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    Duas Irmãs, Uma Paixão
    Críticas AdoroCinema
    1,0
    Muito ruim
    Duas Irmãs, Uma Paixão

    Poesia sem alma

    por Lucas Salgado

    Friedrich Schiller foi um poeta e filósofo alemão do século XVII. Ele é um dos símbolos do romantismo europeu, ao lado do amigo Goethe. Duas Irmãs, Uma Paixão é uma espécie de cinebiografia não oficial do autor, focando sua atenção em uma relação não confirmada por biógrafos oficiais. Trata-se basicamente da versão da história de Schiller pelo diretor e roteirista Dominik Graf (Um Amor Além do Muro).

    Duas Irmãs, Uma Paixão - FotoÉ importante destacar que o problema do filme está longe de ser o fato de contar uma história não confirmada, afinal o cinema pode se dar liberdades. O problema é que a história simplesmente não é boa. A trama é simples (como resume o título nacional): duas irmãs da elite alemã se apaixonam pelo mesmo homem, o poeta Friedrich Schiller. Ao invés de competirem por ele, elas dão início a um triângulo amoroso improvável.

    Se fosse bem trabalhada, a premissa poderia até resultar em algo interessante, mas não é este o caso. Tudo é muito banal e mal executado. As belas Hannah HerzsprungHenriette Confurius, que vivem as irmãs Caroline e Charlotte, não comprometem, mas também pouco ajudam. Já Florian Stetter entrega uma performance ruim e totalmente sem carisma. E pior, sem alma. E olha que estamos falando de um grande poeta. 

    Duas Irmãs, Uma Paixão - FotoO longa foi escolhido para representar a Alemanha na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015. O que deixa a pergunta: será que não teve nenhum filme alemão melhor que este em 2014? Difícil de acreditar. Estamos diante de uma obra superficial, desinteressante e pouco envolvente. Um melodrama sem fim, que conta com 138 minutos de duração. A direção, a montagem, as atuações... Tudo é tão mal desenvolvido que a impressão é que estamos diante de um longa de quatro horas de duração.

    Duas Irmãs, Uma Paixão retrata algumas das mudanças que a Europa sofreu no século XVII e no início do XVIII, mostrando, por exemplo, a modernização do processo de impressão. Mas tudo é deixado de lado em prol do romance, inclusive o valor da obra de Schiller. Mais uma vez, não há problema em mudar o foco, o problema é não saber desenvolvê-lo. E é o que acontece aqui. Não descobrimos nada sobre o poeta e também não nos envolvemos o bastante para se importar com sua vida romântica. Ao longo da projeção, a única torcida é para que o filme acabe logo. 

    Para não dizer que trata-se de um longa sem virtudes, é importante elogiar os trabalhos de direção de arte, figurino e maquiagem. Visualmente, há um bom trabalho de produção. Pena que o roteiro e a direção não sigam o mesmo caminho.

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