Alan Turing foi um daqueles gênios que contribuiriam para a história do mundo com seus amplos conhecimentos, deixando um legado para que nós déssemos continuidade e um sentido positivo para as suas descobertas. Mas ainda que gênios sejam considerados pessoas diferentes, eles são seres humanos e tem seus problemas. Exaltado pela sociedade como o ‘pai da computação’ e por ter salvado milhões de vidas durante a Segunda Guerra graças a suas conquistas, ele foi igualmente excluído pela mesma após declarar-se homossexual. Adaptado do livro Alan Turing: The Enigma, O Jogo da Imitação é a história verídica de como um homem imerso em tantos segredos, esqueceu-se de desvendar o seu.
Em meio a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico decide montar uma equipe, na qual o objetivo é decifrar a Enigma, uma máquina alemã responsável por emitir códigos criptografados aos nazistas. Entre os membros da equipe encontra-se o arrogante e individualista matemático Alan Turing. Obstinado, não demora a assumir a liderança de um grupo indiferente a ele. No entanto, Turing percebe que precisa da união de todos para quebrar o código, e para ajudá-lo a se relacionar com o pessoal, terá a ajuda de Joan Clarke, única mulher a fazer parte do projeto. Só que ao mesmo tempo em que Turing tem a difícil tarefa de decifrar a Enigma, ele também tem que lidar com mistérios em relação a sua sexualidade.
Britânico como Turing, Benedict Cumberbatch faz um trabalho brilhante no longa, acompanhado de perto por uma atuação consistente de Keira Knightley. O ator e a atriz são merecedores de suas indicações ao Oscar. Ele com uma abordagem sensível e visceral, apresentando ao público um homem que, pelo menos fora do Reino Unido, não era tão conhecido. Ela por transmitir a nós de maneira simpática a luta de uma mulher contra o machismo, mesmo que num núcleo pequeno da história. E juntos pela química passadas entre os personagens, com um dando suporte ao outro em suas lutas, seja internamente (homossexualidade de Turing) ou externamente (a batalha de uma mulher para ser aceita entre homens).
O diretor Morten Tyldum filma com segurança e encaixa flashbacks em momentos certos para explicar ao espectador as origens de Alan Turing e sua paixão por palavras cruzadas, isso sem prejudicar o andamento rápido do drama. Há espaço ainda para um pouco de humor irônico -típico dos ingleses, para aliviar o clima tenso que permeia o filme. Com 8 indicações ao Oscar 2015 (Filme; Ator, Atriz Coadjuvante; Diretor; Roteiro Adaptado; Trilha Sonora; e Edição e Design de Produção), O Jogo da Imitação encabeça a lista de favoritos ao prêmio, e que mesmo não levando nenhuma estatueta para casa, pode se considerar satisfeito por nos entregar um personagem tão rico, que até então era desconhecido por muitos.