou, pelo menos, o terço final) se vale de uma sucessão de planos fetichistas para remontar a tal partida de tênis. O que é um elogio. (Muito) Bem filmado, Borg vs McEnroe falha em criar empatia entre o público e seus protagonistas. Falta o “molho” que Ron Howard conseguiu dar à guerra entre Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth) no ótimo Rush - No Limite da Emoção (2013), outro duelo recente do mundo esportivo.

    Filme visto no 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.
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