Engraçado como no início do filme eu tava bem incomodado com algo que eu nem sabia o que era. Sei lá. Talvez falta de identificação com aqueles personagens, talvez o sotaque... Mas o filme vai crescendo de forma absurda, tal que quando terminou eu só consegui pensar em "obra-prima, obra-prima, obra-prima". Tem umas coisas que me incomodam na história (a forma como o término do relacionamento do protagonista com Sofia nos é apresentada, por exemplo), mas Kleber Mendonça Filho é tão bom diretor que nos distrai o tempo todo com truques de filmagem e mudança de foco, tal que, quando acontecem essas coisas estamos completamente imersos na história, esperando a próxima sequencia (apesar de algumas, como aquela em que João e Sofia vão até a casa do avô, me soarem um tanto quanto desnecessárias).
Que fotografia! Que direção de arte! Que histórias! Que mise-en-scene! Kleber Mendonça Filho é um mestre. A única coisa que, tecnicamente me incomodou foi a atuação de alguns atores. Gustavo Jahn não é bom ator, não sei pq Kleber foi escolher esse cara. Ele não parece à vontade com o personagem, nem a garota que faz a Sofia (cosplay de Maria Flor). É perceptível que Mendonça está o tempo todo segurando a atuação nas rédeas curtas, mas simplesmente falta talento. Fiquei o tempo todo imaginando o personagem sendo interpretado por um ator no nível de Gustavo Machado, por exemplo. Por outro lado, Maeve Jinkings é uma coisa MARAVILHOSA. Que atriz, meu Deus!!!!! Ela consegue brilhar - e roubar o filme pra ela - até com cenas de pouca expressão.
O Som Ao Redor é um filme de imagens. De imagens sobre um cotidiano que talvez crie uma menor identificação em habitantes de fora de Recife, ou talvez uma difícil interação com pessoas que vivem mais a sul do país, mas ainda bem que isso não impede na apreciação de uma obra tão bem feita e tão fundamental no Cinema brasileiro. E é lindo que um filme tão bom como esse esteja rodando o mundo e conquistando prêmios por aí.
O Cinema Nacional precisa de mais diretores como Kleber Mendonça Filho
A direcao fica meio perdida, a atuacao dos atores, varios deles amadores, e excelente O telespectador fica todo o tempo aguardando um desfecho q ao final não chega
depois de um bom tempo "digerindo" as reflexões do filme, aconselho que assistam, o cinema nacional produz sim excelentes filmes ,infelizmente muitos não tem o espaço necessário para sua divulgação e acabam ficando no ostracismo, escondido do "grande público", neste filme não tem atores globais, nem efeitos especiais, não possui cenas dramáticas, nem vampiros de olhos azuis, não foi indicado ao óscar, tampouco aquelas cenas de ação hollywoodianas, o cenário é o nosso dia-dia, os atores são pessoas comuns como a maioria, mas o conteúdo garanto que é dos melhores, fala daquilo que está a nossa volta e passa desapercebido aos nossos olhares.
Até agora eu estou me perguntando: afinal, qual o propósito do filme? Esse longa nada mais é que o recorte de várias situações cotidianas que foram colocados umas atrás das outras sem construírem nexo entre si. Sinto que perdi mais de 2h da minha vida para nada.
Muitas pessoas se perguntam por que o filme tem sido tão elogiado se, afinal, as cenas trazem algo tão cotidiano. É isso: a trama tem foco num dia a dia que, lamentavelmente, ainda passa despercebido e por meio do qual contrastes sociais seculares perpetuam suas raízes com a explosão urbana. Uma cachoeira de sangue onde se banham um anacrônico - e, paradoxalmente, atual - senhor de engenho e seu neto "gente fina". Mas, na trama - como na História -, onde há coronéis, atua o cangaço!
Um filme que retrata a vida cotidiana. O defeito fica no frágil e inexplicado trama central dos 2 seguranças. Vale a pena assistir mesmo assim. Um retrato da classe média recifence, onde as sombras do coronelismo ainda estão bem presentes.
O começo é bem lento e meio tedioso, mas vai ficando melhor ao decorrer da trama. É um filme super simples que mostra o cotidiano das pessoas, mas samba na cara de muitos filmes cheios de efeitos e com histórias mirabolantes. Apesar de não ser muito fã de filmes do gênero e de estar acostumada com os filmes de Hollywood com enredos mais apressados, gostei bastante, e também entendi porque tantas críticas boas. Altamente recomendado.
Eu sempre desconfio quando vejo uma crítica muito boa de um filme no jornal. É oito ou oitenta. Ou amo ou odeio. É porque crítico de cinema adora alguns filmes de arte, chatíssimos, que só agradam a meia dúzias de criaturas. Será que é desse tipo de filme que estamos comentando aqui?
O Som ao Redor é um filme de baixo orçamento, rodado em Recife, Pernambuco, com atores pouco conhecidos. O roteiro é muito interessante, e bem desenvolvido pela direção. Os atores têm ótimas atuações, extremamente realistas e naturais. É um projeto inteligente e muito bem executado. Porém, isso não significa dizer que o resultado seja um filme que agrade ao espectador. Se você não tiver muita paciência, levantará da poltrona e irá embora no meio do filme.
Sabe aquele filme em que nada acontece? Você vai assistindo na expectativa de que de repente alguma coisa importante vai acontecer, mas nada acontece! É isso, essa é a proposta e o ritmo do filme, durante 133 minutos de projeção. O filme todo segue um ritmo completamente letárgico, mostrando a vida cotidiana de alguns moradores de uma rua classe média do Recife. Todos os personagens parecem viver um estado de profunda depressão.
Tudo que acontece no filme é apenas uma preparação para o desfecho final. É verdade que você chega lá no final sem nenhuma pista do que vai acontecer. O grande problema é que a essa altura você já não quer que nada aconteça, só que o filme acabe!
É um roteiro inteligente e bem executado. Mas será que só isso justifica um filme de 133 minutos de total monotonia? Letargia total.
Dentre os filmes da retomada, esse especificamente me chama atenção pela sua grandiosidade artística, traz ao telespectador uma leitura consciente e atual da conjectura social da capital pernambucana. Kleber Mendonça Filho impressiona pela sua simplicidade e beleza com que retrata sua ficção que muitas vezes se mistura a uma espécie de crônica da vida real.
Fico muito feliz pelo talento desse conterrâneo que muito acrescentou a lista dos já consagrados filmes do cinema contemporâneo levando Pernambuco ao centro do cinema mundial.
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