A nota dada a esse filme é injusta, e vejo que isso se dá por não terem entendido o final. Darei aqui uma explicação da minha interpretação, com alguns spoilers.
A personagem principal, Sara, carrega uma forte culpa por ter desviado o olhar do corpo dos pais, enquanto sua irmã enfrentou aquele péssimo momento de cabeça erguida. Isso fez com que ela não pudesse ajudar tanto assim a gêmea nessa questão que, na opinião da loira, é um dos motivos de Jess ter ido para a floresta.
Outro ponto que traz remorso para a protagonista é ela não ter visitado a avó com tanta frequência, essa informação é mais fraca e construída de forma muito sutil no filme.
Pois bem, o remorso de não poder estar presente para ajudar a irmã a superar a morte dos pais fez com que Sara desenvolvesse um senso de super proteção com a irmã. Quando Jess desaparece por ter ido para a floresta dos suicidas, ela voa diretamente para o japão a fim de encontrá-la.
A história continua e ela decide ficar na parte maldita da floresta junto com Aiden. Na noite ela é visitada por uma criatura que, usando a gêmea como engodo, planta uma ideia na cabeça da mulher. É esse pensamento de paranoia que ajuda a desenvolver uma atmosfera tensa nos próximos minutos.
Quando ela decide sair correndo de perto do amigo, cai em um buraco e a criatura, que aparenta ser uma colegial do país, mostra finalmente quem de fato é: o fantasma da floresta. Logo depois ela vê várias fotos dos pais mortos, reforçando em sua mente a culpa que ela carrega. Uma pessoa normal, nesse momento, passaria a acreditar de novo em Aiden, como a personagem faz no filme.
Entretanto o comportamento de Aiden é suspeito. Ele encontra uma casa no meio da floresta, e quando entram, há vários pacotes das barras de proteína que o repórter costuma comer. Mais uma vez Jess aparece como uma voz e tira Sara do caminho (uma alegoria muito utilizada durante toda a história). Após matar o companheiro, a porta se abre e, no desespero para se soltar da ilusão, acaba cortando o próprio pulso.
As ilusões são respostas da sua cabeça pela culpa carregada, que segundo Freud é a semente da depressão. Ela entrou na floresta com essa sensação aflorada na pele, desesperada para encontrar a irmã, SEM LEVAR UMA BARRACA que, segundo o guia da viagem, indica a possibilidade das pessoas voltarem sem cometerem o suicídio.
Podemos compreender o final de duas maneiras, então. Na primeira, o insucesso em encontrar a irmã e ser confrontada nas últimas palavras de Aiden que ela está morta, e depois de assassinar o amigo, sua mente chegou ao
esgotamento e cedeu ao impulso suicida que ela já carregava em si desde criança.
A segunda explicação é que ela já pensava em suicidar desde o começo, mesmo sabendo que a irmã ainda estava viva. Essa teoria é mais fraca, na minha opinião, mas fortemente sustentada por ela sempre ficar a um passo de cometê-lo em vários momentos do filme.
O final é excelente e muito bem pensado. Reitero que a nota média do filme não condiz com essa obra prima que traz grandes alegorias sobre depressão e a condição da psiquê humana, abordando um tema sensivel como o suicídio de maneira sóbria e de bom gosto. Uma obra prima!