A maior vulnerabilidade de seu protagonista se tornou algo marcante na filmografia de Craig como 007. Contudo, é realmente aqui que isso assume um verdadeiro caráter de valoração desses sentimentos afetivos em detrimento da espionagem em si. Nesse sentido, Sem Tempo Para Morrer acaba sendo muito mais uma tragédia romântica do que um filme de ação.
A sequência pré-créditos entre Bond e Madeleine já articula o tom do filme. É uma cena que possui todo o dinamismo na encenação violenta, característico da franquia, mas que se encerra numa nota melodramática ao melhor estilo Brief Encounter. Interessante perceber que, mesmo com toda a inovação tecnológica que a mise-en-scène de ação contemporânea carrega, o romance agregado a isso ainda encontra força na simplicidade de uma despedida de trem.
A atitude de Bond no filme evidencia muito essa maior preocupação com o lado afetivo e, se por um lado funciona muito bem no melodrama, por outro prejudica o envolvimento mais próprio na ação frontal do filme. Não me parece um filme que consegue se renovar tão bem na progressão do aspecto cênico da ação. São poucas as cenas que realmente conseguem sobreviver pela peculiaridade dos cenários ou mesmo pela imprevisibilidade do que acontece. Talvez o grande momento nesse sentido seja a sequência que se inicia na casa de Madeleine e resulta no confronto na floresta.
Isso se torna problemático tanto por sua longa duração, quanto pela grande quantidade de personagens que passam em tela, nem sempre mantendo a narrativa num ritmo que realmente envolva. Na verdade, o tamanho do filme acaba se justificando muito mais pelo alongamento das despedidas, progressivamente inevitáveis, do que pela ação intrincada e de difícil resolução.
Com certeza o melhor aspecto do filme de Fukunaga está na maneira como ele concilia o senso de dever, característico de Bond, com uma atitude bastante evidente de maior preocupação com o que é periférico aos seus objetivos como agente. "Será rápido" é uma frase frequentemente proferida aqui pelo protagonista em situações aparentemente complicadas. Seus gestos e expressões evidenciam um descolamento daquela ação imediata, uma preocupação com algo que não se manifesta frontalmente, um lado mais humano e, de modo progressivo, mais importante.
Podemos perceber isso já na anteriormente citada sequência pré-créditos, durante a cena de tiroteio no seu carro blindado. A atitude de Bond não se justifica somente pela postura calculista de um agente experiente. Sua inação momentânea sugere um devaneio causado pela suposta traição afetiva que teria motivado tudo aquilo. A ação violenta do filme entra numa espécie de suspensão que é bastante peculiar, como se fosse necessário um momento de reflexão ao que tudo aquilo significa para o protagonista.
Mas é na sequência final que essa ideia se consolida. Chama a atenção como a mise-en-scène e a montagem conseguem articular bem essa situação de personagem ilhado. Com todas as suas ajudas e elos afetivos já distantes e seguros, Bond se entrega a uma ação como purgação final de seu personagem e, por fim, ao fatalismo da impossibilidade de volta.
Do vilão principal até seus agregados, há uma importância apenas superficial. O próprio discurso final do personagem de Malek é muito mais sobre Bond do que sobre ele mesmo. Seu discurso e a composição visual do quadro nesse cenário saído de uma tragédia grega trabalham para ressaltar o melodrama fatalista.
Paradoxalmente, o final da saga de Craig não é, então, sobre o que acontece com seu personagem, e sim sobre o legado que ele deixa. As escolhas dramáticas e estéticas de Fukunaga trabalham num melodrama não como mero subproduto da ação característica, mas como razão para existência da mesma.
Gostei bastante. Filme com boas cenas de ação, divertido e com diálogos inteligentes. O que achei bem amador foi o fato de o vilão Lyutsifer , que na vida real é um ator de 40 anos, ter sido o responsável por matar a família de Madeleine (namoradinha de 007), quando ela era criança, sendo que ela, na vida real, é uma atriz de 36 anos. Não sei se consegui me explicar bem. Mas, quem assistiu ao filme certamente notou em gafe amadora.
Assisti no cinema em 6 de outubro de 2021, achei um filme fraco, o Problema não foi o Final, o problema mesmo foi a total Descaracterização do Personagem, simplesmente Desconstruiram o Fodastico James Bond, nesse Filme em questão em grande parte do longa metragem ele é quase um "Coadjuvante", pela primeira vez vi um James Bond "Babá", cuidador de crianças, horrível ! Ele que antes era um cara extremamente sedutor, e frio com as mulheres, nesse filme ele é um cara extremamente meloso, apaixonado daqueles de início de namoro, que decepção, O Feminismo, e o Politicamente correto destruíram esse Filme, deveria ter terminado a era Daniel Craig no "Spectre"(2015), seria mais honroso, tivemos um James Bond Banana, meloso e carente nesse Filme, péssimo ! Para quem quer ver a Melhor versão de James Bond, Recomendo assistir aos Filmes do Sean Connery, aquilo sim era 007/James Bond de verdade !, que absurdo virou 007, Decepcionante.
Maravilhoso! Este filme mostra um outro lado do James Bond Que está mais sensível, mas ao mesmo tempo impiedoso. Fechou com chave de ouro a série do Daniel Craig.
Uma das melhores atuações do Daniel Craig como Bond, foi um final de ciclo muito digno. O filme é cheio de lembranças dos filmes passados e, apesar de longo, prende a atenção a todo momento.
Estamos diante do melhor filme do Bond de Daniel Craig, uma despedida épica para o melhor 007 dos cinemas, Filme incrível com uma despedida espetacular para Craig, único ponto fraco e desnecessário do filme é o péssimo vilão de Rami Malek, que nas duas primeiras aparições até chega assustar um pouco, mas quando conta suas motivações fica um personagem caricato e obvio, mas é algo que não atrapalha o final épico e histórico desse personagem.
"Eu deveria saber que eu partiria sozinha. Isso só mostra que você só sangra o sangue que você deve" - No Time to Die
James Bond retorna para a sua queda. Afinal, nem de ascensões somente vivem personagens icônicos. O que torna a equação diferente dessa vez é um fato: o agente 007 se apaixonou ao ponto de abrir mão de tudo em prol de seu amor. Contudo, a bela face oculta seus segredos sombrios. O filme explora mais aventuras, em inúmeros atos, diversificados cenários. As informações são tão disparadas que, por vezes, o espectador pode se sentir sobrecarregado. Sobre o elenco, Daniel Craig demonstra uma ótima construção do personagem durante os cinco filmes, mantendo-se consistente. Léa Seydoux entrega a parte mais passional do filme, mostrando uma nova faceta de sua personagem. Os olhos do espectador vão se agraciar muito com a nova 007 Lashana Lynch, com inúmeros adereços e looks que marcam uma presença, além da atuação excepcional. Outra surpresa do filme trata-se de Ana de Armas, que rouba a cena durante sua pequena participação. Os diálogos são bem trabalhados. O que soa um pouco deslocado é o próprio vilão do filme, interpretado por Rami Malek, que, novamente, não deixa a desejar em sua atuação, porém a profundidade de seu personagem é bem questionável. Em meio a inúmeros conflitos, tecnologia avançada e uma arma biológica a solta, vislumbramos o agente ser tomado cada vez mais por sentimentos de amor, o que até então não se era demonstrado, afinal Bond Girls eram meramente descartáveis. Isso é um mérito, assim como a introdução, ao decorrer da franquia, de aberturas lindas e com músicas originais que regiam o filme. O final desta história...? Pode deixar um gosto amargo na língua de uns, para outros pode dar um efeito de dever cumprido para essa trajetória. Infelizmente, faço parte das pessoas que não se resignaram com o fechamento desta saga. Durante longos anos, 007 foi uma história contada várias vezes e permanece ainda tendo o seu charme no momento em que se atualiza. Questiono-me se, após a finalização desta saga de Craig, o espião encontraria novamente mais fôlego para prosseguir com um novo protagonista. A resposta fica para o futuro.
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