Capitão América: Guerra Civil: Críticas - Página 4
Capitão América: Guerra Civil
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Flavio N.
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4,0
Enviada em 29 de setembro de 2016
O terceiro filme da saga do capitão da Marvel nos brinda com grandiosas cenas de ação, roteiro amarrado e ótimo alívio cômico, tudo isso, claro, sem sair da velha fórmula Marvel de fazer filmes.
Para quem tem acompanhado as produções Marvel desde o primeiro Homem de Ferro, lá em 2008, pôde presenciar uma evolução cinematográfica invejável nos filmes de super herói. Muito disso advém da considerável capacidade que o estúdio tem mostrado em misturar universos da famosa editora de quadrinhos, algo que fica ainda mais acentuado neste excelente Guerra Civil.
Como protagonista do longa, Steve Rogers / Capitão America (Chris Evans) já desponta como líder dos Vingadores, grupo que tem despertado a atenção dos políticos devido ao resultado de suas atuações sem "controle" externo a Shield. Após uma missão cujo resultado gerou, novamente, morte de civis, a comunidade mundial começa a questionar se o grupo realmente age de forma comedida e pensando no bem estar social. Como consequência, a ONU organiza um acordo multinacional chamado Tratado de Sokovia, no qual os super heróis poderão exercer suas funções sob total controle do governo, algo que dá início às desavenças entre Rogers e Tony Stark (Robert Downey Jr.).
Do ponto de vista narrativo, fica bem evidenciado como essa divergência entre o grupo mostra um amadurecimento estrutural dos longas Marvel, haja vista que existem questionamentos morais que direcionam ou afastam a escolha pelo tratado sugerido pela ONU. O desencontro de crenças nos deixa em certo pânico diante das telas, pois fica difícil escolher um lado pensando no bom senso, que tem medidas delicadas quando analisadas a fundo. Para os mais atentos, a capacidade em tentar contornar o problema através da política gera um elemento ainda mais profundo ao filme, que mostra esporadicamente como aqueles representantes do povo querem tirar proveito do momento com objetivo de se tornam relativos "heróis".
Ainda na vertente dramática, o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely faz algumas ponderações interessantíssimas ao juntar "pedaços" de filmes da produtora e casar com a estrutura deste Guerra Civil. Quem mais se aproveita dessa ideia é sem dúvida Tony Stark e o Soldano Invernal (Sebastian Stan), já que eles representam muito para a verdadeira história dentro do arco deste filme. Ambos tornam-se ainda mais complexos por serem vítimas de suas capacidades, que muitas vezes não são utilizadas como desejam.
Mas nem somente de drama e conteúdo coeso se sustenta o ótima longa dos irmãos Russo. Trata-se de uma produção que capricha no aproveitamento de seu orçamento sem limites, principalmente na ação e efeitos visuais muito bem aliados. A cenas de ação possuem uma complexidade e inventividade que salta aos olhos pelo capricho cinematográfico, aproveitando muito bem cada uma das habilidades do grande elenco de heróis. Perseguições, explosões, pancadaria e toda a pirotecnia hollywoodiana possível é usada de maneira inteligente e bem ajustada em planos que aproveitam bem cada ângulo, seja ele digital ou não.
O elenco liderado por Chris Evans e Robert Downey Jr. ainda traz consigo Scarlett Johansson (Natasha Romanoff / Viúva Negra), Anthony Mackie (Sam Wilson / Falcão), Don Cheadle (James Rhodes / Máquina de Guerra), Jeremy Renner (Clint Barton / Gavião Arqueiro), Chadwick Boseman (T'Challa / Pantera Negra), Paul Bettany (Visão), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff / Feitceira Escarlate) e Paul Rudd (Scott Lang / Ant-Man), Martin Freeman (Everett K. Ross) e William Hurt (Thaddeus Ross), ou seja, profissionais bons de serviço.
Apesar de usar muito pouco da imensidão narrativa da obra criada por Mark Millar, CAPITÃO AMÉRICA - GUERRA CIVIL usa maravilhosamente bem o conceito que o precede. A presença de grandes heróis da Marvel juntos, mas em conflito, rendem não somente diversão de sobra, mas a reflexão de como é complicado defender humanos comuns não sendo um humano comum.
Capitão América: Guerra Civil traz a tona algo que já vinha sendo construído a anos, desde o primeiro Vingadores quando nós já tivemos aquele primeiro estranhamento entre o Tony Stark e o Steve Rogers até finalmente vermos os heróis divididos por conta de seus pontos de vista diferentes.
É muito fácil compreender o ponto de vista de cada personagem a respeito da lei do registro, pois isso foi construído em todos os filmes anteriores, logo não era necessário muito desenvolvimento aqui e os poucos personagens novos o filme também sabe desenvolver com maestria. Tanto o Pantera Negra quanto o Homem Aranha dão um show, um tem uma motivação mais pessoal e brilha em todas as suas cenas enquanto o outro nos faz rir bastante com seu carisma.
O vilão do filme possui boas motivações e no fim consegue fazer o que tanto queria, apesar do seu plano depender de muitas conveniências. A direção dos irmãos Russo mantém aquele mesmo estilo do Soldado Invernal, sequências de ação muito bem coreografadas, bem editadas, e o destaque vai para a sequência do Aeroporto que foi a melhor já feita em um filme de Super Herói, outra sequência muito boa é a luta entre o Stark e o Capitão que é praticamente perfeita, só pecam um pouco pela câmera excessivamente tremida em alguns momentos mas dá pra relevar.
Há problemas nesse filme? A única coisa que me incomodou um pouco foi a computação gráfica, o filme usa muito CGI e em alguns momentos soa um pouco artificial, como na parte final da sequência de perseguição no túnel por exemplo, ficou muito nítido que aquele carro era digital pois ele nem capota muito, podiam ter dado um polimento melhor. No fim das contas, o resultado é um dos melhores filmes do gênero e mais um ótimo trabalho da Marvel, digno de aplausos.
Com o início de uma de suas tramas, o filme traz um ar de suspense, deixando coisas em vago, mas que logo seriam explicadas. Tendo ótimas sequências de lutas, corpo a corpo, sendo essa a especialidade dos irmãos Russos. Um ótimo desenvolvimento de história, tendo alguns furos de roteiro, pois alguns atos são mal ou deixam de ser explicados, deixando o telespectador com o pensamento "por que isso? como ele fez isso?", coisas um tanto quanto mal explicadas, mas que não afetam drasticamente a história e seu desenrolar, com plosttwists pra dar e vender. Os dois novos personagens são muito bem introduzidos na trama, dando para um em específico, um peso emocional e uma ligação afetiva com o público. Um filme com três tramas densas seguidas de pequenas tramas, que deram-lhe um plano sequência devido os personagens, e assim finalizando com uma incrível cena de luta, com um enorme toque dramático. Um final complicado e difícil de entender, se as coisas entre a equipe dos Vingadores, voltaram ao normal, ou não...
É um filme sensacional! O modo como a história é desenvolvida e acima de tudo a dinâmica dos combates é de encher os olhos! Melhor filme do gênero tanto da Marvel quanto de 2016!
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