Teria sido mais fácil e melhor para a história aproveitar aquele joguinho de PlayStation 2 no qual o Sr. Incrível e o Gelado se unem para derrotar o Escavador (e poderiam até melhorar, botando toda a família do Sr. Incrível na luta também). Por quê? Por que esse filme 2 é uma piada completa. Nada mais é do que o mesmo esquema do filme 1, com um verniz enjoativo. Vamos lá:
No fim do filme 1, todos nós ficamos cheios de expectativa para ver como a família Pera vai derrotar o Escavador. Todos os filhos, incluindo o bebê Zezé, colocam as máscaras para se unir aos pais. E o que fazem no filme 2? Colocam a Mulher-Elástica super preocupada com a segurança dos filhos e os tira da luta. Ué? Mesmo jovens, Violeta e Flecha enfrentaram uma cambada de capangas ARMADOS do Síndrome, sozinhos. Zezé, ainda bebê, derrotou o Síndrome. Foi uma desculpa bem porca para arrumar um conflito inicial para o filme. A tal luta com o Escavador acaba na fuga do vilão e todo mundo desmoralizado. Anos de espera para esse conflito e temos essa DECEPÇÃO.
Quase todos os membros da família Pera foram estragados:
Mulher-Elástica: no filme 1 era uma mulher responsável e inteligente, capaz de bolar planos rapidamente para salvar o marido, os filhos, e a cidade; no 2 virou uma arrogante hiper-chata (com direito a discursinho clichê contra o machismo e uma trupe a chamando de "empoderada" numa época em que essa palavra usada ad nauseam hoje em dia nem existia). No filme 1 ela fez uma piadinha de leve falando em "não deixar o mundo ser salvo pelos homens", mas bem descontraído e de leve. Agora ela virou, literalmente, uma Kéfera (mas menos chiliquenta).
Sr. Incrível: no filme 1 era corajoso e soube lidar com a baita pressão psicológica das descobertas dos perigos da ilha (ver os heróis mortos, ser capturado, assistir ao vilão mandando um míssil contra sua família e não poder fazer nada, etc.). Além disso, ele adorava a vida de herói, e casou com uma heroína em quem confiava. No 2, além de terem inventado uma "inveja machista" para ele (pela Mulher-Elástica tendo sido escolhida para a missão), ele virou um bananão que se estressa cuidando dos filhos. Que piada batida, hein? Foi o máximo que deu para inventar? Engraçado que se um filme mostra a mulher em casa cuidando dos filhos é machismo. Mas agora estão querendo dizer que os homens não sabem cuidar dos filhos e é preciso a mulher para isso? Decidam-se logo.
Violeta: no filme 1, ela era uma menina insegura e introvertida, mas ao mesmo tempo doce e respeitosa com os pais. O desenvolvimento dela foi maravilhoso, descobrindo seu verdadeiro potencial e adquirindo coragem. No 2, ela virou o estereótipo de aborrecente rebelde sem causa. Tornou-se uma personagem chata, irritante e fútil, nada a ver com a Violeta original.
Flecha: não mudou muito em relação ao filme 1.
Zezé: inventaram mais uns poderes para ele (como atirar raio laser dos olhos) só para fazer graça (sem sucesso). Fizeram o mesmo ter alguns surtos só para mostrar esses poderes. As cenas dele parecem copiadas do Baby da Família Dinossauros, com a única diferença é que o Zezé ainda não fala.
No geral, o roteiro é uma cópia do primeiro: um herói (agora a Mulher-Elástica no lugar do Sr. Incrível) é contratado para uma missão de derrotar um vilão, é pego de surpresa quando descobre quem é de fato o vilão, e depois precisa ser resgatado pela família. Não tem problema repetir a base de um filme (a Pixar soube fazer isso com maestria em Toy Story 2). O problema é gastar todo o orçamento do filme com marketing (a propaganda desse filme durou anos) e depois escrever uma história idêntica à do primeiro, substituindo as partes boas por cenas genéricas e propaganda de pensamentos que o público-alvo (as crianças) NÃO SE INTERESSA. Sinceramente, a menos que a criança seja filha de um militante, ela não está nem aí para "mundo machista", "empoderamento feminino" e essas coisas. Criança quer ver o bem vencendo o mal.
Suspeito que o Brad Bird estragou a própria obra por culpa da pressão dos militantes chatos (os dos EUA são piores que os do Brasil). Ainda em 2004, uns lunáticos que veem ideologia em tudo acusaram o filme de ser "de direita". Revi "Os Incríveis" várias vezes e estou até agora procurando a tal "mensagem de direita". Sim, os mesmos lunáticos que acusaram "O Espanta Tubarões" de ser "racista" acusaram "Os Incríveis" de ser "de direita". O que lhes incomodou? O fato do Sr. Incrível ser um pai preocupado com o bem-estar da família e da sociedade onde ele vive? A Mulher-Elástica ser uma esposa e mãe dedicada? Mesmo o Brad Bird dizendo que ele mesmo é de centro e não liga para política, o pessoal não sossegou o facho e ele teve que pagar esse pedágio ideológico para a turma que atualmente impera a Disney/Pixar. Daí temos Mulher-Elástica feminista contra o mundo machista, Sr. Incrível provando que as mulheres são melhores que os homens em tudo, e blá blá blá. A única coisa fora do padrão militante no filme é que a vilã é uma mulher e a Mulher-Elástica precisou ser salva pelo Sr. Incrível, provando que as mulheres são humanas, e logo podem ser vilãs também, bem como podem precisar de ajuda. E olha que a vilã desse filme não chega aos pés do Síndrome, tanto em termos de desenvolvimento quanto em plano diabólico.
No geral, é um filme dispensável. O pessoal que está aplaudindo na "crítica especializada" só o faz porque é da Pixar e o filme paga pedágio ideológico para eles. Porque, como eu disse, isso nada mais é do que a base do filme 1 com um verniz nauseante. Melhor assistir só o 1 e jogar o joguinho de PlayStation depois. Ou então veja o filme do Pelé que você ganha mais.