O novo e primeiro filme da revolucionária empresa californiana ( Netflix), chega com uma áurea de transmidia ao ser exibido, simultaneamente, na plataforma on demand e em cinemas selecionados. Beasts Of No Nation foi baseado no romance do autor descendente de nigerianos Uzodinma Iweala, e é um filme violento, que trata da perda de inocência de um garoto para a guerra africana. Foi escrito, dirigido e fotografado pelo versátil Cary Fukunaga, sim, o diretor da brilhante série True Detective. O longa é contado pela ótica de Agu (Abraham Attah) um garoto que vive o terror da guerra, e que vê sua família sendo morta pelas forças militares do país, se refugiando em uma milícia rebelde denominada de Força de Defesa Local (FDL), liderados pelo destemido Comandante (Idris Elba), logo, o filme todo vai tratar dessa conversão da infância perdida para o menino-soldado.
O inicio do longa já mostra de cara a qualidade da produção da Netflix, e como o serviço de streaming leva a sério suas escolhas artísticas. Temos no primeiro ato a figuração da inocência transmitida pela carcaça de uma TV velha, onde as crianças africanas brincam em meio aos destroços bélicos da guerrilha local. A criatividade das lentes de Fukunaga são de uma excelência cirúrgica, que em vários momentos nos remetem a pantanosa Louisiana de True Detective, assim como a composição fotográfica, capturando o ambiente natural e todo o peso da violência. Beasts Of No Nation tem uma narrativa integral de voice over, onde Agu transmite todo o sofrimento de sua vida sem nunca perder a fé e esperança, mesmo após a cerimônia de iniciamento a guerrilha, feita por um ritual religioso, ou mesmo diante dos abusos e contatos com as drogas, passagens que o transformaram em um menino-guerrilheiro cruel. O filme tem sua redenção no ato final, onde fica nas entrelinhas a vista da praia e um possível novo horizonte para os meninos de guerra.