A Chegada
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4,2
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202 Críticas do usuário

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anônimo
Um visitante
4,5
Enviada em 28 de dezembro de 2024
Dirigido por Denis Villeneuve e baseado no conto "Story of Your Life", de Ted Chiang, A Chegada (2016) é uma obra cinematográfica que transcende os limites do gênero de ficção científica, explorando questões complexas de comunicação, tempo e a natureza da experiência humana. Ao contrário de outras produções do gênero, que frequentemente focam em elementos de ação e conflito entre espécies, A Chegada se aprofunda em uma narrativa introspectiva, centrada em temas filosóficos e emocionais. Com sua abordagem única e profundamente reflexiva, o filme tornou-se um dos mais comentados e premiados de 2016, recebendo elogios por sua direção, roteiro, atuações e capacidade de provocar uma reflexão profunda sobre o tempo, a linguagem e a percepção humana.

O enredo de A Chegada gira em torno de Louise Banks (Amy Adams), uma linguista que é recrutada pelo governo dos Estados Unidos após o aparecimento de naves alienígenas em várias partes do mundo. Essas naves não são agressivas, mas as autoridades não sabem como se comunicar com os extraterrestres. Louise é chamada para interpretar a linguagem dos heptapods, uma espécie alienígena com um sistema de comunicação completamente diferente, baseado em símbolos circulares. À medida que Louise começa a aprender essa língua, ela se vê confrontada com as implicações dessa nova forma de comunicação, que altera a sua percepção do tempo e da memória.

O enredo não apenas foca na interação entre humanos e alienígenas, mas explora profundamente as questões filosóficas sobre como a linguagem molda a forma como entendemos o mundo e o tempo. À medida que Louise começa a entender a linguagem dos heptapods, ela começa a vivenciar eventos do passado e do futuro simultaneamente, o que desafia a linearidade da experiência humana. A história se desenvolve como um mistério de ficção científica, mas também se desvia para uma meditação existencial sobre o tempo, o livre arbítrio e as escolhas que fazemos ao longo de nossas vidas.

O enredo de A Chegada é, sem dúvida, um dos seus maiores pontos fortes. Ao contrário de muitas outras produções de ficção científica, que se concentram em grandes eventos cataclísmicos ou batalhas intergalácticas, o filme coloca a experiência humana no centro da narrativa. A relação de Louise com a linguagem e com o tempo é o fio condutor do filme, e essa abordagem introspectiva e filosófica torna o enredo mais profundo e significativo.

A atuação de Amy Adams em A Chegada é um dos destaques do filme e, para muitos, uma das performances mais marcantes de sua carreira. Como Louise Banks, Adams transmite de maneira sutil e com grande sensibilidade a complexidade emocional da personagem, cuja jornada interna é tão importante quanto a externa. Sua interpretação é silenciosa, introspectiva e repleta de nuances, criando uma personagem que é ao mesmo tempo racional e emocionalmente vulnerável. A habilidade de Adams em equilibrar essas emoções, enquanto trabalha dentro de uma narrativa que exige compreensão das complexidades da linguagem e do tempo, é um testamento de seu talento.

Além de Adams, o elenco de apoio também é excepcional. Jeremy Renner, como o físico Ian Donnelly, oferece uma interpretação sólida, trazendo uma energia mais pragmática ao filme, o que contrasta com a abordagem mais emocional e intuitiva de Louise. Forest Whitaker, no papel de coronel Weber, apresenta uma performance convincente, como uma autoridade que também está tentando entender o que está em jogo diante do contato com os alienígenas.

A música de A Chegada, composta por Jóhann Jóhannsson, é uma parte integral da atmosfera do filme. A trilha sonora é etérea e melancólica, ajudando a intensificar o tom introspectivo da narrativa. As peças musicais, muitas vezes suaves e sutis, complementam a abordagem filosófica do filme, sem jamais se sobrepor aos elementos da trama ou da performance dos atores. A música de Jóhannsson, que mistura elementos eletrônicos com orquestrais, contribui para a sensação de imersão e mistério, refletindo tanto a incompreensão inicial da linguagem alienígena quanto a evolução da percepção de Louise sobre o tempo.

A sonoridade do filme também reflete a transição de Louise entre o caos do presente e o fluxo simultâneo de passado e futuro. A música é frequentemente usada para representar a desconexão temporal que Louise experimenta à medida que começa a entender a linguagem alienígena, tornando-se uma ferramenta de narrativa adicional que aumenta a carga emocional e filosófica do filme.

A cinematografia de A Chegada, sob a direção de Bradford Young, é absolutamente impressionante. O uso da luz e da sombra, bem como a escolha de cores, cria uma atmosfera tensa, mas ao mesmo tempo bela e contemplativa. As imagens das naves alienígenas, com seu design futurista e imponente, contrastam com o ambiente mais acolhedor e familiar da Terra, criando uma sensação de desorientação. Além disso, a forma como a cinematografia explora o conceito de tempo, com cortes não lineares e imagens que representam a percepção distorcida de Louise, é uma característica inovadora e eficaz do filme.

Os cenários também são cuidadosamente escolhidos, com a nave alienígena e os espaços externos retratados de forma a criar um contraste entre a vastidão do universo e a fragilidade da condição humana. A cinematografia, portanto, não é apenas uma ferramenta de estilo visual, mas um meio de reforçar os temas filosóficos do filme, como a relatividade do tempo e a comunicação entre diferentes formas de inteligência.

O roteiro de A Chegada, escrito por Eric Heisserer, é uma adaptação habilidosa do conto de Ted Chiang. Heisserer consegue manter a essência filosófica e intelectual do material original, ao mesmo tempo em que torna a história acessível ao público cinematográfico. O uso da linguagem como metáfora para a percepção e a realidade é central no filme, e o roteiro lida com isso de forma sofisticada, sem cair no didatismo. A história é não linear, mas a estrutura do roteiro nunca é confusa ou desnecessariamente complexa; ao contrário, ela serve para refletir as experiências da protagonista com o tempo e a linguagem.

O diálogo é preciso e significativo, frequentemente imbuído de camadas de significado. As conversas entre Louise e os militares, bem como suas interações com Ian, são repletas de subtextos que falam tanto sobre as dificuldades da comunicação humana quanto sobre os desafios da compreensão de algo verdadeiramente alienígena.

O final de A Chegada é, sem dúvida, um dos momentos mais poderosos e emocionantes do filme. Sem revelar muitos detalhes, o desfecho do filme oferece uma reflexão profunda sobre o livre arbítrio, o destino e as escolhas humanas. A revelação sobre a verdadeira natureza do tempo, a percepção de Louise sobre sua própria vida e as implicações filosóficas da linguagem alienígena oferecem uma conclusão arrebatadora que não apenas resolve o conflito narrativo, mas também desafia o público a reconsiderar sua própria visão do tempo e das experiências pessoais.

O final é também uma reflexão sobre a natureza da memória e da perda, com uma mensagem que combina esperança e melancolia. Ele provoca uma experiência emocional única, dando ao filme uma qualidade de atemporalidade que ressoa muito após a conclusão da história.

A Chegada é uma obra cinematográfica que redefine as possibilidades do gênero de ficção científica, oferecendo uma narrativa introspectiva e filosófica que explora os limites da linguagem e da percepção humana. Com um enredo envolvente e profundo, atuações excepcionais, uma trilha sonora envolvente e uma cinematografia impressionante, o filme de Denis Villeneuve se destaca como uma das mais sofisticadas e emocionais produções de ficção científica dos últimos anos. Ele não apenas desafia os convencionais filmes de "aliens invasores", mas também mergulha nas complexidades da comunicação e da experiência humana, estabelecendo uma conexão com o público muito além da ficção científica.

Com uma classificação de 94% no Rotten Tomatoes e uma pontuação de 81/100 no Metacritic, A Chegada foi amplamente aclamado pela crítica e se tornou um marco no gênero. O filme arrecadou mais de $200 milhões mundialmente, superando suas expectativas de bilheteira, e foi indicado a 8 prêmios Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, com a vitória de Melhor Edição de Som. A excelência técnica e emocional de A Chegada reafirma seu status como um dos maiores filmes de ficção científica da década.
João LGD Sousa
João LGD Sousa

2 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 21 de novembro de 2024
É inegável que o filme caminha por uma estrutura de roteiro agradável e desenvolve uma ideia muito interessante, intensificando no ritmo certo nas partes finais. O fluxo é um pouco lento, mas é plenamente justificável considerando a carga informativa que a obra precisa apresentar. Além disso, destaque para Amy Adams, atriz muito competente e com uma atuação admirável, com expressões que comunicam claramente seus sentimentos.
Meu problema com o filme não é a questão técnica: é necessário dizer que ela é muito bem aplicada, desde os efeitos de som, ganhadores do Oscar, quanto à fotografia, que acredito ter sido certeira quanto às impressões que sentimos e percebemos durante a exibição.
Minha dificuldade com esse trabalho é o princípio filosófico que ele traz. spoiler: Supor a ideia do tempo como algo cíclico, não linear, traz umas implicações metafísicas absurdas que são impossíveis de conceber até mesmo na ficção. Essa perspectiva Nietzschiana não encontra o menor fundamento e supô-la traria toda uma alteração de concepção da realidade que me fez enxergar a obra com muita dificuldade. Pode ser chatice da minha parte, mas por ser necessário para se aproveitar bem o filme, aceitar essa concepção temporal, acabo achando bobo o resultado final.

O filme é interessante de ser assistido, principalmente tecnicamente. Enxergo o final como engenhoso, porém o conceito decepcionante.
Gabriela Santos
Gabriela Santos

24 seguidores 452 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 17 de novembro de 2024
O filme vai além de uma ficção científica, fala sobre a importância da comunicação, sobre como linguagem e cultura influenciam nas sociedades. Causa uma reflexão sobre o tempo e as expectativas que criamos sobre nosso futuro.
Implantandosolucoes
Implantandosolucoes

4 críticas Seguir usuário

0,5
Enviada em 9 de novembro de 2024
Pior filme que já assisti na vida, não percam seus tempos com esse lixo. Filme sem sentido, pura enrolacao, não acontece nada de interessante e ainda é tosco
Karol Lucena
Karol Lucena

1 seguidor 10 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de setembro de 2024
Um filme bom porém complexo, não é pra todos. Tive que me esforçar um pouco pra compreender tudo o que estava acontecendo e a linha do tempo me pegou de surpresa. Um ponto incrível e original que me deixou intrigada foi a representação dos alienígenas, eles fogem do estereótipo de cabeças e olhos grandes, voz metálica e dedos compridos. Eles tem sua própria linguagem e a protagonista se esforça pra poder se comunicar, aliás, é sobre isso que o filme se trata; linguagem. Um filme genial pra quem gosta do gênero. Ele não é cheio de ação, não é bem um filme de apocalipse e invasão alienígena pra fins de guerra, ele é um filme com um objetivo e é bem inteligente.
SR SINCERO
SR SINCERO

3 seguidores 80 críticas Seguir usuário

0,5
Enviada em 23 de agosto de 2024
Ruim , muito fraco e tediante ! Nesses últimos dias só estou assistindo filme ruim cruz credo . Não assistam
Joao G.
Joao G.

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 17 de agosto de 2024
Nunca, em toda evolução humana, tivemos tantas ferramentas extremamente poderosas de comunicação e... nos comunicamos tão mal.

Este filme é monumento à filosofia da comunicação e todas as sofisticadas ciências que estudam a comunicação.

Quer se colocar no lugar dos nativos quando os europeus chegaram à América? Assista o filme, e terá um vislumbre do que representaria um contato nosso (povo originário da terra) com os colonizadores extraterrestres. kkkk
Recomendo muito.
Alexandre Martins
Alexandre Martins

1 crítica Seguir usuário

3,0
Enviada em 11 de agosto de 2024
spoiler: O filme começa muito bom, um toque de drama e mistério, um ambiente totalmente novo e com bastante mistério, tudo se desenvolve bem, cenas que te prendem e te faz sentir algo totalmente novo sobre filmes de ficção e aliens, o problema começa do meio pro final, começa aquelas visões chatas que o protagonista tem sobre o passado e blablabla, no final, o que era pra ser algo relacionado aos aliens e o mistério de estarem na terra, acaba voltando a focar na vida da protagonista, dando a entender que as visões não eram do passado, e sim do futuro, tudo que havia acontecido no inicio do filme, na verdade eram visões que ela tinha do futuro, os aliens somem sem mais nem menos, quando ela evita o ataque as naves, ligando pro general chines e falando coisas que a esposa dele disse antes de morrer, como ela sabia disso? ninguém sabe, um filme que começa bem, mas que acaba sem pé nem cabeça, um final bom na minha opinião? um aviso dos aliens que outros seres estariam chegando e que a terra deveria se juntar para combater ao lado deles, seria um final bem melhor e daria abertura pra uma possível sequencia, no mais é isto, vale a pena? definitivamente não.
Márcio Gonçalves
Márcio Gonçalves

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 30 de junho de 2024
Clássica ficção científica que une suspense, reflexão sobre a existência de vida extraterrestre altamente inteligente em relação aos humanos e muita emoção entre mãe e filha.
Anderson Genuino
Anderson Genuino

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de junho de 2024
Genial. A comunicação como forma de respostas. Indico a estudantes de letras. A origem das palavras e o poder que elas podem causar. Em um contato com UFO? Você falaria inglês, português, espanhol? Ou usaria seu corpo. Filme fino.
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