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    Qualquer Gato Vira-Lata
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Qualquer Gato Vira-Lata

    COMÉDIA SEM PEDIGREE

    por Roberto Cunha

    Levar uma peça de teatro para o cinema nem sempre é tarefa das mais fáceis. Se ela foi bem no formato original, como o sucesso "Qualquer gato vira-lata tem a vida sexual mais sadia que a nossa”, lançado em 1998 pelo ator e dramatugo Juca de Oliveira, o risco fica maior ainda.

    Tati (Cléo Pires) é uma jovem cegamente apaixonada pelo namorado Marcelo (Dudu Azevedo), até que surge o famigerado “vamos dar um tempo”. Aí, ela acaba conhecendo um professor de Biologia (Malvino Salvador) e pede para ser cobaia na defesa da tese dele sobre as conquistas entre as espécies, principalmente, os humanos. O objetivo dela, claro, é reconquistar o playboy mimado, enquanto o dele é comprovar a teoria sobre o fim dos relacionamentos, mas alguma coisa acaba acontecendo entre a pupila e o mestre.

    Com um índice de previsibilidade alto, o filme tem uma abertura caprichada, coisa e tal, mas o roteiro tenta explorar a questão da posição da mulher na relação macho / fêmea de uma maneira muito rasa, rápida e o resultado é inconsistente. Soa falso uma jovem moderna nunca ter ouvido a teoria de que o interesse do outro é proporcional ao desprezo que recebe, artifício usado pelas mulheres há séculos. E a coisa só piora com personagens e situações estereotipadas, como o ciumento amigo Magrão (Álamo Facó) e seus bordões repetitivos ou a insistência boçal em fazer brincadeira com um DVD pornô. As cenas com o Chevette velho do professor são todas - sem exceção - de amargar. Se passasse uma "carrocinha" pelo roteiro, seriam levadas facilmente.

    De qualquer maneira, não dá para dizer que a estreia de Tomás Portella na direção seja um caso perdido. O elenco está coerente com a proposta simples e o destaque vai para uma cena envolvendo o trio principal e um ponto eletrônico, digna de Blake Edwards (A Pantera Cor-de-Rosa) e que poderia render mais.

    Entre as curiosidades, uma ponta de Rita Guedes, que fazia o personagem principal na peça, e para a inserção na trilha sonora da música “I Touch Myself”, polêmico sucesso do grupo de rock australiano Divinyls, nascido no auge do new wave dos anos 80.

    Assim, a produção pode até agradar os menos exigentes, principalmente, os que não viram o espetáculo, estão com o riso frouxo e buscam algo leve. Em contrapartida, tem chances de parecer bobinha demais para outra parcela do público, que vai considerar o conteúdo com prazo de validade vencido, resultando numa comédia romântica sem pedigree.

    Assista o trailer, veja fotos e curiosidades em Qualquer Gato Vira-Lata.

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