O novo universo DC, liderado por James Gunn, começa com Superman (2025), um filme que mergulha profundamente nos quadrinhos, resgatando a essência do herói como poucas vezes vimos. Diferente de uma origem tradicional, a história começa in media res, como se você abrisse um quadrinho no número 56. Isso evita repetir a conhecida trajetória de Clark Kent, mas pode confundir quem não está familiarizado com as HQs.
Abandonando o tom divino de Zack Snyder, este Superman, vivido por David Corenswet, é humano, sensível e preocupado com o planeta e seus habitantes. Desde o clássico de 1978, não tínhamos uma versão tão fiel ao espírito do herói nos quadrinhos. Corenswet brilha tanto com a capa quanto como o tímido Clark Kent, marcando uma clara distinção entre as duas personas – algo que faltava na versão anterior. Rachel Brosnahan (Lois Lane) e Nicholas Hoult (Lex Luthor) acompanham o nível, formando um trio de protagonistas impecável.
A direção de Gunn acerta ao construir esses personagens centrais, mas peca pelo excesso de coadjuvantes. Em certos momentos, como na cena final do Planeta Diário, personagens aparecem sem contexto, sobrando na narrativa.
O roteiro diverte e entrega ótimos momentos de ação, mas abusa de diálogos expositivos, necessários, em parte, para reforçar a humanidade de Superman a uma geração que talvez o veja de forma distorcida.
Visualmente, o filme impressiona com efeitos vibrantes e uma trilha sonora que evoca o legado do herói. Apesar de falhas no roteiro e escolhas narrativas, Superman é um pontapé promissor para o novo universo DC, resgatando, após décadas, a essência de um herói definido por sua bondade e humanidade.