O Arco Recursivo de Quine poderia ser descrito como uma turbina de energia hiper-eficiente capaz de gerar energia ilimitada. Aparentemente, esse engenho misterioso faz mais do que abastecer uma casa com eletricidade: ele pode gerar loops temporais. É uma máquina do tempo, se pensar bem. Ou pelo menos é isso que o filme do Tony Elliot sugere.
O mundo está em ruínas, consumido pela guerra e enfrentando uma grave crise de energia. O vírus Kuru causou estragos, o ar está contaminado, a única espécie que restou para ser destruída foi a humana (as aves foram as últimas a serem extintas) e longas porções de terra viraram escombros radioativos inabitáveis. A Torus, uma corporação ultra-poderosa e brutal, governa o mundo através de seus exércitos e mercenários.
Esse cenário distópico é desolador, mas funciona como um plano de fundo criativo que alavanca o filme. A operação Riverrun é a grande inimiga dos protagonistas, que discutem sobre a verdadeira utilidade e finalidade do ARQ. O filme é produzido com excelência, a julgar pelos cenários apresentados, é escrito com minúcia e cuidado e contém um alto nível de criatividade. Tony Elliot certifica-se que cada repetição do loop se dê através de circunstâncias inesperadas e inimagináveis. O filme é dinâmico, guiado o tempo inteiro por uma dose de adrenalina muito alta, o que é uma qualidade, dadas as nuances fundamentais do roteiro.
O mais importante: a ideia de que um engenheiro é a figura central que irá ajudar a solucionar a crise de energia que assola e ameaça o mundo através de suas criações fantásticas. Ele é a esperança da humanidade, prometendo luz e uma nova era. Um engenheiro com habilidades singulares que pode acabar com a crise e, além disso, ajudar a derrotar a Torus, fornecendo o ARQ a um grupo de resistência nomeado apenas como o Bloco.
Isso é interessante, já que vivemos em um mundo onde a demanda por energia só aumenta e o planeta sofre as consequências da ação das empresas. Nossos desafios podem ser solucionados e nossos conflitos pacificados se dermos ouvidos aos engenheiros e suas invenções promissoras.
A Torus é uma corporação mega poderosa, ela domina o mundo, possui exércitos permanentes, drones de combate, robôs, armas nucleares. Mas um engenho energético singular pode mudar o curso dos eventos, promovendo uma reviravolta. Fornecer a máquina à resistência pode não apenas possibilitar a ruína da Torus. Pode recuperar o mundo. Pode nos dar um novo futuro. Um com o qual viemos sonhando há muito tempo. Um que precisamos.