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    Qualquer Gato Vira-Lata 2
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Qualquer Gato Vira-Lata 2

    Gente bonita em lugares bonitos

    por Bruno Carmelo

    De início, é importante afirmar que Qualquer Gato Vira-Lata 2 é um filme fácil. A trama se desenvolve de modo simples, os personagens não passam de estereótipos, os atores (geralmente de cueca, de biquíni, de sunga) são muito belos, passeando por cenários paradisíacos e vivendo romances previsíveis, combinados com farsas óbvias. Este é o ápice do cinema-distração, que não exige esforço do espectador, nem oferece uma recompensa substancial.


    Qualquer Gato Vira-Lata 2 - FotoA comédia apela para clichês e referências conhecidas pelo público, seguindo as regras de sucesso comercial da Globo Filmes: 1) Toda sequência deve se passar em outro país, de preferência um lugar altamente turístico. Até que a Sorte nos Separe 2 se situou em Las Vegas, De Pernas pro Ar 2 foi a Nova York, De Pernas pro Ar 3 vai a Paris, Meu Passado me Condena 2 vai a Portugal, e este filme escolhe o Caribe. 2) Sempre vale a pena trazer ex-namorados de surpresa na viagem para fragilizar a dinâmica do casal, como em Meu Passado me Condena e S.O.S. – Mulheres ao Mar. 3) A sequência deve adicionar personagens coadjuvantes e participações especiais de celebridades (Tatá Werneck em De Pernas pro Ar 2, Anderson Silva em Até que a Sorte nos Separe 2, e Fábio Jr. aqui).

     

    Em relação ao fraco filme original, Qualquer Gato Vira-Lata 2 apresenta um ritmo dinâmico e uma montagem mais eficaz. A fotografia torna-se lisa e publicitária, evitando a aparência de baixo orçamento da primeira produção – e incluindo propagandas pouco sutis de uma dezena de produtos. O som ainda sofre problemas (vide a captação dos diálogos na cena da praia deserta), mas quando as trilhas românticas e músicas caribenhas entram em cena, o volume aumenta rapidamente. Tudo é sublinhado e esclarecido para o espectador: não existe ambiguidade, sentido duplo, metáfora. Este é um filme alegremente superficial.

     

    Qualquer Gato Vira-Lata 2 - FotoA produção original primava por uma misoginia agressiva, através da tese do biólogo Conrado (Malvino Salvador), que defendia a importância da submissão feminina diante do macho dominador. A ideia não era criticada pela história, ao contrário – ela se mostrava eficiente, já que o homem racional e machista conquistava a ingênua e igualmente machista Tati (Cléo Pires). Na sequência, a jovem continua dependente das teses alheias, enquanto Conrado continua misógino. A novidade aparece com a importância da pseudo-feminista Ângela (Rita Guedes), sugerindo que uma mulher poderosa é aquela que “se valoriza”, faz ciúmes para o homem e demora antes de ceder aos charmes alheios – ou seja, uma tese não tão diferente daquela de Conrado, sugerindo que homens e mulheres têm seu lugar específico na dinâmica social, e não deveriam ultrapassar esses limites.

     

    De certo modo, Qualquer Gato Vira-Lata 2 propõe uma simplificação não apenas da linguagem cinematográfica, mas da visão de mundo e dos relacionamentos. Os adultos agem de modo infantil, a mulher militante nada mais é do que uma esposa traída, a amiga frustrada (Letícia Novaes) está de mau humor por falta de sexo. O prazer feminino, a homossexualidade, o sexo a três e o desejo sexual na terceira idade são tratados como algo digno de escárnio. Mesmo a importância da camisinha é abordada de modo pouco responsável. O roteiro consegue rir de tudo que fuja do modelo convencional e patriarcal de relacionamento, de preferência entre pessoas ricas, brancas, heterossexuais e tolas. Muitos espectadores defendem a comédia popular como algo apreciável contanto que se “desligue o cérebro” ao entrar na sessão. É isso que os personagens do filme fazem, e é isso que se espera do público.

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