Vingador VS Vingador
Como era de se esperar, novo filme da Marvel Studios agrada
Desde o primeiro filme, o Capitão América mostrava ser um grande personagem dentro do universo da Marvel Studios. Talvez, o mais interessante. Isso se confirmou com o ótimo “Capitão América: O Soldado Invernal” que, de longe, foi o melhor filme do estúdio. Dessa forma, era de se esperar grandes coisas de “Capitão América: Guerra Civil” (Captain America: Civil War, EUA, 2016) em cartaz no país desde essa última quinta-feira. Porém, o filme desaponta por não se levar a sério a maior parte do tempo.
Depois dos acontecimentos catastróficos de “A Era de Ultron”, os governantes estão com receio sobre o grupo dos Vingadores, que agem de maneira independente causando inúmeros incidentes. 117 países resolvem celebrar um pacto para que a equipe de super-heróis seja monitora e só entre em ação caso seja chamada. Colocada a oferta para os membros dos Vingadores (ou uma parte deles), o grupo se divide. Em um lado, temos como principal representante: o Capitão América (Chris Evans) que não aceita assinar o tratado por considerá-lo como uma forma de manipulação. No outro, temos Tony Stark (Robert Downey Jr.) que acredita que a equipe realmente precisa de uma supervisão. Quando o nome de um amigo do América, Bucky (Sebastian Stan) surge nos noticiários como o responsável por um ataque terrorista, a equipe termina de se dividir de vez.
A premissa lembra um pouco as questões levantadas em “Batman VS Superman: A Origem da Justiça”, porém, trabalhada de uma maneira diferente. Enquanto no longa da DC o clima era pesado e a montagem pecava em alguns momentos, em “Guerra Civil” o clima apresentado é mais leve – comum nos filmes da Marvel. E é aí onde mora o maior calo do filme. O roteiro, ótimo na maior parte do tempo, quer a todo custo inserir piadinhas. Algumas realmente funcionam e estão no lugar certo na hora certa. Porém, muitas soam totalmente equivocadas e fora do lugar, quebrando o clima sério em que os personagens estão inseridos.
Uma coisa que o roteiro tirou de letra foi mostrar bem cada personagem. Um grande mérito que eu não poderia deixar passar em branco. Pois, o longa mostra capa um dos vingadores, explorando seus medos, seus objetivos, o que deixa claro a escolha de cada um deles. Isso dá à trama uma força emocional que eleva seus méritos. Aliás, se tem algo que a direção dos irmãos Anthony e Joe Russo fazem muito bem são as cenas de ação. Trata-se de batalhas tão planejadas esteticamente que é fácil entender o que está acontecendo, isso, dando ênfase para cada integrante dos vingadores, mostrando seus poderes e interação com os outros. As coreografias buscam uma identidade dos personagens, algo que Jason Bourne fez com louvor. É fácil, por exemplo, detectar golpes que só a Viúva Negra (Scarlett Johansson) faz, ou, a forma meio sem jeito do Capitão América lutar.
O elenco está melhor como nunca antes. Destaque para Chris Evans, que assume um grande lado da trama. É realmente plausível a maneira que ele guia o seu personagem, mostrando sua determinação aliada à sua bondade. Todavia, confesso que na maior parte do tempo Robert Downey Jr. não conseguiu me convencer na maior. Creio que tenha ficado muito no piloto automático até o último ato do longa.
A aparição do novo (mais um...) Homem-Aranha (Tom Holland (III)) não foi uma surpresa. Nem sequer consigo descrever como foi chato vê-lo sem uniforme, achei que tudo estava perdido. Porém, quando ele vestiu a roupa do aranha, realmente me empolgou. O Pantera Negra, porém, é uma das maiores surpresas do filme. Vivido por Chadwick Boseman, trata-se de um personagem tão interessante e tão bem construído, que facilmente ele consegue roubar a cena e cativa com a mesma facilidade.
Segurando o clima parcialmente sério, temos a trilha sonora de Henry Jackman, que também havia feito a trilha para o “Soldado Invernal”. Sem trazer nenhum momento realmente forte, a trilha opta por deixar a ação mais intensa e o espectador sem tirar o olho da tela.
Falar do uso do 3D nesses filmes da Marvel já se tornou repetitivo para mim... Mas volto a dizer: é inútil. Por fim, não queria comparar, mas depois de tanta briga por fãs e do massacre da crítica, não achei o “Guerra Civil” nem melhor nem pior que o “Batman VS Superman”. Se um exagerou demais no clima sombrio, o outro o fez na falta de seriedade. Um equilíbrio é o que eu acho mais ideal.
Nota: 7.0