O filme pode ser considerado uma alegoria dos conflitos internos do início ao fim,
visto que Maloire se mostra como uma pessoa, reclusa, pouco sociável e infeliz. Ao início do filme ela aparece pintando um quadro em sua casa, da qual não saía , o quadro, segundo a própria Maloire abordava a questão da falta de conexão entre as pessoas- um problema dela, inclusive-. A personagem parece ter medo de envolver-se emocionalmente, de relacionar-se com as outras pessoas, desse modo, grávida, entra em conflito consigo mesma, por não conseguir conceber a ideia de conviver/cuidar do outro. O caos inicia logo após a personagem principal sair da obstetra com um papel de adoção - oferecido pela médica quando percebeu que ela não sabia se estava preparada para ser mãe-, a partir daí sua vida tem um revés... ao longo da história, após ser resgatada e forçada a conviver com diferentes pessoas a mulher se mostra forte e desenvolve aos poucos sua sensibilidade ( fato sempre vinculado a evolução de sua gestão), o que pode nos remeter a questão da maternidade, da humanização vinculada à geração de uma vida. Após o nascimento de sua criança e a adoção de outra, ela passa ressignificar o mundo, mas ainda resiste à responsabilidade de ser mãe de doar-se, assim, guia seus filhos de forma cega até um lugar seguro ( olha que doidera, haha), lá dá nomes a eles e consegue resolver seu conflito. Ademaais, questão da cegueira e dos pássaros dá " pano pra manga" hahaha, é muito simbólico "deixar de ver para sobreviver" e ser avisado por pássaros -o símbolo da liberdade- dos perigos que podem ser enfrentados. Talvez, ao fim do filme Maloire tenha se libertado dos censores internos e dali pra frente poderá conseguir Ser e não apenas sobreviver.
O filme tem algumas falhas, alguns pontos não são bem desenvolvidos ao longo da história, o que incomoda um pouco, mas não reduz a maestria com a qual a alegoria foi estruturada.
Livro que me remeteu ao ver o filme " Ensaio sobre a cegueira" do Saramago.
That's all folks!
MM