Elenco, direção e produção globais. Um produto destinado a dar lucro. Até aí, nada demais. Se nós somos obrigados a digerir uma série de enlatados de países do exterior, por que o nosso mercado não poderia recepcionar positivamente esta refilmagem popular do mexicano "Sexo, pudor e lágrimas"? A resposta do público tem sido positiva. O resultado final é de valor artístico questionável, porém vale como passatempo. A trama envolve os casais Carlos (Murilo Benício) e Ana (Malu Mader) de um lado, e Miguel (Caco Ciocler) e Andréa (Alessandra Negrini), que, por sinal, são amigos e moram próximos uns aos outros. Carlos se descuida de Ana por estar unica e exclusivamente preocupado em escrever um livro. Pinta na parada para desequelibrar de vez a relação do casal, Tomás (Fábio Assunção), ex-namorado de Ana e amigo de Carlos. Tomás é o pilantra na verdadeira acepção da palavra. É bonito, enrolador e bom de cama, não necessariamente nesta ordem. A atuação de Fábio Assunção é merecedora de todos os elogios, pois ele encarna a figura do malndrão-comedor. Nem Andréa, ex-modelo fotográfica, cujo casamento com Miguel está em crise, escapa de suas garras. Alessandra Negrini também compõe uma personagem cheia de histrionismos típicos daquela mulher que não sabe bem o quer da vida. Boa atuação. Já Murilo Benício é mau dirigido e tem uma interpretação lamentável como o pseudo-intelectual Carlos. Uma trilha sonora de um filme brasileiro contemporâneo que perfile músicas de Paula Lima, Ed Motta, Jorge Benjor e Luciana Mello também merece elogios.