O Esquadrão Suicida (The Suicide Squad) é basicamente tudo que seu antecessor de 2016 falhou miseravelmente em ser e muito mais, é divertido, envolvente, engraçado (mesmo com um humor as vezes problemático), surpreendente, subversivo, estranho, com um bom desenvolvimento e uma história simples construída de uma forma orgânica e gradativa.
James Gunn teve total liberdade e isso foi um dos fatores principais pelo êxito desse filme se comparado ao seu antecessor, mas mesmo assim ele respeita a existência daquele filme e mantém uma conexão com seus acontecimentos, trazendo alguns dos personagens que conhecemos na obra de 2016, e aproveita para desenvolver eles e a relação deles com os novos personagens, que são igualmente cativantes, todos em seus respectivos tons e personalidades, destaques para Tubarão Rei (Sylvester Stallone) que é adoravelmente encantador mesmo cometendo atos brutais e extremamente violentos, Bloodsport (Indris Elba) cativa com sua personalidade mais carrancuda mas que mesmo assim consegue transmitir empatia e bondade em alguns momentos, e a sua competição sadicamente cômica com o Pacificador (John Cena) é divertida, Homem das Bolinhas ( David Dastmalchian) diverte com suas habilidades extremamente diferentes e com sua personalidade meio alterada, mas sem dúvida nenhuma quem realmente rouba a cena é a Caça Ratos 2 com sua humanidade e personalidade extremamente meiga e quase pura, ela chega até a destoar do resto do grupo pois nem parece que se encaixa ali, mas isso não torna ela um personagem desconexo, longe disso, torna ela ainda mais cativante, além de ter o background mais interessante e emotivo do filme, sem dúvida ela , assim como o Ciborgue de Ray Fisher, são os corações de suas respectivas obras.
Talvez a maior evolução se comparado ao de 2016 seja a forma com que o filme desenvolve a trama e a relação dos personagens, diferente das apresentações e desenvolvimento apressado e desconexo, aqui temos apresentações naturais e uma obra que não negligencia e nem apressa as relações entre seus personagens.
A trama ainda aproveita do fato da história ser simples e utiliza desse artifício para acrescentar várias subversões que tornam a experiência muito mais prazerosa e imersiva, são certos personagens que são introduzidos de uma forma mas acabam sendo de outra, a forma com que a narrativa brinca com nossas expectativas levando a trama por outros rumos, viradas e acontecimentos inesperados, divisão em capítulos, idas e vindas no tempo que mostram acontecimentos anteriores e posteriores que depois se conectam e dão mais contexto a eles.
Tecnicamente o filme é ótimo, visualmente encantador, ação bem dirigida, mesmo que tenha me incomodado um pouco com movimentos de câmera muito ligeiros que, combinados com alguns cortes muito rápidos me fizeram ficar um pouco perdido as vezes, mas no geral a ação é visualmente agradável, estilosa e divertida, com uma ótima coreografia, uma trilha sonora fantástica, tanto as músicas escolhidas (em sua grande parte) quanto a trilha composta, ótimos efeitos visuais que se misturam de forma orgânica e natural com os cenários e personagens.
Embora tenha tido problema com algumas das piadas do filme e algumas facilitações narrativas do roteiro (expositividade alta e personagens com uma proteção quase mágica do roteiro), achei O Esquadrão Suicida uma obra autoral, divertida e cativante.
Obs: O filme tem duas cenas pós créditos